Curitiba, cidade onde vivo, vem ganhando alguns prêmios relativos à sustentabilidade ultimamente.
Cada vez mais, considero que esses prêmios dizem mais respeito ao que a cidade já foi do que ao que ela realmente é e ao que, infelizmente, virá a ser, a julgar pelo andamento das coisas.
Vejo, por aqui, mais medidas de urbanismo sendo tomadas a favor dos carros – meio de transporte individual, caro, poluente e ineficiente – e menos aos meios de transportes coletivos e a outros ainda mais sustentáveis.
Recentemente um amigo perguntou à prefeitura, via Twitter, sobre a retirada do canteiro central da Avenida Visconde de Guarapuava. Foi respondido que há projetos que envolvem essa importante via, mas não confirmaram nada quanto a isso ainda.
Há alguns anos a Visconde já perdeu a faixa de estacionamento. A rua onde vivo, a Ubaldino do Amaral, também. E isso vem acontecendo com outras ruas da cidade.
Nessa ocasião perguntei ao então prefeito, Beto Richa, também via Twitter, sobre a possibilidade de mais ciclofaixas na cidade, faixas destinadas ao trânsito de bicicletas e outros veículos de propulsão humana. Disse-me que isso estava em estudo no órgão municipal encarregado. Nada até agora.
Finalmente, tenho outra notícia lamentável através do fórum Bicicletada Curitiba nas palavras de Yuri Schultz:
Descanse em Paz, pacata rua Dr. Goulin.
Sim, sem nenhum aviso prévio e sem nenhum tipo de consulta aos moradores da rua, a prefeitura de Curitibinário alterou na madrugada de hoje o sentido da R. Dr. Goulin, tornando-a mão única no seu principal trecho, sentido centro-bairro.
Onde está esta informação? Não sei. Nenhuma mídia ainda publicou nada e muito menos está no plano diretor da Cidade. Sou morador da rua e venho acompanhando a movimentação das últimas semanas.
Nasce mais uma via rápida para os apressados motoristas da cidade. E para piorar a situação, em alguns trechos foi pintado faixa amarela em ambos os lados da pista, condendo algumas famílias a não mais receber visitas nem serviços. E como castigo, os moradores da Dr. Goulin vão receber ainda a circulação do ônibus articulado Portão-Cabral. Vão ser mais de 20 toneladas passando pela pavimentação da rua (que não recebeu nenhum tratamento) e por cima da frágil galeria pluvial da Dr. Goulin x Schiller.
É uma vitória. Vitória dos Srs. Vereadores com cérebros binários (dois neurônios apenas) que submeteram suas proposições legislativas por diversas vezes, requerendo o binário Augusto Stresser / Dr. Goulin:
“Trata-se de melhorias que facilitaram ao fluxo de veículos que hoje estão transitando somente na rua Augusto Stresser e causam engarrafamentos constantes, face solicitações de usuários da referida rua“ dizem eles.
Melhorias para os veículos que estão causando engarrafamentos a eles mesmos? Pois bem, vamos então destruir uma estreita e pacata rua, na qual raramente se vê passar um veículo. Vamos destruir uma via utilizada pelos marginalizados ciclistas da cidade para acesso ao centro, por ser rua de pouco movimento. Sinto muito ciclistas, vão ter de procurar outro lugar. Façam um desvio, façam um caminho mais comprido para chegar ao seu objetivo… peguem ônibus, afinal… por que vocês ainda insistem tanto em andar de bicicleta? Desistam de uma vez. Curitiba não merece a insistência de vocês.
Na atrasada e subdesenvolvida cidade Européia de Copenhagen, Capital da Dinamarca, há mais de 50 anos que o trânsito é orientado com prioridade para os veículos a propulsão humana e pedestres. Estes têm acesso direto ao centro da cidade, por ciclovias e calçadas amplas e sinalizadas. Quem opta por ir de automóvel deve fazer caminhos de contorno, um pouco mais compridos mas ainda assim bem planejados. Pobres dinamarqueses, eles tem muito o que aprender sobre planejamento urbano com nossa equipe do IPPUC.
Curitiba é a cidade dos carros. Vivam os carros.









