Duas coisas por hoje.
Picharam a casa de Dalton Trevisan. Não os muros ou as paredes – que dão para a rua -, mas o telhado. Isto significa que será preciso trocar as telhas para eliminar o requinte artístico dos autores da façanha.
Como se pode ver, até mesmo delinqüentes buscam os recursos mais engenhosos para a permanência de suas obras.
Agora, o escritor que não sem razão reclama das calçadas de Curitiba em algumas de suas crônicas sobre a cidade, tem mais um motivo para lamentar.
Aqui, uma observação. A Júlia, quando vai trabalhar, passa pela frente da casa dele e me diz que as pedras que estão próximas ao portão são, provavelmente, as mais soltas de todas as calçadas de Curitiba e as que, assim, ao serem pisadas espirram mais barro nas calças dos pedestres depois das chuvas. Pelo menos do caminho que ela percorre com certeza são.
Só essa história de pichação daria uma matéria ou um artigo sobre o assunto, mas deixo a mentes mais elevadas os encargos de tais reflexões sobre vampiros e arte urbana.
A segunda coisa é que, cada vez mais, descubro que não sou o único a pensar o que penso sobre as leis de incentivo à cultura. Veja o que pensa sobre o assunto o escritor Janer Cristaldo, do excelente Uma História Obscena:
Nestes dias em que a nação se escandaliza com o generoso aumento que deputados e senadores concederam a si mesmo, é curioso observar que nenhum cidadão parece se escandalizar com esta vigarice habitual da gente de teatro e de cinema, sempre praticada em nome da cultura. Pior ainda: depois de serem financiados pelo contribuinte, cobram entrada do contribuinte que já pagou, ainda que à revelia, pelo espetáculo. E o contribuinte, qual boi de canga, paga docilmente o ingresso. Sem tugir nem mugir.
O artigo completo fala sobre Cleyde Yaconis, que busca recursos para seu espetáculo mendigando recursos em colunas sociais, segundo o escritor.
O site Cultura e Mercado publicou há algum tempo uma entrevista com Yacoff Sarkovas, especialista e consultor de empresas na área de imagem, sobre o assunto que também se harmoniza com minhas opiniões.
O mesmo Yacoff Sarkovas, que é Presidente da Articultura Comunicação, publicou um artigo sobre o assunto no Estado de São Paulo, em 15 de abril de 2005, que reproduzi no Making Of, do Cracatoa Simplesmente Sumiu.











