Provavelmente Desiderata é o texto mais popular dentre aqueles com equívocos de autoria. Talvez fique empatado com Instantes, falsamente atribuído a Jorge Luis Borges. Desiderata está na categoria dos que costumam dizer: anônimo ou autor desconhecido.
Autor desconhecido não existe. Deviam fazer uma série de tevê em que os investigadores procurassem autores de textos supostamente anônimos.
Lembro desse texto sendo lido no Fantástico, da Rede Globo, quando eu era criança pelo Cid Moreira.
Na época, a explicação que me deram foi a de que Desiderata era de autoria anônima, tendo sido encontrado em uma igreja em Baltimore, no ano de 1692. Na versão que me contaram, ele havia sido pregado na porta.
Possivelmente uma alusão a Martinho Lutero que pregou na porta da igreja de Wittenberg uma lista contendo 95 teses repudiando a igreja católica de Roma, por volta de 1500. O que, naturalmente, dava ainda mais força à lenda.
Na minha cabeça infantil, era como se um anjo ou coisa assim tivesse segurando um martelo e um prego e colocado um pergaminho meio enrolado na madeira.
Na verdade, Desiderata foi escrito em 1926 por Max Hermann, poeta e advogado nascido nos Estados Unidos.
Ouça no vídeo abaixo a versão em português de Desiderata, declamada por Cid Moreira. Independentemente do que você acha ou não do texto (e das declamações de Cid Moreira), considero esse áudio antológico, cheio de lembranças que nem consigo explicar. Aliás, você vai perceber que Cid Moreira, na época, tinha uma locução limpa e segura, sem a afetação que só piorou depois do dispensável e hoje esquecido Mister M:










