Por que dizemos, diante de algo que nos agrada, que é interessante, bonito, lindo ou maravilhoso? Porque cada uma dessas palavras – embora todas manifestem aprovação – demonstram de maneira sutilmente diferente o que queremos dizer. Os sinônimos nunca são absolutos, senão não haveria a necessidade de uma palavra nova. As palavras têm usos e pesos diferentes, elas servem pra demonstrar de maneira mais exata os pensamentos.

Isso mostra a importância de ter um vocabulário rico. Sem conhecer palavras que expressem sutilezas, o autor não conseguirá transmitir sutilezas. Palavras diferentes evitam que um texto fique repetitivo e infantil. A dificuldade de escrever com um vocabulário limitado fica clara quando tentamos escrever numa outra língua – tudo fica reduzido a bom e ruim, sim ou não, grande ou pequeno. São as gradações que permitem a um autor mostrar as suas particularidades, que ajudam a transmitir ao leitor uma atmosfera única. Para adquirir um bom vocabulário, a fórmula mais antiga e mais eficaz é: ler.

Na linguagem falada, o peso das palavras fica misturado ao peso que colocamos nela ao falar. A palavra vem acompanhada de um tom de voz, de uma expressão facial e de um gesto. Isso permite que se possa dizer “eu te odeio” a uma pessoa sem que ela interprete que é odiada – ela pode até mesmo perceber que foi uma declaração de amor. Tudo depende de quem disse e como disse. Na linguagem escrita, isso não existe.

Por isso a importância de prestar atenção no peso das palavras quando se escreve. Vejo muita gente se queixando de que fez um comentário inocente e foi mal interpretado ou bloqueado. Aí quando você lê o que a pessoa escreveu, ela usou expressões como “ridículo”, “besteira”, “absurdo”. Não dá para usar palavras fortes e querer que elas sejam interpretadas como inocentes, só porque foi você quem disse. O outro lado pode se basear apenas no que está escrito, ele não pode saber se foi dito com doçura ou não.

A linguagem escrita é uma realidade à parte, nela não valem as mesmas regra da linguagem falada. Para evitar equívocos, vale a pena ser cuidadoso, corrigir e até mesmo ser mais gentil do que é o seu desejo no momento. Lembre-se que gentileza nunca é demais.

Sobre o autor: Caminhante Diurno

Caminhante tem casa, marido, cachorro, blogs (Caminhante Diurno e Caminhando por Fora), carteirinha da biblioteca. E não pode viver sem qualquer um deles.