Apesar das acusações, eu conheço poucos blogueiros que não gostem de boas críticas. O que eu mais vejo são críticas ruins, que agridem muito e se apegam pouco ao texto. Aí quando o comentário não aparece, ou é ignorado, ou o blogueiro responde no mesmo tom, o autor da crítica se queixa – “só fiz uma crítica à toa, não precisava reagir assim”. Antes de ter blog eu não sabia, mas o blog é meio a casa da gente. É difícil alguém chegar na sua casa partindo para a grosseria e tratar bem. A etiqueta e a vontade de ter muitos acessos mandam que se trate sempre bem os leitores, mesmo os mais agressivos, mas é difícil.

A típica crítica ruim é a que começa desqualificando o autor, chamando de idiota, ignorante, burro, etc. Alguns nem se darão ao trabalho de ler um comentário que começa desse jeito; os que resolverem seguir em frente, já o farão no pior espírito possível. Quem xinga demonstra que não sabe debater idéias. É uma reação totalmente emocional e agressiva, não há nenhum argumento ali. Provavelmente ele leu o texto, não gostou e nem ao menos tem clareza do que o desagradou. É o tipo de atitude que depõe contra quem faz, nunca contra quem recebe.

Um outro estágio disso são as generalizações do tipo “tudo o que está escrito aqui é uma bobagem”. Tudo? Desde a escolha do título, passando pelos parágrafos, o início, o argumento e a conclusão, está tudo errado? Duvido. Se fosse tão ruim assim ninguém se daria ao trabalho de ler. É uma crítica que não esclarece nada. É como alguém que joga uma pedra e sai correndo. Um texto muito errado pode ter se equivocado nos pressupostos, nos argumentos, nas informações, em muitas coisas. Seria mais proveitoso esclarecer esses pontos. Ou seja, pra criticar é preciso entender profundamente o que está escrito.

Uma crítica que chega a ser engraçada é aquela que reclama do autor do texto se dizer dono da verdade –  “essa é a sua opinião”, “você acha que tudo tem que mudar em função do que você pensa”. Claro que é uma opinião! Um texto sempre representará a opinião de quem o escreveu, opinião de quem mais ele colocaria? Não há nada de errado nisso. Como exercício intelectual, não há nenhum problema em buscar soluções difíceis, dar palpite em assuntos que não lhe dizem respeito, criticar de maneira ácida, falar do impossível. Às vezes isso ofende porque vai contra a nossa prática ou aquilo que acreditamos. Aqui vale a tolerância, a autocrítica e entender que o diferente enriquece, que pensar em outros caminhos dá mais valor às escolhas.

Uma boa crítica é aquela que se atém ao texto. É possível desmontar um texto inteiro, atacar o que ele tem de mais fundamental, e fazer isso sem um único ataque pessoal, sem um único xingamento. Um bom crítico entendeu o que está escrito da maneira como está escrito, e não de maneira tão apaixonada que julgue ver o que não existe. Ele vê o que tem de errado e sabe colocar isso em palavras. Acima de tudo: ele respeita o outro e o sua tentativa ao escrever. Comentários assim enriquecem a própria postagem. Se bem feita, uma crítica pode levar o outro a mudar de posição –  o que nunca acontece com ofensas, nem que seja apenas para não dar o braço a torcer. Escrever é um exercício de levantar questões, e gerar questões ainda melhores é muito satisfatório.

Sobre o autor: Caminhante Diurno

Caminhante tem casa, marido, cachorro, blogs (Caminhante Diurno e Caminhando por Fora), carteirinha da biblioteca. E não pode viver sem qualquer um deles.