Tenho amigos que preferem a compra de livros usados. Tenho outros que diferenciam o cheiro de livros usados e o cheiro de livros novos. Os que preferem os livros usados usam, além do argumento do preço, mais em conta, a questão de o livro já ter passado pelas mãos de outra ou outras pessoas e que, portanto, teria já uma história de vida.

Tanto melhor se vierem rabiscados e cheios de anotações.

Comprar livros usados é uma espécie de estilo de vida do leitor. Há quem não bote os pés em uma livraria comum e prefira as livrarias de livros usados, muito mais conhecidas no Brasil como sebos. Em Portugal, os livreiros de livros de segunda mão são chamados de alfarrabistas.

Lembro a primeira vez que meu pai me levou a um sebo, aqui em Curitiba. Foi no sebo chamado de Feira de Livros Usados. Não era uma feira, naturalmente. O estabelecimento era um corredor largo o suficiente apenas para uma prateleira de cada lado e uma prateleira central e longo o suficiente para abrigar muitos livros, organizados daquela maneira caótica e ordenada a um só tempo que só os sebos têm e que faz a delícia daqueles que gostam de garimpar e procurar o que nem sabem o que estão procurando. Aliás, essa é uma característica dos frequentadores de sebo: não saber bem o que se está procurando.

compra de livros usados

Você nunca sabe com o que vai sair quando entra em um sebo. De repente, pode descobrir um interesse pela história da Corrida Espacial ou, simplesmente, descobrir uma súbita vocação para advogado e sair de lá com livros de direito.

A venda de livros usados também é algo totalmente diferente. Se a figura do livreiro vem desaparecendo das livrarias, aquele sujeito que realmente conhecia seu produdo em toda sua infinita variedade e conhecia seus clientes a ponto de sabrer o que indicar sem medo de errar, a venda de livros usados exige alguém com um nível de conhecimento similar ou maior. Um sebo sem um conhecedor de livros por detrás do balcão simplesmente não tem alma.

Desde aquela época em que meu pai me apresentou para o universo dos sebos (eu pensava que só havia aquela loja em Curitiba), muitas outras lojas de livros usados surgiram na cidade.

E, mais recentemente (já não tão recentemente assim), surgiu a possibilidade de comprar livros online. Nesse quesito, não costumo ter dúvidas. Se não se trata de um lançamento procuro a Estante Virtual, que reúne sebos de todo o Brasil. Mesmo com o preço de um eventual frete, sai muito mais em conta. Além disso existe a possibilidade de encontrar livros antigos, fora de catálogo, raros ou aqueles que as livrarias que preferem vender só os livros mais lidos não têm.

Além disso, você não vai precisar soletrar o nome do seu autor preferido para o vendedor na hora de ele consultar no terminal da livraria. O sistema de busca do site é ótimo.

Sobre o autor: Alessandro Martins

Sou o editor deste blog. Trabalhei como jornalista em Curitiba de 1995 a 2008, quando fui demitido e passei a me dedicar a escrever apenas na internet, em blogs e mídias sociais. Agora estou publicando minha newsletter que tem milhares de leitores: assine!