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	<title>Livros e afins &#187; Escrita</title>
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		<title>Cuidado com o peso das palavras</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Feb 2012 10:57:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caminhante Diurno</dc:creator>
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<p>Por que dizemos, diante de algo que nos agrada, que é interessante, bonito, lindo ou maravilhoso? Porque cada uma dessas palavras &#8211; embora todas manifestem aprovação &#8211; demonstram de maneira sutilmente diferente o que queremos dizer. Os sinônimos nunca são absolutos, senão não haveria a necessidade de uma palavra nova. As palavras têm usos e pesos diferentes, elas servem pra demonstrar de maneira mais exata os pensamentos.</p>
<p>Isso mostra a importância de ter<strong> um vocabulário rico</strong>. Sem conhecer palavras que expressem sutilezas, o autor não conseguirá transmitir sutilezas. Palavras diferentes evitam que um texto fique repetitivo e infantil. A dificuldade de escrever com um vocabulário limitado fica clara quando tentamos escrever numa outra língua &#8211; tudo fica reduzido a bom e ruim, sim ou não, grande ou pequeno. São as gradações que permitem a um autor mostrar as suas particularidades, que ajudam a transmitir ao leitor uma atmosfera única. Para adquirir um bom vocabulário, a fórmula mais antiga e mais eficaz é: ler.</p>
<p>Na linguagem falada, o peso das palavras fica misturado ao peso que colocamos nela ao falar. A palavra vem acompanhada de um tom de voz, de uma expressão facial e de um gesto. Isso permite que se possa dizer &#8220;eu te odeio&#8221; a uma pessoa sem que ela interprete que é odiada &#8211; ela pode até mesmo perceber que foi uma declaração de amor. Tudo depende de quem disse e como disse. Na linguagem escrita, isso não existe.</p>
<p>Por isso a importância de <strong>prestar atenção no peso das palavras quando se escreve</strong>. Vejo muita gente se queixando de que fez um comentário inocente e foi mal interpretado ou bloqueado. Aí quando você lê o que a pessoa escreveu, ela usou expressões como &#8220;ridículo&#8221;, &#8220;besteira&#8221;, &#8220;absurdo&#8221;. Não dá para usar palavras fortes e querer que elas sejam interpretadas como inocentes, só porque foi você quem disse. O outro lado pode se basear apenas no que está escrito, ele não pode saber se foi dito com doçura ou não.</p>
<p>A linguagem escrita é uma realidade à parte, nela não valem as mesmas regra da linguagem falada. Para evitar equívocos, vale a pena ser cuidadoso, corrigir e até mesmo ser mais gentil do que é o seu desejo no momento. Lembre-se que gentileza nunca é demais.</p>
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		<title>Em busca do próprio estilo</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 19:21:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caminhante Diurno</dc:creator>
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<p>Como diria aquela piada, estilo é como braço: alguns tem e outros não tem. O estilo é aquilo que faz com que você reconheça o autor, ou diga que se parece com um autor, mesmo sem saber quem é a pessoa por detrás. Conseguir ter um estilo, num mundo onde existem tantas opções, já é um mérito. Você pode não gostar de uma obra e mesmo assim reconhecer o estilo do artista. Feio ou bonito, um Picasso é reconhecido até por quem não gosta dos seus quadros.</p>
<p>Por ser tão importante, o estilo costuma ser uma busca. Logo de início o escritor &#8211; ou o músico, o pintor, o escultor, o bailarino, o chef de cozinha, etc &#8211; pode ver que tem facilidade em alguma coisa e determinar que aquele é seu estilo. E a partir daí, querer fazer tudo sempre na mesma direção e ter receio de mudar, com medo de não ser mais reconhecido pelo seu público ou que isso seria uma traição ao que ele faz. É uma maneira de ver as coisas.</p>
<p>Eu encaro o estilo de maneira diferente. Acho que o estilo é aquilo que o artista é; quem a gente é não muda com facilidade. Em todas as atividades, fazendo coisas diferentes e experimentando coisas diferentes, existirá sempre a sua maneira única de ver as coisas e comunicá-las. Sendo assim, não acho que seja preciso escolher um estilo. Acho que o estilo aparece sozinho, é aquilo que a pessoa não consegue evitar porque é ela mesma . Por isso, ao invés de limitar suas escolhas em nome de um estilo, acredito que o artista deve tentar o máximo possível em termos de técnicas, temas, formas e experiências. Isso enriquecerá sua produção e lhe dará um estilo mais amplo.</p>
<p>Não se limite. Ser um ser humano já é limite o suficiente.</p>
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		<title>Escrever para ser lido</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Jan 2012 12:50:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caminhante Diurno</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id=HOTWordsTxt name=HOTWordsTxt><p><a href="http://livroseafins.com/escrever-para-ser-lido/maquina-de-escrever/" rel="attachment wp-att-40105"><img class="alignnone size-large wp-image-40105" title="máquina de escrever" src="http://livroseafins.com/wp-content/uploads/2012/01/máquina-de-escrever-640x269.jpg" alt="" width="640" height="269" /></a></p>
<p>Quem escreve geralmente tem um diário, um caderno de impressões, um arquivo ou alguma forma de lançar ideias. Cartas &#8211; sejam elas escritas em papéis ou digitadas &#8211; podem ser tão interessantes que dá uma certa dó pensar que apenas uma pessoa no mundo &#8211; o destinatário &#8211; irá lê-las.</p>
<p>Sem exagero, algumas interações virtuais totalmente despretenciosas podem ser verdadeiras pérolas, com frases de efeito, pensamentos profundos, sacadas geniais de humor.</p>
<p>Como um criador que tem orgulho da sua criatura, não é incomum que uma pessoa acabe realmente publicando o que a princípio não era para ser lido. Pessoas que copiam e colam suas conversas de MSN, trazem textos antigos à tona, publicam e-mails. Às vezes dá certo, outras vezes não.</p>
<p>O meio em que escrevemos e o leitor que temos em mente na hora que escrevemos determina o conteúdo da nossa escrita. Sempre, inevitavelmente.</p>
<p>Os meios por terem limites de caracteres, por terem uma forma própria de diagramação, a possibilidade de &#8220;curtir&#8221;, um tempo longo ou curto até ser recebido, a privacidade de ser lido apenas uma pessoa ou por várias.</p>
<p>Em chats, usamos frases curtas e rápidas, para não perder o fio da conversa, enquanto em posts há a possibilidade de corrigir infinitamente antes de deixar os outros verem.</p>
<p>Publicar num mural do facebook não é o mesmo que publicar num mural de verdade, que não é a mesma coisa que escrever um bilhete, e por aí vai.</p>
<p>O leitor é determinante porque dele imaginamos as referências. Se achamos que o nosso leitor é burro, simplificaremos a mensagem; se ele compartilha conosco várias experiências e maneiras de ver o mundo, podemos aludir vagamente algumas idéias com a certeza de que seremos bem interpretados; se é um leitor desconhecido, colocaremos a prudente máscara social pela qual queremos ser vistos; se é o nosso amor, podemos escrever ridículas cartas de amor&#8230;</p>
<p>Misturar esses meios é misturar referências, e nem sempre isso rende um bom texto. Piadas, conversas ou tiradas geniais entre amigos podem ser muito interessantes entre eles, mas não me interessam. Um texto, para merecer ser chamado de texto, precisa ter início, meio e fim. Ele precisa conter uma idéia e ter o mínimo de acessibilidade.</p>
<p>Se o texto só pode ser entendido por quem conhece o autor e sua história de vida, ou por quem já tomou umas cervejas com ele, algo está errado. Uma vez escrito, um texto é uma realidade independente &#8211; não dizemos que uma obra é duradoura justamente quando tem a capacidade de falar a muitas pessoas, em países e épocas diferentes?</p>
<p>Por isso eu defendo que se escreva pensando no leitor. Se o texto for o enxerto de algo pessoal, que se leve em conta que o meio mudou e se façam as alterações necessárias. Querer ser um escritor de suas memórias, suas conversas com os amigos, suas cartas pessoais e seu mundo não é querer ser exatamente escritor&#8230;</p>
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		<title>Menos lições, mais sinceridade</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Jan 2012 12:22:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caminhante Diurno</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Existem muitas características que tornam uma arte &#8211; auditiva, visual, escrita, etc &#8211; atraente. Uma delas, talvez a mais importante, é a capacidade de tocar na experiência comum a todos. Quando você está diante de uma obra sincera, sente como se também fizesse parte dela, como se fosse chegar ao mesmo resultado se tentasse se [...]<p><ul>
<li><a href="http://livroseafins.com">Livros e afins</a></li>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id=HOTWordsTxt name=HOTWordsTxt><p><a href="http://livroseafins.com/menos-licoes-mais-sinceridade/sinceridade/" rel="attachment wp-att-39706"><img class="alignnone size-large wp-image-39706" title="sinceridade" src="http://livroseafins.com/wp-content/uploads/2012/01/sinceridade-640x397.jpg" alt="" width="640" height="397" /></a></p>
<p>Existem muitas características que tornam uma arte &#8211; auditiva, visual, escrita, etc &#8211; atraente. Uma delas, talvez a mais importante, é a capacidade de tocar na experiência comum a todos. Quando você está diante de uma obra sincera, sente como se também fizesse parte dela, como se fosse chegar ao mesmo resultado se tentasse se exprimir.</p>
<p>Falando mais especificamente de textos escritos, vejo que experiências pessoais me tocam bastante como leitora &#8211; lições me tocam menos, muito menos. Alguns dizem o que viveram e deixam para o leitor entender as lições que existem por detrás. Já li sobre problemas familiares que me fizeram ver que toda família tem seus problemas, já li sobre inseguranças que fizeram sentir que eu não estou sozinha. Alguns posts sobre a perda de pessoas amadas já me fizeram chorar na frente do micro como se fossem minhas pessoas amadas. Ri tanto de alguns casos ridículos como se eu estivesse lá pessoalmente.</p>
<p>Já outros autores parecem que não podem nos falar o que viveram, tem algum tipo de pudor ou ainda não elaboraram a experiência. Então o texto fala vagamente que algo aconteceu, mas não me diz o quê. O autor  fala do que foi aprendido sem me explicar o caminho; são conclusões pessoais descontextualizadas. Nesse caso, é fácil o texto cair numa série de lições, que podem ser amargas ou parecidas com auto-ajuda. Pra quem não sabe o que aconteceu não faz muito sentido. É igualzinho quando duas pessoas conversam disfarçadamente porque não querem te contar a fofoca. Por exemplo: se leio um texto onde a autora conta que foi traída várias vezes, por homens diferentes e em quem depositava sua confiança, o texto me deixará indignada, talvez eu conclua que os homens são todos uns canalhas. Já se eu ler um texto que fala, simplesmente, que os homens não prestam, aquilo me soará como simples clichê. Não sei como ela chegou a isso, não tenho como ter empatia.</p>
<p>Acho que não dá para cobrar do leitor algo que você já não tenha oferecido a ele. Se você procura tocar as pessoas, tem que se mostrar de carne e osso primeiro.</p>
</div><p><ul>
<li><a href="http://livroseafins.com">Livros e afins</a></li>
<ul></p>
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