Alguns leitores deste blog, empolgados com a possibilidade de também criar uma biblioteca comunitária, têm me perguntado como proceder para isso.
Ao pensar na simplicidade da atitude – que, sim, pode fazer diferença para a sua comunidade -, fico até com certo pudor de explicar como fazer isso.
Consiste em apenas um passo simples:
- faça.
Claro que ele se divide em outros, mas que, para quem já sentiu vontade de fazer tal coisa, devem estar tão disponíveis que só deve faltar então o bom e velho TBC: Tire a Bunda da Cadeira.
Do que você precisa:
1. Uns 40 livros.
- livros que você considera bons, livros que você ama, não pelo objeto que eles são, mas pelo conteúdo que eles carregam, não como mero recepiente, mas como transportadores de prazer, conhecimento e diversão
- pratique o desapego. Serão livros que não serão mais seus, mas de todos. Possivelmente, alguns deles você não verá mais. Troque o prazer de ter pelo prazer de compartilhar. Acredite, é muito bom ver um desconhecido folhear interessadamente um livro que você deixou à disposição. Principalmente se for um livro que você gosta
- se você esperar para ter muitos livros para ter a iniciativa, vai acabar desistindo. Comece com pouco e conte com o “efeito bola de neve” e com o impacto que um gesto simples, mas efetivo, pode causar em sua comunidade
2. Um lugar.
- eu escolhi uma panificadora. Sei que em Brasília, há um projeto anterior que começou em um açougue.
- Trata-se de um lugar a que estou vinculado emocionalmente e pela proximidade. Constantemente estou lá e posso ver em que situação se encontra a biblioteca
- É perto de minha casa e faz parte da vida da comunidade com que convivo, com grande circulação de pessoas.
- Você deve oferecer a possibilidade de uma biblioteca aos donos do lugar. Há uma grande possibilidade de eles aceitarem.
- Evite locais do município e do Estado, pois você vai esbarrar na burrocracia.
3. Um sistema
- quanto mais simples melhor.
- o objetivo não é manter os livros na biblioteca, mas fazê-los circular
- um cadastro de empréstimos e de leitores seria um estorvo e faria os donos do estabelecimento recusarem a biblioteca, pois isso representaria mais trabalho
- por outro lado, esse tipo de burocracia é um obstáculo a mais entre o provável leitor e o livro que ele quer ler
- o meu sistema consiste apenas em: leve, leia durante o tempo que for necessário e devolva. Eu conto com a grande possibilidade de o livro não voltar
- o único custo administrativo da biblioteca foi mandar fazer um carimbo em que essas regras são explicadas, bem como o endereço da biblioteca para o caso de alguém que encontre o livro em outro lugar querer devolvê-lo. Cada livro do acervo recebe este carimbo em uma das páginas iniciais e em uma das finais.
4. Tenha um blog para divulgar a sua biblioteca
- é uma forma de conseguir doações
- em breve, se muitas pessoas criarem bibliotecas comunitárias e blogs sobre elas, será possível criar uma rede independente de bibliotecas comunitárias com todas as possibilidades que isso gera
5. Seja rápido
- ao ter a iniciativa para a criação de uma biblioteca desse tipo, seja rápido. É quase uma ação de guerrilha.
- não conte com leis de incentivo ou com ajuda do governo. Isso só vai atrasar e desmotivar você. Você pode agir por conta própria
- não conte com a ajuda dos outros para começar a fazer, mas conte com a ajuda dos outros no andamento do projeto
Lembre-se: ninguém precisa mudar o mundo. Apenas a parte do mundo que é capaz de mudar.










