Desorganização no Museu Oscar Niemeyer

Quero parabenizar a direção da Museu Oscar Niemeyer pela desorganização no recebimento do público para a mostra Picasso: Paixão e Erotismo, que faz parte do Circuito Cultural Banco do Brasil.

Primeiro as pessoas ficaram 40 minutos ou mais em uma grande fila. Até aí tudo bem. Afinal, domingo, tempo bom, exposição gratuita.

Mas quando você entra no museu, feliz porque a fila acabou e finalmente verá as obras do artista espanhol, o que encontra? Outra fila. Tão grande quanto a primeira. Desta vez para entrar na sala onde a exposição acontece.

A direção do Museu Oscar Niemeyer, encabeçada por Maristela Requião – esposa de nosso reeleito governador – poderia ter o cuidado de organizar uma única fila para a mostra, desgastando menos quem até ali se deslocou e que, assim, poderia melhor aproveitar o oferecido no domingo, dia mais das vezes reservado ao entretenimento e, no caso, enriquecimento cultural.

Era evidente o estado de decepção e irritação do público presente, muito embora a maioria assuma aquela postura de “fazer o quê? a vida é assim mesmo…”. Davam-se por felizes, quando passavam pelos umbrais que permitiam a contemplação do trabalho do mestre espanhol.

Pessoalmente, preferi deixar para ver a exposição um outro dia a exemplo de muitas outras pessoas. Infelizmente, nem todos têm a sorte de trabalhar perto do museu projetado por Oscar Niemeyer e implantado por Jaime Lerner ou o tempo necessário para uma visita no meio da semana.

Tudo poderia ser chamado de uma grande instalação.

O material: uma exposição de Picasso, um público ávido e supostamente complacente como o gado, uma fila fora do prédio e uma dentro.

Interessante o modo encontrado para chamar a todos de estúpidos. É uma espécie de pegadinha. Você pode ver Picasso, mas antes terá de passar por duas filas e fazer papel de bobo.

Só não foi perfeito porque para adquirir o ingresso não havia fila. Aí sim seria uma verdadeira obra de arte.

Postado em Livros e Afins.

Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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