Conheça os bastidores da censura musical no Brasil
10 de julho de 2007 | Publicado na Categoria Livros e afins | 5 Comentários »É a um só tempo curioso, emocionante, engraçado e triste ver os documentos contidos e disponíveis em PDF no site Censura Musical.
Acabei de receber o convite do jornalista André Rocha para visitar o site por ele desenvolvido ao lado dos colegas Gabriel Pelosi e Lucas Mota:
… onde estão disponíveis documentos do período de censura no Brasil. Também estão publicadas entrevistas com cantores, compositores e depoimentos inéditos de uma ex-técnica de censura que relata o cotidiano da DCDP (Divisão de Censura de iversão Públicas).
O site, que nasceu de um trabalho de graduação traz fac-símiles de documentos originais da censura tais como:
- Censura à música Tradição, de Gilberto Gil, em que o censor pede atenção às palavras “barbalho” e “porrada” e à expressão “arranjada de contrabando”.
- Censura à música Tanto Mar, de Chico Buarque, com os pareceres da censora. O documento tem ainda uma segunda parte.
- A explicação de Odair José sobre a polêmica – para a época – Pare de Tomar a Pílula. No final, o censor se deixa convencer.
- O supra-sumo da paranóia censora em um documento que supõe a existência de uma entidade que incentiva a produção de músicas de protesto na América Latina.
Não deixe de ver também a carta em que Chico Buarque tenta acalmar os ânimos de um dono de boate, preocupado com o fato de que algumas das músicas a serem tocadas em um espetáculo tinham problemas com a censura.
Registro também que fico feliz com o fato de cada vez mais este blog ser procurado para a divulgação de novos projetos como o desses três amigos que, dizem, devem fazer constantes atualizações ao Censura Musical.
Recentemente, tive o prazer de divulgar o site LeituraDiária e o Rafael, seu criador e desenvolvedor, contou-me que apenas no dia em que o artigo foi publicado 80 novas inscrições foram feitas.

Olá Alessandro…
É vergonhoso o passado de censura… o pior é que quem fazia música nesta época foi educada em outra, em que a criatividade, a critica ainda eram saberes valorizados na educação. O duro somos nós (pelo menos digo por mim) herdeiros da educação da ditadura que não temos nem criatividade para fazer uma música desta, nem interpretação de texto desenvolvida para compreende-las.
Esses tempos o Chico Buarque, em uma entrevista, explicava como eles faziam as músicas já preparadas para a censura. Segundo ele tinha uma “gordura” na música para que fosse cortada mesmo. Interessante, não?
Beijos
Ale,
Adorei esse site. Só senti falta de documentos censores do Taiguara, que foi – aliás – o artista com mais músicas censuradas no país.
e, se a gente pára pra pensar, não faz muito tempo… eu já tive um disco riscado qdo era pequena. e me lembro até hoje daquelas telas que passavam na tv antes dos programas…
e minha mãe quase foi presa…
maga, sempre prensei muito nisso que vc falou. acho que estamos ainda numa fase de se fazer qualquer coisa mesmo. sabe o efeito da mola? depois que a gente aperta e solta? o foda é que o “fazer qualquer coisa” pegou na educação também. sem educação, não adianta liberdade nenhuma. aliás, falta de educação nunca foi liberdade. as prisões hoje são outras…
Fantástico este site, valeu Ale! Trata-se de um assunto de suma importância e que jamais deve ser esquecido. Parabéns aos jornalistas André, Gabriel e Lucas…e ao Ale, sempre antenado com notícias relevantes.
Valeu!
bj!