Aconteceu nos dias 27 a 06 de maio a I Bienal do Livro do Amazonas na cidade de Manaus. Quem já leu um livro do Milton Hatoum ou a poesia do Thiago de Mello, para citar os dois escritores amazonenses de maior projeção atualmente,  provavelmente se surpreendeu com o fato desta ser a primeira Bienal do estado. Bons escritores nós temos, interessados em literatura também. Faltava por aqui um espaço para discutir e divulgar literatura que movimentasse toda a cidade.

E a Bienal cumpriu bem o seu propósito.

Promovida pelo governo do estado como parte do projeto Mania de Ler. A Bienal apresentou o projeto ao grande público, mas não só isso. Além dos estandes de livros e dos lançamentos de obras, muitas outras atrações fizeram a alegria dos bibliófilos que por lá passaram. Foram eles:

Território Livre

Segundo o site da Bienal

O Território Livre teve por objetivo promover o intercâmbio de ideias e experiências entre o público jovem. O seu formato de arena era espaço propício para conversas com escritores e personalidades, contemplando também convidados locais, sobre os temas que são referência para este público.

O espaço ficou bem interessante com muita participação do público, com as pessoas sentadas em circulo as idéias circularam fluidamente. Uma oportunidade interessante não apenas para os adolescentes, mas também para aqueles interessados em conversar com grandes pensadores em suas áreas.

 

Livro Encenado

Foram cinco sessões, nas quais grandes atores apresentaram leituras dramatizadas de textos clássicos das mais importantes obras da literatura nacional e amazonense. Assim, Beth Goulart leu Clarice Lispector; Caio Blat leu Anibal Beça; Denise Del Vecchio leu Machado de Assis; Leonardo Vieira leu Álvaro Maia e Mel Lisboa leu Milton Hatoum. Um contato diferente que desperta o interesse de quem não leu alguma obra e trás uma nova luz para aqueles que já a leram e haviam dado a sua própria dramatização para a obra.

Floresta de Livros

De longe o espaço mais movimentado da Bienal. Quando começava uma de suas sessões que os estandes esvaziavam. Neste espaço a literatura infantil ganhou vida por meio dos contatores de histórias e atores que fizeram a alegria das crianças com muita música, fantasias e narrativas.

Tacacá Literário

É o bom e velho café literário envolto na áurea amazônica. O formato é um bate-papo com algum tema pertinente a literatura onde dois autores se encontram mediados por um terceira personalidade da cultura. O publico se manisfestou por meio de perguntas enviadas em bilhetes para os mediador.

Escritores maravilhosos, expondo idéias ricas, contando histórias tocantes e engraçadas.

Um espaço de reflexão intensa para todos. Thiago de Mello, Fábricio Carpinejar, Marina Colasanti, Affonso Romano de Sannt’Anna e Valter Hugo Mãe, foram alguns dos grandes nomes que deram consistência a goma deste Tacacá.

Se você não sabe o que é Tacacá, esse vídeo explica a riqueza desse prato. Considero que esta seja a mais surpreendente iguaria brasileira:

Balanço da I Bienal do Livro do Amazonas

A Bienal teve um bom público todos os dias, em especial nos finais de semana e no feriado, conseguiu trazer grandes nomes da literatura e cultura para as discussões, e se preocupou com o público jovem com as atividades da Floresta de Livros e do Território Livre.

Os livros infantis estavam especialmente baratos e havia um número bom de expositores.

Ao final das apresentações, os leitores puderam se encontrar com seus escritores e personalidades favoritos para tirar fotos e pedir autógrafos, todos muito educados e atenciosos.

A organização perdeu alguns pontos por ter colocado a Floresta de Livros, uma atividade que reunia música e crianças felizes e falantes, próximo ao local onde aconteciam o Tacacá Literário e o Livro Encenado atividades que exigiam ambientes mais tranquilos para serem apreciadas.

Faltaram mais livrarias expondo, já que a maioria dos estandes possuíam poucos livros ou livros de assuntos específicos, o que deixou a desejar especialmente na área de literatura. A maioria dos estandes estava bastante desorganizados, e não estavam de acordo com a programação cultural do evento, o que demonstra que ainda precisamos profissionalizar mais a exposição.

O balanço geral foi muito positivo. Os poréns foram poucos perto da alegria de ver o estado do Amazonas ter a sua Bienal e poderão ser facilmente sanados para a próxima – já ansiosamente aguardada.

Sobre o autor: Marcela Ortolan

Andarilha convicta, leitora apaixonada, behaviorista radical. Acredita que o mundo é grande demais para que apenas uma arte tenha o seu monopólio.