Cartas de Machado de Assis e as cartas que não escrevemos mais

Cartas eram uma forma de comunicação à distância que as pessoas usavam antigamente. Você escrevia em um papel, mais das vezes à mão, dobrava-o e colocava-o dentro de um envelope.

Depois, o envelope era lacrado e endereçado. Você precisava colocar um selo a fim de que os Correios (empresa que existe até hoje) levassem a mensagem ao destinatário.

Sério: você colocava esse envelope em uma caixa que fica na rua (ainda há algumas por aí) e, depois de poucos dias, ele chegava inviolado com quem que você quisesse falar.

Até parece brincadeira eu estar explicando isso pra você. É provável que você até saiba do que se trata. Mas, até quando as pessoas saberão?

O fato é que o trabalho de escrever, endereçar e esperar a resposta – isto é, a falta de imediatismo – acabava dando ares de arte à coisa. Sem falar no prazer que era receber uma carta.

Por exemplo, quando eu tinha 19 anos – acho – cheguei a escrever 70 cartas a uma garota por quem eu era apaixonado. Embora ela só tenha respondido uma ou duas vezes, guarda todas até hoje.

Lembro que havia até uma ou outra aula na disciplina de “Comunicação e Expressão” em que o aluno era incentivado a escrever uma a um personagem imaginário: um amigo, um parente, um personagem histórico ou um personagem ficcional.

Não que emails sejam ruins. Eu adoro receber emails e gosto de saber que eles chegam ao destino segundos depois de enviados, com relativa segurança.

Claro que, nem sempre, o destinatário responde com a mesma presteza. Mas, de certa forma, os emails também banalizaram a comunicação escrita. Para bem e para mal, pois as mensagens eletrônicas, do mesmo modo, tem a virtude de recuper a comunicação por escrito,

As mensagens, na média, se tornaram mais descuidadas e mais monossilábicas, sujeitas a interpretações erradas e, em alguns casos, sem tempo de pensar sobre o que escreveu, o remetente acaba por dizer coisas que não diria se pudesse meditar alguns minutos mais, durante os momentos que há entre lacrar o envelope e colocá-lo na caixa.

Resolvi falar tudo isso porque no início da semana descobri um site que tem cartas de Machado de Assis que vão de 1862 a 1908. Certamente uma preciosidade para quem quer que queira saber um pouco mais sobre o escritor e para quem precisava de um incentivo a mais para voltar à prática de escrever uma carta.

Lembre do prazer que é receber uma. Neste Natal, não mande cartões. Mande cartas.

Postado em Escrita.

Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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