O mimimi dos jornais acerca do blog da Petrobras mostra o quanto essas instituições estão despreparadas para a liberdade com que as informações podem circular atualmente.
Os jornalistas, no entanto, podem pensar diferente.
Isso se comprova com uma simples observação: a entidade que representa os jornais, as empresas, manifestou-se contra e a entidade que representa a imprensa, a favor ao fato de o blog da Petrobras publicar com antecedência as respostas às perguntas enviadas à empresa.
Eu como leitor, se for preciso e se for o caso, prefiro acompanhar o que um dos lados de uma matéria tem a dizer fazendo isso no veículo do próprio “outro lado”. E quanto mais rápido a resposta à determinada inquietação surgir, para mim e para a sociedade, melhor.
Se eu fosse um jornalista, ficaria muito feliz em saber que as possíveis respostas já estão no veículo da empresa, entidade ou pessoa que provocouas perguntas.
Isso faria sobrar papel, no caso dos impressos, e tempo, no caso da internet, para apontar outros pontos de vista, outras versões dos fatos e fazer a análise crítica da situação. Quem quisesse ver as versões completas já saberia onde ir.
E a questão da parcialidade está bem clara para o público: a Petrobras, neste exemplo, fala pela Petrobras. É a visão parcial. E não há problema na parcialidade desde que ela seja explícita, como é.
Ao jornal cabem as contra-respostas ou novas perguntas, se for o caso, feitas para outras partes envolvidas. As vozes por trás da voz se houver.
Nos jornais, me desculpem os idealistas, imparcialidade desde sempre foi conversa para boi dormir. O jornalista, a pessoa, por mais nobre que seja, só consegue ser imparcial quando quem lhe paga o salário deixa. Ou seja, só se consegue ser imparcial em assuntos de pequeno interesse, para os buracos na rua, às vezes nem isso.
Fica difícil saber de quem são as vozes que falam em uma notícia diante de tantas edições e aspas estrategicamente escolhidas que, mesmo literais, podem fazer diferença se colocadas em um parágrafo ou em outro.
O que me deixa um tanto indignado com as empresas que se manifestaram contra o blog é que o descontentamento foi causado por conta de respostas a perguntas enviadas por email terem sido publicadas com antecedência.
Cá entre nós, todo o mundo espera do Jornalismo, isso que Joel Silveira fazia e não existe mais, coisas um pouco melhores que perguntas enviadas por email. Creio que um jornalista de verdade só ficaria insatisfeito no caso de a empresa não respondê-las.
O Jornalismo – vamos chamar de Jornalismo Profundo – não está nas perguntas que a Petrobras responderia e respondeu em seu blog, não importa em que horário, se antes ou depois da hora combinada (!).
Ele está nas perguntas que a Petrobras não responderia e não respondeu. Está não no que se revela, mas no que se esconde.
Ninguém pergunta ao mágico como funciona o truque. Ele jamais dirá. Mas questione o coelho e aí quem sabe você terá alguma coisa.
O blog da Petrobras dá mais tempo para os jornalistas buscarem o coelho ou então, ao menos, comentarem as inconsistências dos salamaleques do mágico.
Enquanto isso os jornais reclamam do tal blog da empresa – que também tem Twitter.
E publicam o resultado de jogos de ontem.
PS – Enquanto escrevia isto, tive a curiosidade de procurar o juramento feito na formatura dos estudantes de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo ou Publicidade: Como Bacharel em Comunicação Social prometo buscar meus ideais seguindo a meta de trabalho que livremente escolhi, comunicando com ética, honestidade e responsabilidade aquilo que aprendi. Prometo promover a aproximação entre as pessoas para que possam compreender o sentido da comunicação na sociedade e na humanidade.
Espero que os verdadeiros jornalistas, portanto, nos ajudem a compreender o sentido disso tudo. Pois o sentido da comunicação na sociedade e na humanidade agora é este.








