O site BookCrossing traz um serviço gratuito para que você possa abandonar um livro para ser encontrado por qualquer pessoa em qualquer lugar e, ainda assim, saber onde o volume está.

Primeiro você se cadastra no site. A seguir você cadastra o livro que pretende abandonar. Ele recebe um número único. Então você deve colocar uma etiqueta ou um carimbo com esse número e algumas instruções tais como o endereço do site e como proceder para se avisar que o livro foi encontrado.

Ao abandonar o livro, em seu cadastro você especifica o lugar onde isso aconteceu. Por exemplo: catedral de Curitiba, último banco mais à direita. Assim, se um outro usuário curitibano, por exemplo, procurar no site algum livro abandonado nessa cidade, terá indicações precisas de como encontrá-lo.

Claro que emprestar ou trocar é mais fácil. Mas não é tão divertido.

E o que acontecerá se uma pessoa que não é usuária do site encontrar o livro? Talvez nada. Talvez ela simplesmente o guarde e não o leia. Mas o elemento aventura faz parte da brincadeira, creio.

E tem mais uma. Quem encontra o livro assume o compromisso de abandoná-lo novamente assim que o ler, registrando no site o local e o dia em que fez isso.

Alguns usuários costumam combinar os locais de abandono, reduzindo os elementos aleatórios do serviço. Também é válido. Alguns livros já viajaram por continentes inteiros dessa maneira.

Corrente da Leitura

Inspirada nessa iniciativa a Livrarias Curitiba, uma rede de livrarias da capital paranaense, implantou o projeto Corrente da Leitura. Não é tão elaborado quanto o BookCrossing, mas o princípio é o mesmo. O livro é abandonado em algum lugar. Nele há uma mensagem que ensina que o volume deve ser passado adiante assim que ele for lido e, se tudo der certo, se ele não encontrar alguém suficientemente egoísta pela frente, continuará sua viagem indefinidamente.

Gosto de imaginar esses livros como se fossem caravelas. Ou como sementes. Algumas darão frutos. Outras não. Mas as que derem já valem as que caíram em solo duro.

Esse projeto é amparado pelo Plano Nacional do Livro e Leitura que é um conjunto de ações do Governo Federal para incentivar a cultura do livro no Brasil.

Mas creio que outras livrarias não precisariam de tais incentivos para empreender projetos semelhantes. Não quero acreditar que seria impossível destinar ao menos 50 volumes mensais para isso.

Eu mesmo já abandonei alguns livros em bancos de praça e em telefones públicos para, à distância, ver a reação das pessoas que os encontravam.

Você também pode fazer isso.

A gente vai participar

A Júlia está aqui ao meu lado e vamos fazer sua inscrição no BookCrossing para, amanhã, tão logo seja possível abandonarmos o livro Moll Flanders, de Daniel Defoe, o autor de Robinson Crusoé. Quem sabe ele encontre uma boa praia e não uma ilha deserta.

Em breve mais informações sobre isso.

Sobre a obra, quero deixar aqui a breve apresentação do personagem e do livro, feita pelo proprio Defoe:

Venturas e Desventuras da Famosa Moll Flanders que viu a luz nas prisões de Newgate e que, ao longo de uma vida reca em vicissitudes, a qual durou três vezes vinte anos, sem levar em conta su infância, foi durante doze anos prostituta, durante doze anos ladra, casou-se cinco vezes (uma das quais com seu próprio irmão), foi deportada oito anos na Virgínia e que, enfim, fez fortuna, viveu muito honestamente e morreu arrependida: vida contada segundo suas próprias memórias.

Serviço

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