Volta e meia algum amigo (todos homens) diz que estou ficando “noiada” com esse “negócio de feminismo”. Tento ser educada sempre e, se passar dos limites e magoar alguém, gostaria de ser corrigida. Contudo percebo que a reclamação deles é mais no sentido de: você me incomoda porque eu sou assim, não quero mudar e não acho a sua luta pertinente.

Para mim dói muito ter que ouvir isso de pessoas que gosto, até porque não vou abandonar este discurso – pelo menos enquanto ele for necessário. E sinto que ainda é absolutamente necessário falar sobre o tema.

Hoje mesmo li um texto aparentemente inocente com um discurso muito machista. Foi um conhecido que escreveu. A culpa não é dele, é da sociedade que o fez pensar daquela forma. Não vou lá xinga-lo de machista (até porque quem disse que eu não sou?). Entretanto, o texto me fez pensar sobre o porque ainda é preciso lutar.

Também hoje, no site Hypeness, me deparei com o link dessa campanha maravilhosa da ONU que evidencia como o nosso machismo acaba transparecendo nas buscas do Google. Muito interessante. Pena que o site só traduziu a parte dos cartazes em que aparece o texto machista do Google e esqueceu de traduzir o texto da ONU em prol das mulheres, que fica logo abaixo nos cartazes. As mensagens que não foram traduzidas são todas importantes, então as traduzo abaixo:

– as mulheres deveriam ter o direito de fazer as suas próprias decisões;
– as mulheres não deveriam mais sofrer discriminação;
– as mulheres não podem aceitar as coisas como elas são;
– as mulheres deveriam ser vistas como iguais.

"Mulheres precisam ser vistas como iguais." Esta é a maior luta do feminismo.

“Mulheres precisam ser vistas como iguais.” Esta é a maior luta do feminismo.

Vale o click.

***

Nessa mesma sintonia, um amigo meu, o psicólogo Junio Rezende, indicou o texto Molho Shoyu para reflexão sobre estes preconceitos que carregamos conosco e dos quais não nos damos conta. Excelente texto, curto e direto.

***

Ah, sim. Também tenho amigos (homens e mulheres) maravilhosos que me apoiam e ajudam a crescer como ser humano e feminista. A estes o meu mais sincero obrigada.

Sobre o autor: Marcela Ortolan

Andarilha convicta, leitora apaixonada, behaviorista radical. Acredita que o mundo é grande demais para que apenas uma arte tenha o seu monopólio.