Quando se fala em literatura para ser trabalhada com crianças, normalmente, surge a narrativa como matéria-prima principal e, mais comumente dentro dela, o conto. No entanto, perde-se muito em riqueza de estilo, imaginação e criatividade por não se trabalhar outros estilos.

Claro, convém, antes de ser trabalhado o texto, observar critérios de interesse, contexto, maturidade dos alunos. Trabalhar com um texto, não é impor, longe disso.

Mesmo assim, para trabalhar com o gênero da narrativa e com o intuito de mapear o estilo, podem ser observados alguns pontos de referência que propiciam uma escolha mais consciente do texto:

Gêneros da Literatura Infantil – Narrativa

 Quanto à estrutura:

Narrativa:

  1. Mito - atemporal, explica o gênese de forma não racional;
  2. Lenda -  tem base histórica. Idealização e exageração da realidade. Criação coletiva do povo;
  3. Fábula – texto curto em que, geralmente, animais falam. Traz uma moral ao final;
  4. Apólogo – semelhante à fábula, mas diferem em razão das personagens serem objetos inanimados;
  5. Conto – narrativa curta e sintética, ação única, conjunto restrito de personagens, pouco acontecimentos;
  6. Crônica – texto narrativo curto, trata de assuntos do cotidiano, senso de observação. Tratamento lírico. Cria um identificação imediata com o leitor. Efemeridade.
  7. Novela – Várias ações simultâneas. Desenvolvimento linear da narrativa. Grande número de personagens. Repetição e previsibilidade. Picos de suspense.

 Quanto à temática:

A abordagem é que é o toque especial quanto ao público infantil, assim, são os temas que mais vão prender a atenção:

  1. Cotidiano;
  2. Aventura;
  3. Sentimentos infantis.

Quanto aos personagens:

A reflexão do pensamento da criança diante desses temas será primária, levada a efeito pela fantasia.

  1. Fadas;
  2. Animais;
  3. Crianças;
  4. Jovens;
  5. Adultos;
  6. Extraterrestres;
  7. Bruxas;
  8. Símbolos e alegorias;
  9. Plantas;
  10. Elementos da natureza;
  11. Idosos.

 Quanto aos efeitos:

  1. Suspense – gera ansiedade e expectativa;
  2. Humor;
  3. Terror;
  4. Lirismo;
  5. Conhecimento;
  6. Ludismo – pintar, desenhar, recortar, montar, cenários e personagens, maquetes;
  7. Afeto.

Um alerta: um texto antes de ser trabalhado, além do exercício de mapeá-lo, adequá-lo e contextualizá-lo merece ser lido muitas vezes. O mediador deve sentir o texto, percebê-lo, pesquisá-lo antes de passá-lo adiante. Leitura é paixão e ninguém transmite paixão sem estar embebido por ela.

Oportunamente, trarei o mapa de outros gêneros que podem ser explorados.

Por enquanto, sugiro:

Para trabalhar a narrativa com crianças, observar:

  1. Movimentação constante: a atenção da criança se dispersa facilmente;
  2. Evitar digressões longas;
  3. Optar pelo discurso direto ou discurso indireto livre (aquele que usa o leitor como interlocutor dentro do diálogo proposto);
  4. Buscar personagens planas sem grande complexidade;
  5. Escolher narrativa linear com tempo cronológico (não psicológico);
  6. Dar preferência a desfechos felizes: a criança vive a história, identifica-se com personagens. Isso não é taxativo, há grandes obras que acabam mal, como por exemplo Platero e Eu, por isso, é sempre bom contextualizar quando as coisas não acabam bem, passando a mensagem de que não é sempre assim.

Aprofunde-se mais em

COSTA, Marta Morais da, Metodologia do ensino da literatura infantil, Curitiba: Ibpex, 2007.

CUNHA, Maria Antonieta Antunes, Literatura infantil Teoria e Prática, São Paulo: Editora Ática, 18ed, 1999.

Crédito da imagem

Sobre o autor: Roberta Fraga

Crio seres imaginários, escrevo contos, costuro histórias.