Estava pesquisando a origem da literatura de cordel para entender um pouco mais sobre o processo criativo do que parece ser uma resposta concretista da fala do povo. Digo isso porque, tirando a parte da linguagem musical que ela representa – em prosa, verso ou imagem, há sempre, como em outros estilos (literários ou musicais) uma linguagem de denúncia, anseios e dramas pessoais.
Tecnicamente falando cordel é
um gênero literário popular escrito frequentemente na forma rimada, originado em relatos orais e depois impresso em folhetos. Remonta ao século XVI, quando o Renascimento popularizou a impressão de relatos orais, e mantém-se uma forma literária popular no Brasil. O nome tem origem na forma como tradicionalmente os folhetos eram expostos para venda, pendurados em cordas, cordéis ou barbantes em Portugal. No Nordeste do Brasil o nome foi herdado, mas a tradição do barbante não se perpetuou: o folheto brasileiro pode ou não estar exposto em barbantes. Alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, também usadas nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos.
Agora, pensar nos livretos repletos de xilogravuras, dependurados nas cordas (razão pela qual a palavra “cordel”), já não é uma imagem tão tradicional. Com a digitalização de acervos, medida protetiva, muitos livretos são vistos e pesquisados apenas remotamente, no formato digital.
A Fundação Casa de Rui Barbosa tem apresentado um trabalho criterioso de pesquisa bibliográfica, organização de acervo e preservação. São cerca de 8 mil exemplares, englobando coleções de toda a América Latina.
Não deixe de valorizar a cultura popular, escritores famosos como Ariano Suassuna, José Lins do Rêgo e Guimarães Rosa, entre outros de igual valor, beberam nessa fonte da sabedoria popular que, muitas vezes, trazem verdadeiras releituras shakespearianas.
- Visite a Academia Brasileira de Cordel;
- Visite a Biblioteca do Congresso Nacional;
- Visite a Fundação Joaquim Nabuco.











