Os clichês, lugares-comuns e frases feitas são uma faca de dois gumes (olha o clichê aí).
Tornam a ideia fácil de ser escrita mas, por outro lado e por consequência, impedem que ela seja expressada com mais precisão, originalidade e clareza. Por estar travestido de um signo facilmente aceito – o clichê -, o conceito é engolido sem ser mastigado e saboreado pelo intelecto.
Assim, os clichês acabam sendo uma mão na roda para quem tem preguiça de escrever e revisar seu texto a fim de cortar partes inúteis bem como deixá-lo mais expressivo.
Como disse em post anterior, estou folheando o livro O Pai dos Burros – Dicionário de Lugares-Comuns e Frases Feitas, de Humberto Werneck. O autor lista uma série dessas figuras a partir de sua expressão base.
Numa rápida olhada (olha o clichê aí) observei que uma das palavras campeãs é a palavra mão, com duas páginas de lugares-comuns a ela relacionados. Listo-os:
- abrir mão
- aguentar a mão
- ao alcance das mãos
- baixar a mão em
- banhar as mãos no sangue de
- com a mão na massa
- com mão de gato
- com mão de mestre
- com uma mão atrás e outra na frente
- comer na mão de alguém
- dar mão forte a
- dar uma mão/mãozinha
- de mãos abanando
- de mãos atadas
- deixar/ficar na mão
- em boas mãos
- em primeira mão
- estar na mão
- estender a mão
- fora de mão
- forçar a mão
- ganhar/levar na mão grande
- lançar mão de
- lavar as mãos (figurado)
- mão aberta
- mão na roda
- mãos calejadas
- mãos de fada
- mãos de mestre
- mãos de seda
- mãos que afagam
- meter a mão
- meter os pés pelas mãos
- molhar a mão de
- não ter mãos a medir
- passar a mão em
- passar a mão na cabeça de
- pedir a mão de
- pôr a mão no fogo por
- ser mão aberta
- uma mão lava a outra
E por aí vai. Aposto que você lembra de alguma que não foi listada.
A mão, para quem tem preguiça de se expressar de maneira mais simples, clara e criativa, de fato é uma mão na roda.









