eBook Reader para ler livros eletrônicos com conforto: “Papel já era!”, diz o idealizador
17 de abril de 2007 | Publicado na Categoria Livros e afins | 30 Comentários »
Uma das principais reclamações dos leitores sobre os livros eletrônicos – mesmo aqueles que podem ser baixados grátis na internet – é sobre a dificuldade da leitura na tela e o incômodo de imprimi-los em casa.
Pensando nisso e em outros fatores, a eBookCult – cujo site distribui livros eletrônicos gratuitos – lançou o eBook Reader, um dispositivo eletrônico portátil dedicado especialmente à leitura. Nele, você pode carregar diversos títulos e ter uma tela planejada para o conforto dos olhos e ler onde bem entender.
Em princípio, o alvo é o mercado de ensino coorporativo, mas usuários individuais também podem adquirir o produto.
Nesta entrevista, o idealizador Ednei Procópio fala sobre o produto, sobre como a indústria editorial deve ficar atenta às mudanças e sobre o fim do livro de papel. E, sim, Ednei também edita livros de papel.
Há mercado no Brasil para um produto como o eBook Reader? Não existe nada similar por aqui?
Uma vez que o Brasil tem poucas bibliotecas e livrarias menos ainda, nós acreditamos que aqui talvez seja exatamente o lugar no mundo em que uma Biblioteca Digital Portátil como é o caso do eBook Reader, modelo ETI-2, tenha espaço e também seja necessária. Não existe nenhum equipamento similar a este no Brasil. O que você tem são os portáteis com as suas minúsculas telas que não dão leitura e os equipamentos com grande poder de processamento mas com o custo inacessível para o público na área de educação principalmente, que é o público que desejamos atingir com o produto.
Vocês parecem em princípio interessados no mercado corporativo e o no de ensino, estou certo?
Nós temos interesse no mercado de ensino corporativo principalmente porque nos parece que é um mercado que tem mais sinergia com o nosso produto por conta do ensino a distância e dos projetos de inclusão digital. Nós não temos, a princípio interesse no mercado editorial varejista. Apesar de que já há um indício de que iremos fazer isto mas o processo é natural. Talvez no futuro seja mais direcionado.
Como surgiu a idéia?
A idéia toda surgiu a partir do momento em que criamos o Portal eBookCult, onde há um espaço em que os leitores baixam os livros eletrônicos e estes mesmo usuários ficavam enviando mensagem para o projeto perguntando se não havia um jeito mais simples de ler os livros eletrônicos ali disponíveis que não na tela do computador. Algo muito desconfortável. E também o pessoal reclamava porque gastava muito cartucho e papel imprimindo estes livros em suas impressoras caseiras. As folhas ficavam soltas o que também atrapalhava na leitura. Daí a solução veio com o eBook Reader, “a sua Biblioteca Digital Portátil”.
O produto é nacional ou vocês importaram a idéia e colocaram a marca eBookReader?
O produto é fabricado na China. Nós estamos importando, temos exclusividade para isto, e colocando a nosso brand em cima como faz grande parte das empresas de celulares neste país.
Vocês pretendem trabalhar com a venda de ebooks casada com o eBook Reader?
A princípio, as nossas vendas corporativas são casadas. Nós não temos e nem teremos um grande estoque deste produto aqui no Brasil. Acreditamos que este seja, por enquanto, o melhor modo de viabilizar o projeto.
O eBook Reader tem um software próprio, certo? E a questão de compatibilidade com sistemas operacionais?
Apesar do eBook Reader ter uma plataforma própria, fechada, ela conversa muito bem com os PCs e MACs. Não há problema sobre isto porque os softwares de conversão e sincronização rodam tanto em Windows quanto em MAC OS. E nós continuaremos com o sistema de leitura do aparelho com esta plataforma fechada porque é a forma que encontramos de manter seguros os nossos documentos.
Vocês acreditam que ele possa evoluir para outras funções além ser um meio de leitura para livros eletrônicos?
Não há nenhum interesse nosso em transformar o eBook Reader em uma máquina multi-função. Ao contrário das máquinas digitais fotográficas, dos MP3 Players, celulares, etc, o eBook Reader foi criado apenas para a leitura. Nós temos plena consciência de toda a história da convergência digital, mas nós optamos por uma tecnologia extremamente simples e com uma usabilidade 100%. Os que os outros produtos prometem, nós gostaríamos de cumprir. Nós estamos prometendo facilitar a leitura dos documentos digitais e queremos cumprir apenas esta meta, nenhuma outra. Por isto, o nosso produto não tem e não terá relógio, calculadora, agenda, games, despertador, aspirador de pó, etc, etc, etc. Ele é apenas uma Biblioteca Digital Portátil e, assim como as bibliotecas físicas reais, isto quer dizer “silêncio”.
Boa parte dos amantes da leitura tem uma relação meio tacanha com o livro, quase fetichista, e ficam com o pé atrás quando se trata de outras mídias. Essa cultura deve mudar?
Por um lado, as pessoas que realmente amam os livros, elas continuarão a amar os livros em qualquer plataforma, seja em papel, eletrônico, áudio book, papiro, iluminuras, cascas de árvores, em lascas de pedras, etc. Esse negócio de “cheiro do papel” é coisa de velho que não respeita a natureza e aprova a derrubada das árvores. Por outro lado, há uma evolução na leitura na história da humanidade e apesar de acharmos que isto levou um grande tempo para acontecer, na verdade, ela é muito recente, o livro tal qual nós o conhecemos atualmente não tem mais do que 300 anos e ele vai mudar com absoluta certeza. Queiram os pseudo-amantes ou não, gostem eles ou não.
No futuro, o crescimento de produtos como o eBookReader pode fazer a indústria do livro se movimentar tanto quanto a indústria fonográfica se movimenta em relação aos direitos autorais?
A indústria fonográfica sucumbiu a indústria de tecnologia. Hoje, uma grande empresa de tecnologia é dona de uma grande loja de músicas virtuais. Nós já avisamos centenas de vezes aos editores brasileiros para que eles tomem para si o mercado de tecnologia e não caiam no mesmo erro do mercado fonográfico. O mercado editorial brasileiro é minúsculo, tem apenas 1300 livrarias; 58% dos compradores estão concentrados no Sul e Sudeste; 17 milhões lêem apenas um livro por ano; 60% da população alfabetizada está fora do mercado; então se o mercado editorial brasileiro não se mexer e não perceber a revolução que está por vir (como é o caso das grandes empresas como o Yahoo!, Microsoft e Google – todas as empresas de tecnologia – que estão de olho neste filão de livros eletrônicos, como é o caso das centenas de Blogs e websites de autores independentes cujo trabalho não passa mais pela livraria e também não depende mais dela para acontecer, como é o caso também da wikipedia, e tantos outros movimentos), o mercado vai ficar ainda menor. Ou seja, é uma questão de sobrevivência, se os editores de papel não se mexerem agora, azar o deles.
Quando esse produto vai começar a ser vendido individualmente?
O leitor/usuário individual já pode comprar o equipamento a um custo de R$ 999,00. Nós só não divulgamos isto ainda porque estamos terminando de fechar um CD com cerca de 200 títulos que acompanhará o produto e também estamos terminando de traduzir um software que poderá ser utilizado para que o leitor/usuário possa converter e sincronizar os seus próprios livros. Nós queremos que o valor de R$ 999,00 faça sentido, porque nós estamos tendo muita dificuldade com tantos impostos. Então, nós estamos tentando criar um custo-benefício interessante para este leitor/usuário, onde tentaremos dizer a eles: “- Olha, você está adquirindo uma Biblioteca Digital Portátil, já com 200 títulos, podendendo converter ainda mais os que estão por toda a Internet com o nosso software”.
As vendas já começaram? Como estão indo? Qual tem sido a receptividade?
Honestamente, nós ainda não fechamos nenhuma grande venda corporativa, mas nós estamos com muitos e bons contatos e muitos pedidos neste sentido. Nós temos certeza que até o final deste ano teremos números para você publicar, mesmo que sejam pequenos. Nós somos os jovens da Internet e gostamos de transparência, não faremos como as empresas grandes que mentem para o seu público. Em termos de recepção a gente só ouve elogios por um lado. E reclamações por outro somente por conta do preço do aparelho, mas nós também estamos trabalhando isto juntamente com uma estratégia de marketing.
Que tipo de leitor está usando o aparelho? Qual a faixa de idade?
O nosso público-alvo é o jovem leitor. Ele está entre 21 e 40 anos, aproximadamente. Ele é estudando, internauta, pesquisador, professor e auto-didata.
O que você pensa dos livros habituais, feitos de páginas, papel, capa?
Eu também sou editor de livros em papel. Há 5 anos publico livros em papel e não tenho absolutamente nada contra os livros em papel, muito pelo contrário, longa vida aos livros. Sou diretor de uma pequena editora em São Paulo. Se você acessar o website desta editora, a www.gizeditorial.com.br, você vai perceber que todos os livros já lançados por ela, estão também sendo vendidos no formato eletrônico. E, em breve, pretendemos vender os livros também no formato de áudio. Ou seja, teremos um mesmo título nos três formatos: impresso, eletrônico e áudio-book. Mais opção de negócios, mais opções para os usuários dos livros. O que importa é que os livros por nós publicados tenham qualidade editorial e que os leitores efetivamente gostem. Se ele vai ler no papel ou no eBook Reader, isto ele poderá optar.
Qual o futuro do livro de papel?
O futuro do livro impresso em papel é o papel eletrônico. E, da parte do eBookCult, ponto final neste sentido. Não vamos discutir o passado. O que estamos discutindo agora é como apresentaremos para o mercado um modelo de negócios que caiba no bolso do leitor do futuro.
O eBookReader pode vir a contribuir pela expansão da leitura? Ou apenas em uma faixa restrita da população?
Nós temos certeza de que o eBook Reader pode vir a contribuir para expansão da leitura. disto nós não temos dúvida. Dê um PlayStation Portátil e um livro para um jovem qualquer e veja qual ele vai escolher. Agora faça o mesmo com uma Biblioteca Digital Portátil e um livro impresso e terá o resultado. O jovem precisa de estímulo algo que o mercado velho não dá. E, se você perceber, grande parcela da população já está com os seus olhos voltados para uma tela (o dia inteiro). Pode ser qualquer tela, LCD, tevê digital, DVD portátil, celular, palm, pocket pc, iPod, desktop, notebook, game boy, playstation portátil, guias de ruas eletrônicos, etc, etc, etc. Nós estamos apenas desenvolvendo um tipo de tela que seja confortável para a leitura de livros especificamente (se não os livros vão ficar sem espaço neste novo mundo que se apresenta). No Brasil, o livro nunca foi democrático. O livro só atende a um único público. Há uma ilusão à respeito disto, pois você e eu que somos os formadores de opiniões ainda levamos muito tempo para comprar os livros que gostamos pois ele é inacessível em termos de preço. Então o grande desafio é melhorar a acessibilidade dos livros, tanto em termos de quantidade e qualidade de títulos quanto na questão do preço de capa da obra. Os velhos não querem discutir isto, preferem vender livros caros, e aí nem eu e nem você conseguimos comprar aquela obra bacana. Então, nós que somos os jovens da Internet vamos mudar isto. Eles não ouviram a gente. Então nós vamos criar um produto que seja 100% acessível (o eBook Reader, por exemplo, acessa uma biblioteca online diretamente dele, sem ter que passar por um computador) e vamos repensar o nosso modo de vender, comercializar e distribuir os livros. Um modo que seja melhor e mais eficaz do que este mercado editorial brasileiro que cobra caro num livro mesmo com todas os incentivos do Governo. Chega de leitores de resumos de listas de vestibular. Nós temos que copiar o mercado de videogames e colocar esta molecada para ler e um jeito de fazer isto é através de botão. Papel já era!

Eu já escrevi várias matérias em meu site sobre aplicativos para ler eBook no celular. É uma coisa bem pratica.
http://www.xandrix.com.br/blog/2007/01/20/como-fazer-seu-ebook-para-seu-celular/
Resposta: Fiz uma bookmark de seu artigo para indicá-lo por aqui em breve, meu caro!
Assinei seu feed.
Abraços!
Que desperdício…
Eu estou a muito tempo esperando por um leitor de ebooks, e o primeiro acessível não abre PDFs, PostScript ou .LIT; usa um formato obscuro para o qual os textos só podem ser convertidos a partir de documentos do Word e semelhantes (cuja qualidade gráfica é horrenda) através de um programa que não vai rodar na minha máquina; e ainda parece vir cheio de DRM… Uma pena, mesmo.
Bem, o jeito é esperar :)
Resposta: Oi, Adam… eu pedi para que, se o Ednei quisesse, escrevesse um artigo para responder os comentários… talvez ele escreva e responda essas questões.
Abraços!
Um dispositivo desse tipo é meu sonho de consumo, mas que realmente funcione e não estrague meus olhos, hehe.
Ainda assim acredito que o livro de papel vai demorar muuuuuito para ser substituido.
Abraço!
Resposta: Também acho que vá demorar… coisa de 15 a 20 anos no mínimo.
Ah… em breve vou publicar aqui um artigo sobre saúde visual… acho que você vai se interessar….
Abraços!
Será mesmo que o livro em papel desaparecerá? Já tinha visto algo similar a este Ebook Reader numa reportagem japonesa.
Resposta: Desaparecer não vai. Afinal, existem exemplares de papiros e pergaminhos nos museus, mas não se vê pessoas os usando para ler mais. Afinal o livro é uma tecnologia que os superou. Portanto, nada impede que, no futuro, uma tecnologia surja e supere o livro.
Beijos!
Por mil reais? Acho difícil um equipamento monotarefa a este custo “pegar”. Entendo e apóio a escolha pela não-convergência, mas seria desejável um recurso de áudio, um mp3 player – afinal, temos podcasts e audiobooks por aí.
De fato, acho que o alvo deles são as coorporações educativas, Lu. Aí esse custo pode baixar. Beijos!
Estou lançando meu segundo livro, e desta vez optei pelo formato digital. Fiz uma enquete através de e-mails e o modelo de negócios mais votado foi para e-books distribuidos gratuitamente com anúncios nas páginas (cabecalho e rodapés). Achar patrocinadores para e-books não é fácil porque poucos conhecem este tipo de mídia e a força que possui uma distribuição via internet. Vou fazer um lançamento do e-book em um bar/restaurante aqui em Brasília, seria uma oportunidade de divulgar o e-book Reader, tanto nas páginas do e-book como no próprio evento com a demonstração de um aparelho. Se houver interesse entre em contato: walder.t@pop.com.br Que tal se no futuro pudessemos organizar uma feira de e-books?
Oi, Walder! Muito boa a sua idéia, mas acho mais aconselhável entrar em contato com os donos da idéia através do link que forneço na entrevista que fiz com eles…
Abraços,
do Alessandro.
Gostaria de registrar meus parabéns aos idealizadores do eBookReader (www.ebookcult.com.br). Adquiri o produto e, embora ainda estou aprendendo a lidar com o livro digital, posso afirmar que era exatamente isso que faltava nesse mercado.
nossa sonho de consumo, eu que so estudante,fico carregando a aquele livros gigantesco e pesados…
e muito dificil pra estudante…
eu compraria se ñ fosse o preço quase mil reais….
so estudante…please da uma baixada ai q eu compro….
tchau….
Eu achei péssimo. O que se faz com um aparelho que se dispõe a ler publicações em formato digital e não lê PDF!!!
Isso é, no mínimo, um pecado. O da Sony dá de mil a zero, lê PDF, tem espaço de armazenamento maior, aceita memory stick e SD. E isso por menos de 300 dólares. Só tem o problema que não é vendido aqui.
Por quase 1000 reais, só pra ler livros, eu prefiro gastar mais e investir num notebook. Ainda sim será desconfortável pra ler, mas muito melhor que um PC, fora o fato de SER um computador que eu possa fazer de tudo.
Pra mim, um ereader que não lê PDF é um tiro no pé.
Ralmente, um eReader que utiliza um formato tão restrito é um problema, vai limitar muito a oferta de livros e o leitor fica preso a um único distribuidor. Fora que estará obsoleto em pouco tempo.
Acho que, infelizmente, não vai colar.
Erá o que faltava para nós brasileiros amantes da leitura. Apenas o preço ainda é inacessivel para muitos de nós. Espero que a ebookcult o torne multi-funcional (mp3, imagens, videos etc) pois caso contrario acredito que vai ficar ultrapassado… Não basta apenas ter uma boa ideia, é preciso reinventar todos os dias!
PessoALL,
Eu adoraria ter um aparelho destes para ler livros no ônibus, mas vejo dois graves problemas aqui:
– 1º) Ele não lê os padrões: “.PDF”, “eBookPro”,
“MobiPocket”, “MS Reader”, “RocketEdition”, e “iSilo”.
– 2º) Ainda está caro demais! O valor justo e correto seria no máximo (estourando) os R$300,00. Baseio-me neste valor pelo preço dos MP4 e os MP5 com tela colorida e memória. O que este equipamento difere dos MP4 e MP5?
[]’s,
Tunusat.
Alessandro descobri que alguns modelos de MP4 têm a função e-book. Não precisa transformar nada. Abraço.
Resposta para ana lucia: Legal! Os leitores eletrônicos ainda não me ganharam, mas definitivamente não estou fechado a essa possibilidade.
Olá pessoal.
Voces conhecem algum e-book read que possua zoom? Ou possa aumentar a fonte consideravelmente?
Outra coisa: daria para escaniar um livro e através de um software OCR enviar para o read?
Geralmente qual o tamanho da tela destes reads?
Grato.
Carlos,
creio que todos esses e-books tem opções como essa de aumentar letras. Quanto a escanear e usar OCR já não sei…
Abraços!
oi pessoal!
interessante o aparelhinho, mas o preço é alto para o que propõe fazer…
comprei o notebook portátil de 7″ da marca asus, levo para faculdade e para o trabalho, resolveu meu problema.
Abraços!!!!!!!!!
Acho ridículo dizer que o papel vai acabar, pois acredito que vai demorar para um equipamento substituir o papel, para se ter uma idéia o próprio e-book reader vem com 1 Manual impresso em português, 1 Certificado de garantia, ambos impressos :)