Debate sobre pirataria de livros continua
13 de agosto de 2008 | Publicado na Categoria mercado editorial | 6 Comentários »E, no artigo que discute se o download de livros é crime ou não, o debate continua.
A mais recente opinião foi do leitor ANG. Leia um trecho:
Se a lei nacional confere-me direito à cultura e educação e não me dá os meios para isso, então eu preciso fazer valer o meu direito sem lesar niguém: não roubo uma edição do livro, nem compro uma pirata, pois eu quero as idéias, o ensino, por isso a cópia. O que eu não terei é o mesmo suporte que o livro dá: papel mais caro e duradouro, encadernação e impressão mais resistentes ao tempo do que xerox e e-book.
Provavelmente ainda há muito o que falar sobre isso. Até o momento, a indústria editorial esteve bem protegida das mudanças que atingiram a música e até mesmo o cinema.
Afinal, não é tão fácil copiar um livro como transformar uma faixa de um CD em um arquivo mp3, por exemplo.
É fácil. Mas não tão fácil.
Porém, depois de copiado, propagá-lo na rede é a coisa mais simples.
Assim, ao que parece, as coisas vão começar a mudar tão logo os ebooks se estabeleçam e, então, surja um novo tipo de leitor.
O modelo de negócio das editoras – que já não é aquelas coisas – terá que ser repensado.

Alessandro, deixei esse comentário no post original:
“Lucro direto ou indireto não se refere somente a dinheiro em espécie; se você não compra um livro mas baixa de graça na internet sem dar nenhum retorno ao autor, está lucrando diretamente: você não pagou pelo trabalho do escritor.
A questão não é muito simples nem nunca o será, porque trabalho intelectual é como serviço de casa: só aparece quando ninguém faz. Cultura é direito de todos, mas não nasce por geração espontânea. Alguém gasta horas do seu dia, dias da sua vida produzindo-a. E como todo ser humano precisa comer, deve tirar da atividade intelectual o seu sustento. Autores, em sua maioria (excetuando-se as JK Rowlings da vida), não fecham acordos de merchandising. Você não compra Melissinha “Sargento Getúlio” ou lancheira do Cristóvão Tezza.
Acredito que, antes de usar o argumento que cultura é para todos (sim, é para todos) devemos lembrar que sobreviver com dignidade também o é – incluindo-se aí os escritores.”
E concordo com você: não apenas o mercado editorial deverá ser repensado (investindo-se, por exemplo, cada vez mais nas chamadas edições de bolso, absurdamente mais baratas e mais acessíveis) como o modelo de remuneração dos autores, designers e ilustradores deve ser repensado – principalmente para livros infanto-juvenis.
O mercado deve acordar e ver que subsídios e “chutômetro” na hora de determinar o preço de um livro não cabem mais hoje em dia.
Bjs
Estou entre aqueles que não empolga muito com a leitura de livros num monitor, mas as cópias em xerox foram uma realidade na minha vida universitária.
Em quatro anos comprei dois livros. O restante das leituras foram em xerox.
Minha opinião é que os ebooks ao contrário de prejudicar os autores são uma tremenda ferramenta de marketing, que o diga Paulo Coelho que aumentou muito a divulgação dos seus livros no exterior ao “piratear” as próprias obras.
Os ebooks apesar de práticos não substituem o prazer “táctil”‘ da leitura, não substitui o apelo de uma biblioteca repleta de livros com suas capas coloridas ali à disposição.
Enquanto não desenvolvida uma tecnologia que consiga substituir o livro em papel duvido que os livros digitais se tornem ameaça aos livros como os conhecemos.
Como alguns sabem, participo de alguns espaços que se dedicam à divulgação dos ebooks e neles a opinião unânime é que é bom ter o ebook, mas é muito melhor possuir a versão física dele.
Outro ponto a ser colocado e que as editoras não mencionam ao discutir o assunto é que atualmente elas ditam o que o leitor deve consumir.
Os ebooks democratizam a leitura ao permitir o acesso a traduções de qualidade de autores consagrados no exterior mas que não tem suas obras traduzidas e publicadas no Brasil. Ou ainda a permitir o acesso a livros esgotados e que não republicados, quem discorda tente encontrar por exemplo “O Poder do Mito” de Joseph Campbel para comprar, por exemplo.
Bem… essas são apenas algumas colocações para incentivar ainda mais essa discussão que tende a se estender ainda por muito tempo.
Caro Lancelot;
Paulo Coelho é uma exceção. Para o escritor que tem uma obra sólida mas não é best seller, cópia pirata de seus livros sempre dará prejuízo. Ele demora em média, para vender uma tiragem de 3 mil exemplares, cerca de três anos.
Acredito que o mercado deva sentar e discutir cada caso. Antes de trabalhar com livros fiz primeiro faculdade de biologia e os livros, caríssimos, tornavam-se obsoletos e ultrapassados a cada congresso – ou seja, de um ano para o outro. Livros de R$ 400 jogados no lixo.
Dizer que as editoras ditam o que o leitor deve consumir é como dizer que determinado supermercado dita o que você vai comer. Mesmo as editoras que baseiam seu catálogo em best sellers lançam pequenas obras-primas – para citar duas somente da Rocco, “Corpos em movimento”, de Mary Anne Mohanraj, e “A jogadora de go”, de Shan Sa (a tradução de Adriana Lisboa é de uma preciosidade absolutamente impressionante).
Na verdade, quem dita o que vende ou não no mercado não são as editoras, e sim a mídia. Lembro-me que, ao mandar um determinado livro de um novo autor (considerado por acadêmicos um novo Scott Fitzgerald) a uma revista semanal de grande circulação, o editor de cultura me disse que eles estavam dando leituras mais centradas no hoje, com uma “levada mais”pop”. Na semana seguinte, deram José Lins do Rêgo – você sabia que Zé Lins tinha uma “levada mais pop”? Eu não. O livro em questão não vendeu quase nada – ficou na primeira tiragem. Mesmo que o segundo livro do autor tenha sido constrangedor, digo que ele lavou a alma em sua obra de estréia.
Já leu o “Livro dos desmandamentos”, de Carlos Trigueiro? É de longe o mais cruel, afiado e refinado quadro do Brasil. Você leu alguma resenha sobre esse livro?
Como mais um exemplo: quantas matérias sobre literatura infanto-juvenil (excetuando-se Harry Potter) você leu ultimamente?
Como diz nosso amigo Alessandro, é uma conversa para muitos posts, muitos anos, muitos debatedores, muitos lados.
Abs
Suzana
Na minha opinião não se trata de uma opinião ou discussão, mas sim da interpretação da lei, e acredito que deram brecha para cópia sem intenção de comercializala.
Ao meu ponto de vista, se não vendo nem compro uma copia , não estou pirateando perante a lei, se faço download estou apenas desfrutando de um direito que pago, e caro por sinal no brasil (banda larga), não compro, não pago pelo download, apenas faço download dos que disponibilizam sem cobrar, e com relação ao autores que dedicam horas como outro colega falou, eu até concordo eles realmente tem o direito de cobrar suas obras impressas, mas estão prejudicados pela lei LEI No 10.695, que abre uma brecha para cópia unica, mas também temos algo mais a levar em conta, pois se formos tão rigorosos ao ponto de querer proibir a reprodução, não teriamos comunicação, pois existem varias forma de reprodução, em forma visual, escrita, de audio, então o que diriamos se um professor ensinasse tudo o que leu em um livro tecnico, ele esta pirateando o conteúdo do livro??? ou só pode ensinar se o autor lhe der uma carta de autorização?