Comecei a ler Como Me Tornei Estúpido, de Martin Page.
É a história de um jovem de 25 anos que decide fazer algo com sua inteligência, uma vez que ela lhe causa muito sofrimento e, ao mesmo tempo, não é uma doença socialmente aceita.
Na parte em que estou, ele tentou a bebida – sem sucesso – e pensa agora em suicídio enquanto ouve seus tios problemáticos e hipocondríacos e se recupera de um coma alcóolico causado por meio copo de cerveja.
Como você pode ver, o tom é cômico e crítico. Estou gostando.
Há um trecho em que o autor conta como o personagem, Antoine, fez a sua biblioteca:
(…) por não ter dinheiro suficiente para adquirir todos os livros que desejava e tendo observado a acuidade dos guardas-noturnos e a sensibilidade dos aparelhos de segurança das megalivrarias, roubava os livros página por página e reconstituía-os no seu apartamento, como um editor clandestino. Sendo obtida por delito, cada página adquiria um valor simbólico muito maior do que teria se estivesse colada e perdida entre os seus pares; destacada de um livro, furtada, e depois pacientemente reunida tornava-se sagrada. A biblioteca de Antoine contava, assim, com uma vintena de livros reconstituídos na sua preciosa edição particular.
Certamente, mais valeria ir o mesmo número de vezes que ele foi às livrarias e ler cada uma das páginas um pouco por vez, em vez de arrancá-las e reuni-las depois. Iria poupá-lo do risco e do desconforto e, ainda, da necessidade de um espaço para armazenar a biblioteca.
Mas como diz o título, trata-se de um personagem rumo a sua tão sonhada estupidez.








