Repentinamente há uma cobrança em relação aos blogs para o fato de que, para que passem a ser bons, comecem a produzir conteúdo original.
É um equívoco. Não procede.
Acho muito boa a iniciativa do Edney Souza com a idéia da Blogagem Inédita, mas também acho importante que não se produza conteúdo original como se isso fosse para provar algo. Basta mostrar que é possível. Só.
Blogs podem produzir conteúdo inédito. E isso é excelente. Parabéns para aqueles que já o produzem. Mas não é uma condição sem a qual não é possível um bom blog.
Vou recorrer às palavras de um dos pioneiros do formato blog na internet, Jom Barger. Bem, ele deve entender um pouco do assunto:
Um blog verdadeiro é um log de todos os sítios que você gostaria de salvar ou dividir. (Então, hoje, o del.icio.us é melhor para os bloggers do que o próprio Blogger). Você pode, é claro, colocar links sobre você fora do seu blog, mas se o blog tem mais posts originais do que links, recomendo aprender um pouco de humildade.
Esse é o blog em sua origem. O blog de raiz, meu caro. Se você acha essa função pouco ambiciosa, recomendo que dê uma olhada no texto da Samantha Shiraishi, em que ela apresenta uma citação de Tiago Dória:
Acredito que a principal coisa que aprendi com o blog é que agregar é tão importante quanto criar conteúdo original. É relevante você não somente produzir conteúdo, mas ser uma espécie de hub de coisas interessantes que estão acontecendo por aí. Uma espécie de DJ de conteúdo.
Quem acha que o conteúdo, para ser bom, precisa ser original, parou na época em que as informações eram centralizadas pelos grandes meios de comunicação.
Agora, os meios de comunicação são mais esparsos e tendem a aproximar interesses. Como nas fogueiras em torno das quais os viajantes se sentavam e trocavam histórias. Naquelas noites de conversa, antes do amanhecer e o seguir da viagem, ninguém produziu nada de novo. Apenas transmitiram. O mais importante, agora, é a propagação e a distribuição com fidelidade.
Pode-se deixar o conteúdo “inédito” para a mídia antiga.
O “inédito” entre aspas, como disse o Edney, é proposital.











