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	<title>Livros e afins &#187; Minhas leituras</title>
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		<title>Dostoiévski e a pena de morte</title>
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		<pubDate>Tue, 08 May 2012 15:04:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<category><![CDATA[Minhas leituras]]></category>
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		<description><![CDATA[No livro O Idiota, de Fiódor Dostoiévski, o personagem principal, o príncipe Liev Nikoláievitch Míchkin, conversa sobre os costumes franceses com um outro pernsagem. O tema da pena de morte vem à tona e, então, é comentado que a guilhotina seria um meio quase que livre de sofrimento para o condenado, dada a velocidade com [...]<p><ul>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id=HOTWordsTxt name=HOTWordsTxt><p><a href="http://livroseafins.com/wp-content/uploads/2012/05/dostoiévski.jpg"><img class="alignnone size-large wp-image-44248" title="dostoiévski" src="http://livroseafins.com/wp-content/uploads/2012/05/dostoiévski-640x274.jpg" alt="" width="640" height="274" /></a></p>
<p>No livro O Idiota, de Fiódor Dostoiévski, o personagem principal, o príncipe Liev Nikoláievitch Míchkin, conversa sobre os costumes franceses com um outro pernsagem.</p>
<p>O tema da pena de morte vem à tona e, então, é comentado que a guilhotina seria um meio quase que livre de sofrimento para o condenado, dada a velocidade com que a lâmina separa a cabeça do resto do corpo de sua vítima.</p>
<p>Antes de citar o trecho a que me refiro, cabe lembrar que o próprio autor, Dostoiévski, foi certa vez condenado à morte e sua pena foi suspensa minutos antes de ser executada, quando já estava tudo pronto para isso.</p>
<p>Portanto, ele sabe muito bem do que está falando.</p>
<p>Diz o príncipe Míchkin, então, como porta-voz do escritor:</p>
<blockquote><p>Sabe de uma coisa? &#8211; secundou o príncipe com ardor. &#8211; Essa mesma observação que o senhor fez todo mundo faz, e a máquina, a guilhotina, foi inventada com esse fim. Mas naquela ocasião me ocorreu uma ideia: e se isso for ainda pior? O senhor acha isso engraçado, isso lhe parece um horro, e no entanto sob um certo tipo de imaginação até um pensamento como esse pode vir à cabeça. Reflita, por exemplo, se há tortura; neste caso há sofrimento e ferimentos, suplício físico e, portanto, tudo isso desvia do sofrimento moral, de tal forma que você só se atormenta com os ferimentos até a hora da morte. E todavia a dor principal, a mais forte, pode não estar nos ferimentos e sim, veja, em você saber, com certeza, que dentro de uma hora, depois dentro de dez minutos, depois dentro de meio minuto, depois agora, neste instante &#8211; a alma irá voar do corpo, que você não vai mais ser uma pessoa, e que isso já é certeza; e o principal é essa <em>certeza</em>. Eis que você põe a cabeça debaixo da própria lâmina e a ouve deslizar sobre sua cabeça, pois esse quarto de segundo é o mais terrível de tudo. O senhor sabe que isso não é fantasia minha, que  muitas pessoas disseram isso? Eu acredito tanto nisso que lhe digo francamente qual é minha opinião. Matar por matar é um castigo desproporcionalmente maior que o próprio crime. A morte por sentença é desproporcionalmente mais terrível que a morte cometida por bandidos. Aquele que os bandidos matam, que é esfaqueado à noite, em um bosque, ou de um jeito qualquer, ainda espera sem falta que se salvará, até o último instante. Há exemplos de que uma pessoa está com a garganta cortada, mas ainda tem esperança, ou foge, ou pede ajuda. Mas, no caso de que estou falando, esssa última esperança, com a qual é dez vezes mais fácil morrer, é abolida <em>com certeza</em>; aqui existe a sentença, e no fato de que, com certeza, não se vai fugir a ela, reside todo o terrível suplício, e mais forte do que esse suplício não existe nada no mundo. Traga um soldado, coloque-o diante de um canhão em uma batalha e atire nele, ele ainda vai continuar tendo esperança, mas leia para esse mesmo soldado uma sentença <em>como certeza</em>, e ele vai enlouquecer ou começar a chorar. Quem disse que a natureza humana é capaz de suportar isso sem enlouquecer? Para quê esse ultraje hediondo, desnecessário, inútil? Pode ser que exista um homem a quem leram uma sentença, deixaram que sofresse, e depois disseram: &#8220;Vai embora, foste perdoado&#8221;. Pois bem, esse homem talvez conseguisse contar. Até Cristo falou desse tormento e desse pavor. Não, não se pode fazer isso com o homem!</p></blockquote>
<p>Sobre a condenação de Dostoiévski à morte, o editor esclarece em nota:</p>
<blockquote><p>(&#8230;) Dostoiévski fala sobretudo de si mesmo e de outros integrantes do círculo de Pietrachevski, a quem foi comunicada a comutação da pena de morte só depois da leitura da sentença e da preparação dos mesmos para o fuzilamento. (&#8230;) Lendo os jornais o escritor provavelmente soube que a &#8220;execução&#8221; dos pietrachevskianos não fora um caso isolado.</p></blockquote>
<p>Sobre Cristo, a nota do editor:</p>
<blockquote><p>Tem-se em vista a cena de Jesus no jardim de Getsémani: &#8220;Então lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte&#8230; Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia não seja como eu quero, e, sim, como tu queres&#8221; (Mateus, capítulo 26, versículos 38 e 39)</p></blockquote>
<p>O personagem e o autor, obviamente, eram humanistas, mas &#8211; como qualquer um que tenha visto cinco minutos de algum programa policial sabe &#8211; isso está fora de moda.</p>
</div><p><ul>
<li><a href="http://livroseafins.com">Livros e afins</a></li>
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		<title>Gente de teatro sofre</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Feb 2012 03:36:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes e design]]></category>
		<category><![CDATA[Minhas leituras]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[hábitos]]></category>
		<category><![CDATA[refeições]]></category>
		<category><![CDATA[shakespeare]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Leio, no momento, Em Casa &#8211; Uma Breve História da Vida Doméstica, de Bill Bryson, um livro excelente que nos faz ver com outra ótica os mínimos objetos de nossos lares e os hábitos que costumamos perceber como se estivessem desde sempre em nossas vidas. O vidro, por exemplo. Você já parou para pensar que [...]<p><ul>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id=HOTWordsTxt name=HOTWordsTxt><p><a href="http://livroseafins.com/gente-de-teatro-sofre/globe/" rel="attachment wp-att-41340"><img class="alignnone size-large wp-image-41340" title="globe" src="http://livroseafins.com/wp-content/uploads/2012/02/globe-640x421.jpg" alt="" width="640" height="421" /></a></p>
<p>Leio, no momento, <a href="http://links.lomadee.com/ls/bWxoaDs5blYybWwyQTsyMzcxOTIzMDswOzE3NjsxNjEyMzswO0JSOzM7.html">Em Casa &#8211; Uma Breve História da Vida Doméstica, de Bill Bryson</a>, um livro excelente que nos faz ver com outra ótica os mínimos objetos de nossos lares e os hábitos que costumamos perceber como se estivessem desde sempre em nossas vidas.</p>
<p>O vidro, por exemplo. Você já parou para pensar que nem sempre esse foi um material comum? Na Inglaterra de meados de 1800, por exemplo, havia um imposto sobre janelas e um imposto sobre artigos de luxo (o que incluía as vidraças).</p>
<p>As janelas eram, então, vedadas com tijolos, madeira ou o que fosse e essa vedação era ornamentadas com a pintura de uma&#8230; janela.</p>
<p>Nas janelas que ficavam abertas, colocava vidraças quem podia arcar com seu preço e com o imposto sobre artigos de luxo. Essas taxas eram chamadas pela população inconformada de &#8220;imposto sobre o ar e a luz&#8221;.</p>
<p>Nos testamentos, era comum se deixar a casa para um parente e as janelas para outro. É engraçado, considerando que janelas são basicamente buracos retangulares nas paredes externas de uma edificação.</p>
<p>Alguns dos trechos mais interessantes do livro, no entanto, dizem respeito às análises sobre nossos hábitos alimentares.</p>
<p>O jantar, por exemplo, nem sempre foi uma refeição noturna. Houve períodos que, inclusive, o jantar acontecia na hora em que hoje se sedimentou o almoço (!!!!).</p>
<p>De fato, o almoço só foi surgir mais tarde, por necessidade, visto que o intervalo entre o quebra-jejum matutino e o jantar, agora noturno, se tornara tão grande que era, assim, necessária uma refeição ali no meio.</p>
<p>Num parágrafo, no entanto, vemos como o deslocamento dessa atividade ao longo do dia influenciou o relacionamento que temos, ou não, com as artes cênicas e, por outro lado, se deixou influenciar por ela.</p>
<blockquote><p>Outro fator que influenciava muito a hora de jantar era o teatro. No tempo de Shakespeare os espetáculos começavam por volta das duas horas, ou seja, não atrapalhavam as refeições; mas isso se devia sobretudo, à necessidade de luz natural em palcos a céu aberto como o Globe shakespeariano. Quando os espetáculos passaram para salas cobertas, o horário de início foi ficando para cada vez mais tarde e os espectadores tiveram que adaptar sua hora de jantar &#8211; mesmo com relutância, e até ressentimento. Por fim, sem conseguir ou sem desejar modificar ainda mais seus hábitos pessoais, o <em>beau monde</em> parou de tentar chegar ao teatro no primeiro ato e adotou o costume de enviar um criado para segurar seus lugares até que eles acabassem de jantar. Em geral apareciam &#8211; barulhentos, bêbados e sem vontade de se concentrar &#8211; para ver os últimos atos. Durante toda uma geração, foi normal que uma companhia teatral apresentasse a primeira metade da peça para um auditório cheio de criados cochilando, que não tinham nenhum apreço por aquilo tudo, e a segunda metade para um público inebriado e mal-educado, que nem fazia ideia do que estava acontecendo no palco.</p></blockquote>
<p>Diante disso, um celular tocando na plateia de vez em quando, por grave que seja, nem parece tão ruim.</p>
<ul>
<li>Compre <a href="http://links.lomadee.com/ls/bWxoaDs5blYybWwyQTsyMzcxOTIzMDswOzE3NjsxNjEyMzswO0JSOzM7.html">Em Casa &#8211; Uma Breve História da Vida Doméstica, de Bill Bryson</a></li>
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<ul></p>
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		<title>Dr. Negro e outras histórias de terror: uma leitura complexa.</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Feb 2012 09:54:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Camillo César Alvarenga</dc:creator>
				<category><![CDATA[Minhas leituras]]></category>
		<category><![CDATA[arthur conan doyle]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[literatura inglesa]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta é uma coletânea de seis contos do escocês Arthur Conan Doyle (1859 &#8211; 1930), que em especial, é uma das séries na qual não aparece seu protagonista literário mais famoso, o detetive Sherlock Holmes. Trata-se por sua vez, de um conjunto que muito aponta para as estruturas clássicas do conto de língua inglesa em [...]<p><ul>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id=HOTWordsTxt name=HOTWordsTxt><p>Esta é uma coletânea de seis contos do escocês Arthur Conan Doyle (1859 &#8211; 1930), que em especial, é uma das séries na qual não aparece seu protagonista literário mais famoso, o detetive Sherlock Holmes. Trata-se por sua vez, de um conjunto que muito aponta para as estruturas clássicas do conto de língua inglesa em seu tom mais peculiar e extraordinário: o mistério, o suspense e o terror.</p>
<p><a href="http://livroseafins.com/dr-negro-e-outras-historias-de-terror-uma-leitura-complexa/182781g0/" rel="attachment wp-att-40749"><img class="aligncenter size-full wp-image-40749" src="http://livroseafins.com/wp-content/uploads/2012/02/182781g0.jpg" alt="Dr. Negro e outras histórias de terror, 2º ed. Porto Alegre. L&amp;PM, 2010." width="242" height="400" /></a></p>
<p>Do primeiro escrito destaco esta proposição:</p>
<blockquote><p>O homem teme o fracasso quando corre o risco de pagar por ele, mas no caso não havia pena que a fortuna pudesse cobrar-me. Eu era um jogador de bolsos vazios, a quem ainda se permite arriscar a sorte com os outros.</p></blockquote>
<p>Um tanto quanto filosófica, esta passagem aparece no conto &#8220;O caçador de besouros&#8221; que problematiza sua história entre a questão da demência, um mal-estar dos nervos, uma certa patologia psicológica frente a caracterização do <em>habitus</em> científico da medicina.</p>
<p>Em &#8220;A caixa de Charão&#8221; aparecem desde uma nacionalista referência como &#8220;Tudo é sólido, maçiço e severo, como convém ao coração de um grande país&#8221; denotando a clássica aparição de uma índole inglesa austera. A saber, neste conto, Shakespeare é chamado de &#8220;a flor da raça&#8221;. Bem como, uma passagem preenhe de intimismo e que alude a esse tempo de revoluções de um século e suas adaptações com o moderno &#8220;Você é jovem mais o mundo anda depressa&#8221;.</p>
<p>Neste conto, também há, uma presença reflexiva de um personagem, que faz pensar sobre a típica cultura dos excitantes &#8220;Quando eu era moço, meu amigo, muitos anos mais moço que o senhor, vi-me atirado ao mundo sem um amigo ou conselheiro com uma bolsa que atraia tão somente e em demasia falsos amigos e falsos conselheiros. Bebi desmesuradamente do vinho da vida &#8211; se é que existe um vivente que bebeu mais abundantemente do que eu, não o invejo. Minha bolsa sofreu, meu caráter sofreu, minha saúde sofreu, tornei-me escravo dos estimulantes, uma criatura ante a qual minha memória se encolhe horrorizada&#8221;. Nesta parábola o desfecho se volta para o fonógrafo, invenção criada em 1877 por Thomas Edison.</p>
<p><a href="http://livroseafins.com/dr-negro-e-outras-historias-de-terror-uma-leitura-complexa/edison-y-su-fonografo/" rel="attachment wp-att-40751"><img class="aligncenter size-full wp-image-40751" src="http://livroseafins.com/wp-content/uploads/2012/02/edison-y-su-fonografo.jpg" alt="" width="476" height="600" /></a></p>
<p>No capítulo seguinte, temos o texto que entitula o livro: Dr. Negro, ou seja, a leitura do inesperado. O escritor rapidamente trata de indicar um dos pontos de vista que irão reaparecer na sua trama, o médico faria parte de um certa &#8220;raça tropical&#8221; que o mesmo por alguma razão, que não fica clara, o aproxima dos &#8220;hindus&#8221;.</p>
<p>O decorrer da narativa entrevê um casamento que não acontece e uma ligação do personagem com a América Latina, algo em Buenos Aires na Argentina, num enredo de morte e de reaparecimento por conta de um irmão gêmeo do médico em questão, e uma supeita de assassinato sobre um sujeito que terminaria inocente. A discussão entre fato e crença é bem latente, ao passo que podemos apontar no texto que &#8220;a lembrança é tão penosa quanto a experiência&#8221;.</p>
<p>Agora o que de fato impressiona no desenrolar é o excerto a seguir &#8220;Ela fizera o possível para induzi-lo a uma atitude mais sensata, mas ele era extremamente obstinado quando se tratava de suas emoções e preconceitos&#8221; me parece um sinal tocante e sintomático de um discurso para análise mais aguda da teoria racial. Além do que, o personagem se justifica no contexto da sua aparente morte com a assertiva que desapareceria para &#8220;Liberar as pessoas do fardo da minha presença&#8221;. No final, o autor casa o médico e parece a história, ter um &#8220;happy end&#8221;.</p>
<p>No penúltimo capítulo, &#8220;A relíquia judaica&#8221;, também denominada durante o texto de &#8220;o racional&#8221;, Sir. Conan Doyle nos entrega a sugestão acerca da &#8220;grafologia&#8221;, da &#8220;teoria&#8221;, do &#8220;branco clarão das lâmpadas elétricas&#8221; enfim, é a expressão óbvia da reunião do cientificismo literário da dedução e seu propósito, que aparece nessa maquiavélica passagem &#8220;Mas o fim o justificava. O fim justificava tudo.&#8221;</p>
<p>No conto final, &#8220;a sala do pavor&#8221; aparece um dos desfechos mais improváveis. Citarei, caros leitores, uma das artimanhas da ficção, algo assim como que &#8220;ali estava um homem que ela não conhecia. O americano prático e severo desaparecera. Em seu lugar foi como se ela visse num relance um herói, um santo, um homem capaz de alçar-se a uma altura sobrehumana de virtude desinteressada&#8221;. Essa relação entre o inglês e o americano é marcante entre os contos, mas nesse é incrível como o mistério de repente instaurado nas páginas que antecedem o final do livro surpreende e se finda de tal maneira que a capa se desvenda e deságua o diálogo:</p>
<blockquote><p>- Que tal? &#8211; perguntaram todos juntos.</p>
<p>- Péssimo! &#8211; respondeu ele &#8211; Péssimo! Vamos refilmar toda cena amanhã de manhã.</p></blockquote>
<p>Pois então, tudo era cinema!</p>
</div><p><ul>
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		<title>O Primeiro Livro</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Feb 2012 10:15:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Castellar das Neves</dc:creator>
				<category><![CDATA[Minhas leituras]]></category>
		<category><![CDATA[criança]]></category>
		<category><![CDATA[infantil]]></category>
		<category><![CDATA[literatura infantil]]></category>
		<category><![CDATA[menino do dedo verde]]></category>

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<li><a href="http://livroseafins.com">Livros e afins</a></li>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id=HOTWordsTxt name=HOTWordsTxt><p><a href="http://livroseafins.com/o-primeiro-livro/www-morguefile-com/" rel="attachment wp-att-40544"><img class="alignnone size-full wp-image-40544" src="http://livroseafins.com/wp-content/uploads/2012/02/www.morguefile.com_.jpg" alt="" width="730" height="396" /></a></p>
<p>Estava pensando sobre esta minha primeira postagem aqui no <a title="Livros e Afins" href="http://livroseafins.com" target="_blank">Livros e Afins</a> e, talvez, por um vai e vem da minha cabeça com estas palavras, me veio à lembrança o primeiro livro que li: O “Menino do Dedo Verde” de Maurice Druon. Na verdade, pode não ter sido bem o primeiro, pois havia em casa uma coleção com os clássicos infantis (Branca de Neve e os Sete Anões, Chapeuzinho Vermelho, Os Três Porquinhos, e outros) que minha mãe sempre lia para mim; mas como não consigo definir os limites entre a minha memória das páginas lidas pela minha mãe e das, supostamente, lidas por mim, e, ainda, considerando a clareza do todo e da grande descoberta que foi para mim, defino este como meu primeiro livro.</p>
<p>Este livro me foi emprestado pela mãe de um amigo meu. Lembro bem que ela tinha uma biblioteca incrível e estava sempre a ler. Eu não entendia como alguém poderia passar tanto tempo lendo e ia brincar, mas me sentia bem olhando para os livros dela. E foi assim que ela pegou este livro na prateleira e perguntou se eu gostaria de lê-lo. Lembro-me de ter torcido o nariz com a pergunta, mas também de ter arregalado os olhos ao ver o título. Fiquei muito curioso e logo me pus a ler. Devo ter demorado o que demora uma criança para ler um livro destes, mas era o primeiro livro “grosso” que eu tinha em mãos, com um título que me atraia e, o que era melhor, sem nenhuma cobrança de leitura.</p>
<p>Foi o primeiro livro que li “porque sim”. Foi o primeiro livro que me fez imaginar o seu todo, que me fez colocar-me no lugar da personagem principal, que me causou sensações e sentimentos por coisas que estavam escritas, que me provocou durante o período em que o lia, que me fez diminuir o ritmo da leitura nas últimas páginas para não ter de terminá-lo e que me fez sentir pela primeira fez o prazer que sinto até hoje ao terminar um livro. Foi a primeira vez que senti a tal da magia que um livro pode causar e é incrível, como vejo agora, o quanto isto ainda está claro.</p>
<p>Definitivamente, este foi meu primeiro livro.</p>
<p>E você, ainda se lembra de qual foi o seu “primeiro livro”? Conte pra gente!</p>
</div><p><ul>
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<ul></p>
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