Duas ótimas indicações de Caio Fernando Abreu

Ao final da edição do livro Morangos Mofados de Caio Fernando Abreu que tenho em mãos tem uma carta que ele escreveu a José Márcio Penido, seu amigo, explicando um pouco sobre o processo de criação do livro e incentivando-o a escrever também. Nesta carta ele fala sobre um texto do Nirlando Beirão.

“Mas o melhor que li nesses dias não foi ficção. Foi um pequeno artigo de Nirlando Beirão na última IstoÉ (do dia 19 de dezembro, please, leia), chamado “O recomeço do sonho”. Li várias vezes. Na primeira, chorei de pura emoção – porque ele reabilita todas as vivências que eu tive nesta década. Claro que ele fala de uma geração inteira, mas daí saquei, meu Deus, como sou típico, como sou estereótipo da minha geração. Termina com uma alegria total: reinstaurando o sonho. É lindo demais. É atrevido demais. É novo, sadio. Deu uma luz na minha cabeça, sabe quando a coisa te ilumina? Assim como se ele formulasse o que eu, confusamente, estava apenas tateando. Leia, me diga o que acha. Eu não me segurei e escrevi uma carta a ele dizendo isso. Não sou amigo dele, só conhecido, mas acho que a gente deve dizer.”

Primeiro ressalto algo que chamou a atenção quando li este trecho: a generosidade do Caio que escreveu a um autor para dizer que gostou do texto dele e das reflexões que o texto trouxe.

Essa é uma atitude que deveria ser aprendida e praticada por nós nestes tempos tão escassos de gentileza. No tempo das facilidades de contato – do e-mail, dos comentários no site, das redes sociais, etc. – o que nos impede de dizer ao autor que gostamos do seu texto, da sua obra, das suas reflexões? Mesmo sem esperar respostas esse é um ato importante para manter o autor no escrevendo, afinal, mesmo o nosso autor favorito as vezes precisa saber que alguém o lê e gosta da sua obra.

A segunda coisa que quero dizer acerca do trecho é que achei o texto O Recomeço do Sonho do Nirlando Beirão na e é realmente uma ótima leitura. É interessante ver como os pensadores dos anos 1980 viam as décadas anteriores entre outras reflexões sobre a arte e o seu papel social.

Pra deixa-los com ainda mais apetite do texto, deixo um trecho:

“O delírio é uma das formas de entendimento. O prazer não elimina a luta de classes mas também não é colaboracionista. Então, por que não? A felicidade é o corpo redescoberto – e querido. A beleza sem tabu. O amor que não é dor. A rejeição do masoquismo. O rebolado de Caetano Veloso foi mais revolucionário do que o discurso de Chico Buarque de Holanda. A felicidade é o antídoto para as ditaduras que são soturnas, perversas, castradoras – e que por isso mesmo não aprisionam só políticos, também fuzilam poetas e cortam a mão de cantores.”

Para ler o texto completo clique aqui: O Recomeço do Sonho – Nirlando Beirão.




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