O video acima descreve como a Holanda se tornou uma país referência em ciclovias e bicicletas. Quem olha para o país hoje acredita que sempre foi assim. Que sempre existiram ciclitas e ciclovias no pais.

Não é bem assim. O país já possuia uma história com as bicicletas, contudo, na decada de 1970 as bicicletas e pedrestres haviam perdido completamente seu espaço para os carros. A crise do petróleo em 1973 foi o fator mais forte que levou o país a buscar alternativas de transporte.

O governo encontrou a solução nas bicicletas e passou a construir ciclovias largas e integradas, de forma a proporcionar segurança e conforto aos ciclitas. O número de ciclistas subiu rapidamente conforme as ciclovias eram implementadas, tornando-se uma politica efetiva de fazer com que as pessoas aderissem a uma nova forma de transporte.

Criaram-se ciclovias, e então os ciclitas apareceram.

O mesmo pode acontecer com as bibliotecas ou espaços para leitura. Tornando os livros disponíveis as pessoas passarão a ler mais. É preciso que se tenha acesso a livros para que a prática de leitura se torne possível.

Um texto publicado no blog Caminhante Diurno tornou ainda mais forte essa minha idéia. No texto a autora relata uma passagem dela pela Padaria Pote de Mel, onde fica a Bibliopote, local em que se depara com a seguinte cena:

Planejei chegar na Biblipote e aproveitar que é uma padaria pra pedir um suco de laranja. Com muito gelo, o que era especialmente importante. Quando finalmente cheguei lá, derretendo, ela estava tão cheia de gente que mal dava para entrar. “A biblioteca do Alessandro é mesmo um sucesso”, me espantei. Dei os livros pra mocinha do caixa e fui embora, porque até na escadaria tinha gente sentada.

Torne os livros disponíveis para as pessoas que elas lerão.

Sobre o autor: Marcela Ortolan

Andarilha convicta, leitora apaixonada, behaviorista radical. Acredita que o mundo é grande demais para que apenas uma arte tenha o seu monopólio.