Comemore o Dia do Saci com Guinga
31 de outubro de 2008 | Publicado na Categoria música | 4 Comentários »
Hoje é Dia do Saci.
- Leia mais sobre o Dia do Saci (link via Lucia Freitas)
Para comemorar veja este vídeo com a canção Saci, de Guinga e Paulo César Pinheiro, interpretada por Daniel Torquete.
O Guinga, um dentista carioca, é um dos compositores mais inovadores dos últimos tempos no que diz respeito à musicalidade. Quer dizer, sem lançar mão de tecnologia e “conceitos”, conseguindo criar novas sonoridades simplesmente fazendo avanços na melodia e na harmonia. O que é heróico, considerando-se tudo o que já se fez nessas áreas.
Ele é um desses músicos que, por alguma razão inexplicável, ficam na periferia da Música Brasileira por um bom tempo. Ele teve a sorte – e, claro, o mérito – de ser trazido à ribalta na década de 90, embora desde a década de 70 tenha sido fundamental para a MPB. Por exemplo, tocou naquele famoso álbum do Cartola. Contou-me que, no primeiro dia de gravação, ganhou um lauto almoço e que Cartola “era um príncipe”.
É dele, com letra de Aldir Blanc, uma de minhas músicas preferidas. Transcrevo a letra, mas é dessas que só fazem sentido com a melodia:
Nítido e obscuro
A porcelana e o alabastro
Na pele que eu vou beijar
O escuro atrás do astro
Na boca que me afogar
Os veios que há no mármore
Nos seios de Conceição
E desafeto e mais paixão
E porque sim e porque não
Porque em você
O que me prende vive livre
Como tudo que há no espelho
Existe mas não tive
O bambual de ouro no dorso do tigre
O farol de Alexandria varando a solidão
Tu me incendeia e o ciúme entra na veia
A paixão ricocheteia
Sobe inté o coração – e é bão!
Pouco existente feito as perna da sereia
O cavalo de São Jorge, pisando a lua cheia
Igual a chuva que há no fundo da baleia:
É tão pouca e formoseia o aguarão do mar
O amor vareia: o primeiro virar areia
O segundo sacaneia
Mas o próximo é ilusão – que bão!
Eu quando choro do olho sai meteoro e fogo
De cada poro um vulcão
É dor capaz de tombar a Via-Láctea no mar
Mas cabe dentro do olho
De um grilo no manguezal
Eu quando rio faz frio de calafrio
As moça tem arrupio e terção
É alegria capaz de acovardar lobisome
E quando mais se espera dela
É aí que ela some
Eu jogo truco, dou troco
Sou truculento e turrão
Bato muito firme
Danço jongo candongueiro
Eu mato a cobra
E dispois exibo o pau pra nós dois:
Tu se afeiçoa, faz carinho e me enleia
Eu gosto mas me aperreia
O depender de mulher
É sempre nítido e obscuro o que se quer!
Guinga proporcionou-me um dos pontos mais legais de minha carreira como jornalista, não pelas entrevistas por telefone que me deu, mas por – numa dessas entrevistas -, ao saber que eu gostava dessa música, tê-la cantado para mim inteirinha, sem eu ter pedido.
Imagine sua música preferida.
Imagine seu músico preferido.
Imagine que ele a canta pra você pelo telefone. Eu quero dizer: inteira.
Acho que você entendeu.
Feliz dia do Saci!

Alê!!!
Não sei se dou pulinho pq vc também postou sobre o dia do saci ou se dou pulinho pq vc achou esta canção tão linda.
vou dar pulinho de alegria (com o mouse, claro :D)
Obrigada pela citação.
bj
Lucia,
pulemos os dois juntos…
Beijos do Ale!
Olá Alessandro, obrigado por citar minha interpretação de Saci no seu blog. Apesar de não estar fiel a composição do Guinga. Quando der eu vou regravar pra ficar direito.
Recentemente eu toquei nitido e obscuro na “Casa da Ópera” em Ouro Preto. Pena que ainda não consegui uma gravação desse dia. Também acho a canção extraordinária.
Daniel,
pra mim sempre é uma honra travar contato com aqueles que ajudo a divulgar e ao mesmo tempo enriquecem o conteúdo de meu blog.
Espero que tenha ainda mais sucesso em uma nova gravação!
Abraços do Ale!