Um bom argumentador pode tanto usar argumentos sólidos ou, como um mágico, fazer com que o seu discurso flutue na tênue névoa das falácias sem que você sequer se dê conta de que isso aconteceu, acreditando em tudo o que ele diz.

Sozinha, uma falácia não chega a ser uma mentira, mas é um argumento ou técnica discursiva com aparência convincente que pode servir para sustentar uma.

O Norberto Kawakami, do Escrita Torta, publicou um pequeno Guia do Debatedor de Falácias, com 12 tipos de falácias que você pode encontrar por aí.

Às falácias por ele arroladas, eu acrescentaria a Falácia da Autoridade Vaga.

É quando, para dar veracidade a um fato qualquer, busca-se o aval de especialistas indefinidos.

Por exemplo:

  • “Segundo cientistas americanos, a soja transgênica é benéfica à saúde.” Que cientistas, cara pálida? De que instituição? De que universidade? Pagos por quem?
  • “A crítica especializada disse que o espetáculo é uma das coisas mais fantásticas que já passou pelos palcos brasileiros.” Que crítico? De que jornal? Quantos críticos disseram isso? Não houve críticos dizendo outra coisa?

O livro O Mundo Assombrado Pelos Demônios, de Carl Sagan, tem um capítulo só sobre esse tema. Se você não quiser comprar o livro, embora eu o recomende veementemente, pode ler online o trecho A Arte Refinada de Detectar Mentiras.

Sobre o autor: Alessandro Martins

Sou o editor deste blog. Trabalhei como jornalista em Curitiba de 1995 a 2008, quando fui demitido e passei a me dedicar a escrever apenas na internet, em blogs e mídias sociais. Agora estou publicando minha newsletter que tem milhares de leitores: assine!