Ciúme

Às vezes ouço dizer que um pouco de ciúme faz bem a um relacionamento, seja com uma coisa (discos, livros, móveis, casa, carro, etc) ou com uma pessoa (ter ciúme de alguém é meio que transformá-la em coisa).

Discordo. Ciúme é ciúme. A diferença entre um ciúme pequeno e um ciúme doentio é a mesma diferença entre uma pneumonia pequena e uma pneumonia grande, se é para ficarmos nos exemplos patológicos. Ambas precisam ser tratadas

Quanto mais descomplicada uma pessoa é, menos ciúme tem. Na possibilidade de haver uma pessoa sem ciúme nenhum, suponho, que ela é totalmente descomplicada.

Sobre isso, prefiro citar o capítulo sobre ciúme do livro Método de Boas Maneiras, do DeRose.

O ciúme nada mais é do que a soberba ignorância dos princípios de espaço vital e, na mesma proporção, constitui uma grosseiríssima falta de educação para com o parceiro, bem como para com todos quantos sejam vitimados por presenciar a cena, ainda que ela seja apenas uma cara feia. Isso, sem falar nos amigos ou amigas que acabam envolvidos na ridícula ceninha de novela mexicana.

Se você quer azedar seu relacionamento afetivo, a receita é infalível. Seja ciumento(a). Ou o relacionamento deteriora e vai cada um para o seu lado, ou acabarão sendo protagonistas das manchetes policiais.

Ciúme é uma truculência psicológica sem desculpa. Ciúme não é causado pelo amor ao outro e sim por amor-próprio, amor a si próprio.

Se sua mulher é ciumenta, meus pêsames. Se seu marido é ciumento, considere nossa amizade rompida. Se você é ciumento(a), vá fazer uma psicoterapia, que ninguém tem culpa de suas inseguranças psicológicas.

Postado em Qualidade de Vida.

Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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