
Como se fosse um presente, uma ofensa não aceita permanece com quem a oferece.
Talvez com essa filosofia, um ou outro blog conhecido por polemizar por esporte tenha sugerido a adoção de uma posição mais passiva – e mais a seu gosto – diante da campanha do Estadão.
- Leia a entrevista com o diretor de criação da campanha do Estadão, João Livi, publicitário da Talent.
De fato, não acho que tenha sido a intenção da empresa jornalística ou do publicitário responsável pela criação do material desvalorizar os blogs como um todo. Mas apenas blogs ruins e outros tipos de sites ruins.
O plano, suponho, era posicionar o Estadão como fonte de confiança numa internet em que predominam as informações sem credibilidade e a enganação, ambiente em que é dada ao leitor toda a responsabilidade de filtrar tudo aquilo que lê.
Realmente, o leitor é responsável por isso.
Eu, quando leio, sou.
Mas um editor que faz um blog de qualidade cuida para que seu público tenha o mínimo de ocupação com essa tarefa.
Eu, quando escrevo, cuido.
Disso, creio, deriva a credibilidade, a qualidade e a reputação de qualquer veículo de comunicação. Seja o New York Times, seja o Blog do Zé das Couves.
Porque o editor também assume sua responsabilidade como blogueiro. Eu, como outros mais sensatos, defendo a responsabilidade também de quem escreve.
Note que os mesmos blogs – ou o mesmo blog – com tendência a ignorar a questão são os mesmos – ou o mesmo – que costumam jogar toda a responsabilidade, ou boa parte dela, sobre a recepção.
E não sobre a emissão da informação.
Ao mesmo tempo em que são blogs – ou blog – que já têm uma boa audiência. Supostamente bons e de confiança. Portanto, imagino que para esses – ou esse – a posição passiva, nesse caso, seja a mais confortável.
A campanha visava apenas os blogs ruins. Mas todos os blogs foram atingidos.
Para boa parte do público, blogs são blogs. Uma grande massa de diários online sem relevância informativa e nada mais que isso.
O problema da nova campanha do Estadão é que ela surgiu num momento em que uma parcela de editores de blogs vêm começando a querer mudar o cenário. Foi, em conseqüência, um erro de momento. Não foi uma boa hora para veiculá-la.
Não uma maldade ou uma defesa contra a blogosfera, bolha assassina de grandes portais: hoje ela ainda é insignificante no Brasil e no mundo – basta ver como se posicionam os 100 primeiros blogs brasileiros no Tehcnorati em relação ao resto do globo. Somos apenas uma quermesse.
Foi apenas um erro publicitário.
Porém, embora só os editores de blogs de baixa qualidade devessem se sentir atingidos por esse equívoco, não creio que estes venham a se manifestar. Pelo menos não com contundência.
Resta aos blogs de qualidade, aos que assumem a sua qualidade, esse papel.
Fico pensando o que um psicólogo que mantenha um blog a sério tenha imaginado ao ver isso.
Ou o que achou um professor universitário que usa os blogs como material de apoio.
A passividade é calar. Logo, concordar com a campanha
A campanha visava apenas os blogs ruins. Mas todos foram atingidos.
É um dos casos em que ficar quieto implica ter vestido a carapuça. Há que se vesti-la, mas do avesso.
A passividade, sugerida por um ou outro blog conhecido por ser polêmico por esporte, é calar. Logo, consentir.
Recomendo que se aceite a ofensa. Para atirá-la de volta imediatamente. Com classe e efeito. No ângulo.











