Biblioterapia: vivemos num mundo doente? Tudo tem que ser terapêutico?

Leio no Baguete que a School of Life, de Londres, lançou um projeto de biblioterapia.

Por um preço – não exatamente barato -, o sujeito ganha a indicação de leituras que vão curá-lo de suas inquietações psicológicas, quiçá físicas. Não tenho como avaliar se a modalidade surte efeito ou não. Talvez surta, não sei.

Mas não há como negar que os livros têm efeitos benéficos sobre qualquer leitor, seja ele doente ou não.

Mas eu fico pensando: tudo tem que ter uma finalidade terapêutica? Tudo tem que ter um benefício extra além da própria fruição do prazer que a atividade proporciona? A leitura – no caso – não se basta?

Sou praticante de Yôga Antigo e há alguns anos a prática era confundida com terapia. Se você dissesse que fazia ou estudava yôga, imediatamente alguém perguntava do que você estava doente. Felizmente, isso já mudou quase que completamente.

Acerca das necessidades terapêuticas do mundo, tomo emprestada as palavras do Dr. Patch Adams – o verdadeiro, não o do filme:

Não concordo com “rir é o melhor remédio”. (…) Infelizmente, os meios de comunicação, sendo como são, muito antes de me conhecer, imaginam que rir seja o melhor remédio. Então, quando escrevem o artigo, põem essa frase porque o fazem, na realidade, sem pensar. Também quero corrigir a idéia de que rir seja uma terapia. Também nunca penso em música como terapia, nem em arte, nem em dança. Nunca precisam da palavra “terapia”, que é pequena para ajudar. A arte não precisa de ajuda da palavra “terapia”. É a cultura humana. Não fazemos terapia de cultura. Se estamos saudáveis, fazemos cultura.

Achei particularmente notável essa declaração ter vindo do médico, que graças a um filme, ficou conhecido como o Doutor do Riso: o riso não deve ser terapia.

Nada precisa ser terapia.

No caso dos livros, existem muitos que exigem perfeita saúde de seus leitores.

Postado em Hedonismos.

Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.