Gus Morais baseou-se em um poema do escritor uruguaio Eduardo Galeano para fazer um ótimo quadrinho chamado MetaFora.
O poema é do Livro dos Abraços, que é um belo livro, de fácil leitura e difícil de definir. Composto de diversas histórias (estórias?) curtas, não é um livro de poesia, mas está cheio dela. É um livro de contos, mas poderia ser um livro de memórias. Ou seria um livro de memórias que poderia ser um livro de contos?
Gus Morais faz um trabalho de qualidade com os quadrinhos publicados em seu blog, com histórias bem desenhadas, onde trata com irônia histórias delicadas e com delicadeza histórias irônicas.
MetaFora é uma história nova, diferente daquela que a originou, pois o autor também coloca nela o seu traço. É uma obra a parte ao mesmo tempo em que exprime com maestria uma das possíveis interpretações do poema do Galeano.
Abaixo pode-se conferir o quadrinho e, na seqüência, os poemas que o originaram.
Para ver até o final, visite o site de Gus Morais.
Os poemas que inspiraram a história:
A Noite/1
Não consigo dormir tenho uma mulher atravessada entre minhas pálpebras.
Se pudesse, diria a ela que fosse embora; mas tenho uma mulher atravessada na garganta.A Noite/2
Arranque-me, senhora, as roupas e as dúvidas. Dispa-me, dispa-me.A Noite/3
Eu adormeço às margens de uma mulher: eu adormeço às margens de um abismo.A Noite/4
Solto-me do abraço, saio às ruas.
No céu, já clareando, desenha-se, finita, a lua.
A lua tem duas noites de idade.
Eu uma.








