Duas palavras contra o relatório sobre o aquecimento global
2 de fevereiro de 2007 | Publicado na Categoria Livros e afins | 15 Comentários »Se eu digo que o aquecimento global é “muito provavelmente” causado pelo homem, isso é aceitável. Sou apenas um leigo que acompanha o termômetro e que tem um vago conhecimento científico, ecológico e de seus contemporâneos.
A partir do momento em que cientistas – 2500 deles – preparam um relatório sobre o aquecimento global e usam o termo “muito provavelmente”, saímos do terreno da ciência – em que as coisas ou são ou não são – e entramos no terreno da política e da fabricação de compotas – em que as coisas talvez sejam.
Isso tira muito da credibilidade desse relatório. A complexidade do tema até justifica a existência de um improvável – do ponto de vista científico – “grau de certeza”. Esse grau vem se arrastando em direção à sua plenitude ao longo dos anos freado sabe lá por que interesses.
Essas duas palavras são o que muitos governos precisam para deixar de adotar algumas das medidas que podem ser necessárias para reduzir o problema.
Muito provavelmente.
Serviço
Compare preços de livros sobre aquecimento global, ciência e ecologia.

Há um bocado de histerial em torno do assunto. Primeiro porque os homens encaram com muito desespero a idéia da extinção, algo a que, evidentemente, não estão acostumados.
Para mim está claro que o aquecimento global é um fenômeno sem retorno, e não só por causa da poluição. A história da Terra é a história da alternância entre períodos quentes e glaciais. E o que a gente está vivendo é o fim de um longo período glacial.
Houve muito papo em torno do aquecimento global por causa da temperatura recorde em janeiro aqui em NY: 72F, ou 21C. O detalhe é que o recorde anterior era de… 70C, em 1950.
Mas volto à primeira frase: o negócio é encarar a extinção com alguma naturalidade.
Resposta: Engraçado, recentemente comentei com você que estava lendo A História de Quase Tudo, aquele livro que explica a evolução da ciência de uma forma bem simples, divertida até. Tudo bem fundamentado, é claro. Lembro de ter visto algo dizendo que a próxima era glacial estar atrasada alguns séculos. Ou seja, já era para ter rolado. Ou ao menos estar rolando. Mas, como não estou com o livro aqui, vou ficar lhe devendo. Ele está com meu pai.
Quanto à possibilidade de extinção, é melhor nos acostumarmos com a idéia ou ao menos com a possibilidade. Afinal o homem está por aqui pouco tempo. É aquela velha história. Se a história da Terra até o momento coubesse em um ano, estaríamos nos últimos minutos apenas. Se a história do Universo coubesse em um ano, esqueça. E os dinossauros viveram por aqui sei lá, milhões de anos? E ainda assim foram extintos. Não vejo grande problema nisso. Na verdade eu acho estranho que todo o papo de preservação do planeta tenha na verdade o fundo de preservação da espécie. É meio hipócrita se pensarmos bem. Só há interesse na preservação do planeta quando isso, de alguma forma, ameaça a humanidade. Afinal, pra mim está claro que, se os seres humanos deixarem de existir, a vida vai continuar de alguma forma. O planeta não precisa de nós. Talvez bem ao contrário disso.
A histeria provocada por essa possibilidade de extinção da humanidade pode até ser, para alguns, interessante economicamente. Fico imaginando quantos livros sobre isso serão vendidos. Sem falar em outros produtos que ainda vão querer empurrar à população “desesperada”. Ou o que vai acontecer com o valor dos terrenos e prédios a beira mar. Ou ao preço da água.
Isso dá pano pra manga.
Discordo de você quando diz que quando dizemos “muito provavelmente” saímos do campo da ciência, se for assim, não existem ciências humanas, nem a física moderna, nem a química… A probabilidade é parte integrante da ciência, i.e., sempre existe dúvida em qualquer teoria científica, por mais tempo que ela exista… mas, com relação a histeria do ser humano, agora teremos que agüentar este assunto até a exaustão, acharam um substituto para o medo de uma hecatombe nuclear…
Resposta: Seu comentário só mostra que, quando se escreve algo em um site cujos leitores tem algum esclarecimento, tudo deve estar muito bem fundamentado. Obrigado.
Naturalmente, me refiro às ciências exatas. Mesmo essas têm uma história em que as certezas anteriores são substituídas pelas certezas posteriores em uma seqüência sem fim de quebra de paradigmas. O primeiro exemplo que me vem é o de Kepler que, em vida, teve que ceder às evidências de suas próprias descobertas e abandonar não algumas mas todas as suas convicções científicas. A história de como isso se deu pode ser lida no livro Cosmos, de Carl Sagan, creio que no segundo capítulo, numa narrativa tocante. Também pode ser vista no programa para tevê. Talvez você arranje em algum lugar para alugar. A Super Interessante comerciou os DVDs recentemente.
Mas o fato é que, enquanto os paradigmas das ciências – exatas – não são quebrados as conclusões só se podem basear em evidências e é a partir das evidências que se fala em termos de certeza – pelo menos do ponto de vista do paradigma atual. Sem evidências, um cientista nada afirma. Não diz que sim, não diz que não.
Se o paradigma está certo ou errado é outra questão importante. Determinado paradigma serve para determinada época e situação. Já se afirmou que a Terra era chata como uma pizza. Ninguém tem dúvida de que isso seja errado, mas essa idéia serviu bem até a época das navegações e qualquer pessoa podia viver sem crises de consciência acreditando nisso.
Porém se, então, algumas certezas já não preenchem certos vazios deixados pela realidade, está na hora de mudar a forma de pensar das ciências exatas. A forma de pensar sbore a realidade tornou-se insuficiente. Talvez seja o caso sobre o aquecimento global. Ou talvez os cientistas estejam em um cabo de guerra político e econômico mesmo. Mas isso também não é novidade.
Eu devo escrever um artigo mais fundamentado sobre esse assunto amanhã.
Obrigado por me abrir os olhos!
Até pensei em dar um palpite sobre o post mesmo, mas o nível do diálogo na caixa de comentários está tão alto que vou ter que voltar para buscar as minhas notas e mais uns dois ou três livros.
Resposta: Hahahaha!
Depois que eu vi o tamanho que ficaram os diálogos estou desconfiando que a maior parte do conteúdo do blog está nos comentários… rs… não é à toa que eu os valorizo tanto…
Quanto ao seu, este já foi de ótimo humor e muito bem-vindo. Se tiver mais algum, ficarei muito feliz em recebê-lo.
Beijos,
do Ale.
A verdade que o medo de extinção eminente vai da nossa morte até duas ou três gerações apenas, o que se diz sobre “o que deixar aos nossos netos, aos nossos filhos”, este é o raciocínio básico do ser humano comum, e é quase neste mesmo infímo tempo que o desespero faz conta de até quando haverá recursos.
Resposta: Engraçado mesmo… o discurso é esse… o dos netos… nunca vi ninguém falar em bisnetos sequer. Quanto mais das gerações de daqui a mil anos ou mais… curioso mesmo. Observação interessante.
Bom, como já foi dito aí em cima… ciências trabalham com probabilidades.
Mesmo depois de terem afirmado uma teoria, continuam estudando aquele “problema” e acham outra teoria… A terra não foi sempre redonda, por exemplo.
Acredito nesse “muito provavelmente”. Afinal, eles não têm certeza de nada.
Quem tem?
O revoltante é saber que usam assuntos sérios, polêmicos, urgentes, para desviarem a atenção de assuntos tão sérios e polêmicos e urgentes, mas que beneficiam muitos políticos imundos, como a fome, a guerra, a AIDS e outros e não para resolverem isso de verdade.
Sabemos que o homem é capaz. Se dizem que em 50 anos a coisa vai ficar feia, eles precisam de 5 para não deixar isso acontecer. Resta saber, se isso é de interesse deles.
Muito provavelmente, não. :(
Resposta: Nos próximos anos vamos ouvir falar sobre isso até estourar a paciência. Vamos ver se alguma coisa boa vai acontecer…
E quantas vezes apareceu “inequívoco”?
Está na capa do jornais “da cidade” (jornal daqui de bauru), estadão, folha, das revistas exame e você s/a, tudo que eu leio semanalmente. Sem contar blog, sites e por aí afora. E não são “certezas”??
Tsc tsc tsc. Não é só o nosso governante que não acerta nas atitudes. Tem muitos por aí afora. E meu sonho de ser mãe vai por água abaixo, será que coloca alguém n(esse) mundo??? rsss Brincadeira…
Beijoss
Resposta: Creio que, se não são certezas, pelo menos não há dúvidas por contraditório que possa parecer. Existem evidências suficientes para que qualquer um saiba que muito da velocidade – principalmente a velocidade – com que o aquecimento vem ocorrendo se deve à ação do homem. Tudo é uma questão de cautela, forças políticas atuando e medos econômicos e afins.
De uma maneira ou de outra os efeitos do aquecimento global são visíveis a “olho nu”, o ano por aqui – interior de MG – começou louco como eu não via a muito tempo.
O problema é que se dão importância extrema a um certo problema, estão se importando demais, e quando não se importam, estão se importando de menos. Acho que é a política da política… vai saber.
Resposta: Bem, de qualquer forma espero que se comece a tomar atitudes mais sérias desde já. Depois que a coisa acontecer não vai adiantar nada. E creio que diversas conseqüências já são inevitáveis…
Nossa, a caixa de comentários está riquíssima! Enfim, eu acho que tem muita coisa por trás disso tudo: eu procuro ler sobre o assunto, procuro me informar sobre maneiras de ter um impacto menor, mas não é fácil. Faço meu trabalho de formiguinha, procuro dar o exemplo para minhas filhas e pessoas próximas, mas não sei até que ponto meus atos interferem de alguma forma no destino do planeta.
Pensando no que você disse em sua resposta ao Paulo (“Na verdade eu acho estranho que todo o papo de preservação do planeta tenha na verdade o fundo de preservação da espécie. É meio hipócrita se pensarmos bem.”), fiquei pensando com meus botões. Eu sempre tive uma preocupação com relação ao meio ambiente, sempre achei um assunto interessante. Mas minha atual condição de mãe me deixa mais preocupada ainda, pois quero que minhas filhas-e meus netos e seus filhos, seus netos e assim por diante-tenham qualidade de vida. Será que tudo isso é pura besteira? Será que o que a gente faz não tem nenhum impacto sobre como será a vida dos seres humanos que virão depois de nós? Será que já está escrito, vamos sumir do mesmo jeito, independente de como tratamos o planeta?
Olha só, fiquei cheia de perguntas… :-)
Resposta: Bem… creio que o melhor meio de obter as respostas certas é, antes, fazer as perguntas corretas. Eu tenho várias também. Muitas mesmo… quero ver se hoje ainda escrevo mais alguma coisa aprofundando isso…
O Marco falou: “mas, com relação a histeria do ser humano, agora teremos que agüentar este assunto até a exaustão, acharam um substituto para o medo de uma hecatombe nuclear…”
A histeria do ser humano é o que move a economia, meu caro! :-)
Quer efeito pior do aquecimento global do que os dias chuvosos (diga-se o mês todo de Janeiro) no Rio em pleno verão. Temperaturas de 16, 17 graus ??? Com certeza tem muita coisa errada…