O processo de criação  de  um artista costuma despertar grande curiosidade por parte dos que admiram o seu trabalho.

Fãs adoram esquadrinhar a vida de seus autores prediletos para entender de onde vêm aquelas maravilhas que significam tanto para eles.

Gênios tem seus cérebros medidos e dissecados, seus originais publicados, seus rascunhos emoldurados, suas referências revisitadas.

Queremos saber o que é criar parar um artista. Como cria um gênio? Acreditamos que, ao descobrir seus métodos, poderemos ser iguais a eles.

Isso fez com que grandes pensadores se dedicassem a esse tema.

Skinner, um importante psicólogo e pesquisador americano, compara o processo de criação de um poema a uma mãe dando a luz em sua palestra “Having a Poem” (cujo título pode ser traduzido como “concebendo um poema”). Destaco uma das conclusões do texto acerca do comportamento que consideramos original:

Por meio da análise das histórias genéticas e individuais responsáveis pelo nosso comportamento, poderemos aprender como podemos ser mais originais. Isso não consiste em pensar em novas formas de comportamento, mas em como criar um ambiente em que estas novas formas sejam mais prováveis de acontecer. (tradução livre)

É por isso que queremos saber como um poeta cria. Mais do que admirar a genialidade de um autor, o que  torna interessante o processo de criação é poder recriar esse ambiente em que o comportamento genial ocorre. Nas palavras de Skinner:

Nós podemos construir um mundo em que cada homem e cada mulher poderá ser um poeta melhor, um melhor artista, um melhor compositor, um melhor romancista, um melhor estudioso, um bom cientista – em uma palavra, pessoas melhores. Assim, poderemos em pouco tempo ter um mundo melhor.

Skinner foi taxado de utópico porque acreditava que o mundo poderia ser melhor com ajuda de um profundo conhecimento do comportamento humano produzido por uma ciência do comportamento. E esses estudos incluíam as atividades artísticas e criatiavas.

Felizmente alguns autores nos descreveram os seus processos de criação. Drummond, por exemplo, falou sobre a necessidade de ter paciência em seu poema A Procura da Poesia.

Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.

Fernando Sabino, no livro O Tabuleiro de Damas, nos brinda com a descrição de um  dos princípios que norteiam o seu trabalho.

Acredito que escrever seja, basicamente, cortar. Cortar o supérfluo. Eliminar repetições, ecos, rimas, cacófatos, redundâncias, lugares-comuns. Mas principalmente o excesso: como diz Otto (ou Unamuno, não me lembro), é preciso não duvidar da inteligência do leitor. (…)

Benett, no post Um Monte de Idéias, fala da quantidade de rascunhos que muitas vezes são necessários para que ele consiga desenhar e escrever uma única charge. O post é ilustrado com alguns dos seus rascunhos.

O processo de criação envolve uma série de fatores ainda não completamente descritos.

Seu conhecimento talvez possa trazer benefícios a produção artística humana.

O que você acha?

Quais são os caminhos da sua própria criação?

Sobre o autor: Marcela Ortolan

Andarilha convicta, leitora apaixonada, behaviorista radical. Acredita que o mundo é grande demais para que apenas uma arte tenha o seu monopólio.