Muito se fala do uso do computador e da internet na educação.
Claro que isso vem para bem.
Mas se for bem usado e se for encarado como um universo a ser descoberto para o qual o professor aponte, com responsabilidade, para o aluno. Como quem aponta para um território inexplorado a ser descoberto (e a ser construído).
Políticos e até alguns professores, no entanto, virão com o discurso: “Faltam recursos! Faltam recursos! Não há dinheiro!”.
Se não há dinheiro para colocar a internet em nossas escolas, acredite: esse não é o maior problema.
As palavras de Rubem Alves que agora leio no livro Do Universo à Jabuticaba dizem tudo:
Muitos pensam que o problema da educação no Brasil é a falta de recursos. É verdade que há falta de recursos. É mentira que se eles vierem a existir a educação vai ficar inteligente. Cozinha que faz comida ruim não se transforma em cozinha que faz comida boa pela compra de panelas importadas. Culinária se faz com sonho. Educação se faz com sonho. Os grandes mestres na história da humanidade só tinham, à sua disposição um recurso: a fala.
Numa clínica psicológica estava escrito: “Distúrbios de Aprendizagem”. Ainda não vi em clínica alguma anunciando “Distúrbios de Ensinagem”
E, mais à frente:
(…) um importante princípio de minha teoria de aprendizagem, que encontrou forma poética num quase haicai da Adélia Prado: “Não quero faca nem queijo; quero é fome”. Se o aluno tiver fome, ele descobrirá o queijo e comerá, mesmo que seja necessário roubar e sem o auxílio da faca. Mas, se não tiver fome, será inútil que ele trabalhae numa loja de queijos. O mesmo princípio foi enunciado por gente simples da roça: “É fácil levar o burro até o ribeirão; o difícil é convencê-lo a beber.”
A internet é o queijo, o seu acesso é a faca. Porém, são a coisa menos importante. A fome é um atributo exclusivamente humano. O papel do professor é saber abrir o apetite. Mas não qualquer apetite: os melhores.









