Isso mesmo. Livros me ajudaram a praticar atividade física. E não estou falando de livros de auto-ajuda. Tampouco, utilizei livros como halteres parar fazer exercícios.

Quem já freqüentou uma academia de ginástica sabe que esses espaços podem se tornar monótonos rapidamente.

Agora imagine receber a seguinte sentença: você vai ter de fazer musculação para o resto da vida.

Foi o que aconteceu comigo.

Obediente ás orientações médicas, passei a freqüentar uma academia próxima a minha casa. Logo percebi que musculação não é das coisas mais divertidas que alguém pode fazer com o seu tempo.

(Veja que não era um problema de sedentárismo, nunca fui sedentária, só preferia fazer um exercício ao ar livre e que deixasse meus pensamentos livres para pensar em outras coisas.)

Aliado a musculação a instrutora resolveu que eu deveria fazer meia hora de bicicleta ergométrica.

Foi o golpe de misericórdia.

Aquilo era uma tortura! Ficava meia hora encarando o crônometro com seus lentos números vermelhos e torcendo para o tempo passar logo.

No dia em que sonhei com o crônometro da bicicleta decidi que precisava fazer algo urgentemente, afinal, aquilo era enlouquecedor.

A medida foi drástica: passei a levar livros para ler durante o tempo em que ficava na bicicleta.

(Veja: eu adoro ler. Estava juntando uma atividade muito prazeirosa com outra que eu precisava aprender a gostar. Estava fazendo o que em psicologia chamamos de emparalhamento.)

Drástica do ponto de vista dos meus colegas e instrutores de academia que no começo estranhavam e faziam brincadeiras sobre o meu hábito pouco comum. Mas em pouco tempo alguns deles também passaram a levar livros e revistas para ler enquanto pedalavam. De brinde ainda fiz vários amigos por causa dos livros o que ajudou a tornar a academia um ambiente bem mais agradável.

Drástica do ponto de vista do exercício. O que antes parecia uma prática torturante passou a ser recheada de risadas, idéias interessantes, aprendizados e muito prazer – entre outras coisas que um livro pode oferecer para quem se arrisca a desbravá-lo.

É verdade que aconteceram alguns problemas. Ás vezes o livro estava tão interessante que acabava pedalando muito mais tempo do que o previsto (acontecia quase todos os dias). Outra cena relativamente comum era cair na gargalhada com algum livro e ter de parar de pedalar até recuperar o folêgo.

E ainda haviam os treinos de hipertrofia da musculação. Esses treinos possuiam intervalos de três minutos entre um exercicío e outro e para eles separei livros com histórias curtas, como os livros do Mário Quintana e o Crônicas de Amor Rasgado da Marina Colasanti – para citar dois bons exemplos.

Resultados? Os melhores!

Só no primeiro ano foram 50 livros lidos. De Darwin a João Ubaldo Ribeiro li de tudo enquanto pedalava.

Já conto 5 anos de agradável musculação diária e afins. E o joelho vai bem, obrigada.

Agradeço à literatura, que é a minha melhor treinadora.

Sobre o autor: Marcela Ortolan

Andarilha convicta, leitora apaixonada, behaviorista radical. Acredita que o mundo é grande demais para que apenas uma arte tenha o seu monopólio.