Mais e mais campos se abrem para bibliotecários e demais estudiosos do gerenciamento, da organização e da disposição da informação. Sabe lá que tipo de arqueologia teremos no futuro e que dificuldades maiores ou menores que escavar porcelanas delicadas teremos.
Encontrei uma passagem interessante no livro O Relógio do Longo Agora, de Stwart Brand, que levanta uma lebre sobre temas que, quero crer, venham sendo debatidos nos meios acadêmicos e nas instituições responsáveis.
Quero lembrar que o livro é de 1999, então devo imaginar que muito progresso se fez nessa área.
(…) Jaron Lanier, inventor das tecnologias de imersão batizadas de realidade virtual, relatou recentemente:
No ano passado um museu me pediu para mostrar um vídeo-game de arte (Moondust), criado por mim em 1982. Ele rodava num Commodore 64, um computador que havia sido vendido aos milhões na época do lançamento do jogo. só que uma pequena modificação de hardware foi introduzida no computador (em 1983) pouco depois que meu jogo foi lançado. A mudança fazia com que o som não funcionasse. Tive então de achar um Commodore 64 feito em 1982. Mas descobri que todos os joysticks que pude encontrar só funcionavam com a versão posterior. Em certo ponto finalmente consegui a combinação apropriada do trio, computador, joystick e cartucho. Mas descobri que não tinha uma interface de vídeo que funcionasse. Todo esse trabalho para fazer funcionar uma máquina cujo sistema de operação era em ROM e estava disponível na época em milhões de unidades!
Depois de meses de tentativas, Lanier desistiu.
E não é só isso. Outras observações hoje óbvias mas interessantes de Brand caso você ainda não tenha se dado conta:
A armazenagem digital é fácil; a preservação digital é que é difícil. Preservar significa manter a informação catalogada, acessível e passível de utilização em equipamentos atuais, o que requer despesas e esforços constantes. “Na época em que era difícil copiar informações, as pessoas valorizavam as cópias e cuidavam delas”, diz Danny Hilllis. “Agora, as cópias são tão comuns que deixaram de ser valorizadas.”
Pense nos álbuns completos em mp3 de sua banda preferida que você guarda em seu mp3 player e em quantas vezes você os ouviu ou mesmo se os ouviu. Pense nos álbuns completos de bandas de que você nunca ouviu falar direito e nunca ouvirá e que, ainda assim, você guarda.
Pense, então, nas cópias de livros feitas uma a uma, lentamente, pelos monges beneditinos.










