Crítícos literários costumam ter um jeito engraçado de se expressar que nos faz pensar sobre que tipos de pancada alguém pode levar na cabeça e sobreviver.

Na verdade, eles estão sendo apenas delicados. Os críticos literários usam eufemismos para manter alguma categoria e dizer, sem perder a elegância, aquelas coisas gentis e repletas de candura que os motoristas dizem uns aos outros quando recebem uma fechada.

Assim, caso um dia alguém viesse a ler o que escrevem, ninguém ficaria chocado.

A maioria dos críticos, no entanto, nem sabe bem sobre o que está falando e escreveria da mesma forma para detalhar o que sentiram quando estiveram na seção de louças de uma loja de material de construção. Como se sabe, boa parte da literatura produzida hoje poderia ter como destino o encanamento e, assim, é fácil confundir as duas coisas.

O blog Já Matei Por Menos publicou uma lista de termos comumente usados por críticos literários traduzidos para a linguagem de pessoas tão normais como você ou eu (o que, definitivamente, não é um bom parâmetro de normalidade, mas vá lá).

A ideia foi de Janice Harayda, do blog One-Minute Book Reviews (mais aqui), e divulgada por aqui pelo blog Não Me Culpem Pelo Aspecto Sinistro:

“Novela” = conto com letra grande, segundo o diretor de publicidade da Simon & Schuster Larry Hughes
“Épico”
= longo demais, segundo a escritora Sheila O’Flanagan
“Lírico”
= não acontece muita coisa, segundo o editor da Bloomsbury Press Peter Ginna
“Aclamado”
= vendeu pouco, segundo o editor da Bloomsbury Press Peter Ginna
“Erótico”
= pornográfico, segundo o editor da Bloomsbury Press Peter Ginna
“Emotivo”
= o personagem principal é um cachorro, um homem velho ou os dois, segundo a poeta e colunista do The Nation Katha Pollitt
“Capta o tempo em que vivemos”
= capta o tempo em que vivíamos dois anos atrás, segundo o crítico Mark Athitakis
“Estreia promissora”
= muitos erros, mas nada ruim demais, segundo o crítico Mark Athitakis
“Voz de uma geração”
= datado, segundo o escritor Mark Kohut

A lista em inglês é muito maior e pode ser vista no blog de Janice Harayda, cujos links estão acima.

Sobre o autor: Alessandro Martins

Sou o editor deste blog. Trabalhei como jornalista em Curitiba de 1995 a 2008, quando fui demitido e passei a me dedicar a escrever apenas na internet, em blogs e mídias sociais. Agora estou publicando minha newsletter que tem milhares de leitores: assine!