Júlia leu-me, pouco antes de irmos para a cama, um texto irresistível de Oscar Wilde, que por já estar em domínio público e por ser delicioso, publico quase que na íntegra:
Deve-se ler
ou não ler
Os livros podem ser muito comodamente divididos em três classes:
1. Os livros que se devem ler, como as Cartas, de Cícero (…)
2. Os livros que se devem reler, como Platão e Keats (…)
3. Os livros que não se devem ler nunca, como As Estações, de Thomson (…); todos os livros de argumentação e todos aqueles em que se tenciona provar alguma coisa.
A terceira classe é, de muito, a mais importante. Dizer às pessoas o que devem ler é geralmente inútil ou prejudicial, porque a apreciação da literatura é questão de temperamento e não de ensino.
Não existe nenhum manual do aprendiz do Parnaso, e nada do que se pode aprender por meio do ensino vale a pena aprender-se.
Mas dizer às pessoas o que não devem ler é coisa muito diferente e atrevo-me a recomendar este tema à Comissão do projeto de ampliação universitária.
Realmente é uma das necessidades que se deixam sentir, sobretudo neste século em que vivemos, em um século que lê tanto, que já não se tem tempo de admirar, e em que se escreve tanto, que já não se tem tempo de pensar.
Quem escolher no caos de nossos modernos programas os Cem Piores Livros e publicar a lista deles, fará um verdadeiro e eterno favor às gerações futuras.
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Fica aqui, portanto, uma homenagem a editores de blogs que merecem ser lidos: meu amigo Paulo Polzonoff Jr, que conheço, ao Edson, do Sententia, que não conheço pessoalmente, e ao Alexandre Soares Silva, que não conheço nem de trocas de email, mas de quem li o divertidíssimo livro Morte e Vida Celestina, que está na classe dos que devem ser relidos.











