Aaaah, a leitura de bons livros.

Aquela conhecida sensação inebriante e arrebatadora após o término da fantástica obra que acompanhou sua vida por semanas.

Este é um dos meus maiores prazeres. Começar um livro e, durante a leitura, ser absorvido de maneira tão absoluta para dentro dele que fica difícil até diferenciar realidade da fantasia.

[ Começou a ler um livro? Já era, você (re)começou uma história sem fim. ]

A escolha de palavras do autor é tão fascinante que você não desgruda. Gosta tanto do que lê, que entrega-se de corpo e mente, permitindo o escritor conduzir sua imaginação por caminhos jamais percorridos.

Você tem suas loucuras e, certamente, já divagou criando personagens completamente únicos. Mas dificilmente imaginaria um cachorro gigante, voador, amável, falante e sábio. Se imaginou, não o teria feito dentro do contexto daquela tão linda estória da qual a cena acima foi extraída. Tais estradas, únicas e apócrifas ao seu próprio mundo, mudarão para sempre seu destino final.

Causam-lhe sensações tão extraordinárias que sente uma profunda agonia toda vez que há necessidade de fechar o livro, mesmo que por um motivo importante. É como se você estivesse matando uma parte de si, destruindo aqueles lampejos de imaginação ilimitada e desconectando-se de algo que tanto adora.

A cada parágrafo, página, folha, capítulo, você se sente mais completo, entendendo e aceitando a sua razão de ser. Até que chega o triste momento: a última palavra. Incrédulo, agitado ou eloquentemente feliz, você fecha o livro e sente vontade de gritar, correr e se movimentar.

Quer gritar aos quatro cantos:

– Ei! Leia esse livro.

Mas percebe que seria em vão. Eles não entenderiam. Aliás, como o fariam sem terem vivenciado aquelas explosões de alegrias, tristezas e diversas outras emoções tão transcendentes?

Então desiste de convencê-los, mas mantém aquele espírito de garra, vibração infinita e vontade de dar o máximo de si para a vida, afinal de contas, compreende que isso é o mínimo que você pode fazer por ela.

Talvez só assim, eles te compreendam, mesmo que sem ler o livro. E toda vez que perguntassem, de onde é que tira tanta garra e energia?

Você responderia:

– De onde os escritores me levaram.

Aaah, os bons livros…

Sobre o autor: Lauro Valente

Um cara aficionado por novas tecnologias e seus usos para agregar mais valor à sociedade, ampliar o conhecimento e a visão de mundo.