Ontem fiquei 35 minutos na fila da agência 4012 do Banco Itaú, próxima à reitoria da UFPR, aqui em Curitiba.
Isso porque o Internet Banking da Caixa Econômica Federal ficou sem funcionar durante umas 24 horas e tive que pagar uma conta – assim atrasada – na boca do caixa.
Se não me engano existem leis que não permitem filas mais demoradas que 20 minutos. Mas 35 minutos, parece mesquinho de minha parte, mas não é: poderia ser ainda mais tempo. A questão é o pouco caso.
O problema da fila só foi solucionado depois de uma outra fila no balcão do responsável, formada por pessoas pedindo exatamente a mesma coisa: um funcionário a mais nos caixas, além do que fazia o atendimento preferencial e do que fazia o atendimento comum.
A mãe de alguém morreu, disse o responsável – que não culpo de todo -, e estavam desfalcados.
Essas coisas acontecem e são tristes, mas – diferente do que a publicidade quer nos fazer pensar – um banco não tem sentimentos. Os atores da propaganda nunca aparecem em filas ou falam de juros compostos.
Assim é de se supor que uma empresa que lucra mais de R$ 1.000.000.000,00 (faço questão de colocar toda a fila de zeros) por trimestre esteja preparado para esse tipo de eventualidade.
Como não está, só posso supor que aquelas pessoas que estavam naquela fila não são importantes de verdade, mas sim as pessoas que estão fora dela. Mas alguém ainda é ingênuo o suficiente para acreditar em algo diferente disso?
Supermercados
O fato é que tenho notado – e quanto maior a empresa mais evidente isso fica – que o tratamento dado aos clientes in loco, pessoas sem acesso a internet, digamos, está cada vez pior e os ambientes cada vez menos humanos.
Isso fica muito claro nos supermercados. Tenho sentido uma distorção emocional cada vez que entro num desses ambientes, onde aquelas embalagens coloridas todas se empilham. De repente, sinto-me em um quadro de Bosch.
É uma espécie de pesadelo em que as pessoas são tratadas como gado – empregados inclusive -, empilhadas como os mesmos produtos que depositam em seus carrinhos, como se se transformassem e nem se dessem conta disso, ficassem mais feias de propósito e por propósito alheio.
Uma amiga que entrevistou um especialista em layouts de supermercado contou-me que a gôndola antes dos caixas é carinhosamente chamada de “golpe de misericórdia”. Não à toa: gastou-se o que se podia e não podia (tudo o que nossos pais não puderam comprar para nós) e o comércio ainda faz questão de dizer que ainda precisamos de mais alguma coisa.
Um chocolate para ficarmos mais gordos e uma revista para lembrar que somos bisonhos e que precisamos emagrecer usando a nova dieta da moda (perca cinco quilos amputando um membro?).
Consumir pequenas coisas por impulso é um paliativo irresitível para a ansiedade provocada por filas mais ou menos lentas, mais ou menos rápidas.
O quadro de Bosch de que falo é este abaixo, Cruz às Costas. Tire o Cristo, acrescente caixas, seguranças armados recolhendo o faturamento do dia e você terá a exata noção do que sinto quando estou em um supermercado.







