Biblioteca Pote de Mel: pegue um livro. Devolva quando quiser
10 de julho de 2008 | Publicado na Categoria Bibliotecas | 89 Comentários »Todo dia, após deixar Júlia no ponto do ônibus que a leva para dar aulas de yôga para os funcionários de uma empresa na Região Metropolitana de Curitiba, vou para a Panificadora Pote de Mel, peço um café, um pão com manteiga e abro um livro.
Foi natural ter surgido ali, onde sou tão bem recebido, a idéia de fazer uma biblioteca livre onde você pode pegar um livro sem fazer nenhum tipo de cadastro e devolvê-lo quando quiser. Sei que muitos desses livros podem desaparecer da prateleira, mas estou pronto para isso. Na verdade, até conto com isso, pois acredito que livros devem circular. Muitos eu poderei repor com outros títulos e talvez a biblioteca até receba doações mais adiante.
Fiquei feliz ao saber como os donos da panificadora abraçaram a idéia rapidamente e já estão providenciando uma estante da qual publicarei uma foto assim que ela for instalada.
Eis a lista de livros com que ela começa:
- Lord Jim, de Joseph Conrad
- Germinal, de Emile Zola
- Antonio Carlos Jobim – Um Homem Iluminado, de Helena Jobim
- Viagem ao Fim de Noite, de Louis-Ferdinand Céline
- A Vida de Rimbaud, de Pierre Matarasso e Henri Petitfils
- Operário em Construção, de Vinicius de Moraes
- Ficções do Interlúdio – Poemas Completos de Alberto Caeiro, de Fernando Pessoa
- Ficções do Interlúdio – Poesias de Álvaro de Campos, de Fernando Pessoa
- A Segunda Vida de Francisco de Assis, de José Saramago
- A Maçã no Escuro, de Clarice Lispector
- Pequena História da Música Popular, de José Ramos Tinhorão
- O Futuro Dura Muito Tempo, Louis Althusser
- Vinho para leigos, de Ed McCarthy e Mary Ewing-Mulligan
- O Jogo da Amarelinha, de Julio Cortázar
- Ua:Brari, de Marcelo Rubens Paiva
- Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva
- Diálogo sobre a encenação – Um Manual de Direção Teatral, de Manfred Wekwerth
- O Arco e a Lira, de Octavio Paz
- Engraçadinha – Seus Amores e Seus Pecados dos 12 aos 18 Anos, de Nelson Rodrigues
- Luz de Agosto, de William Faulkner
- Santuário, de William Faulkner
- A Hora dos Ruminantes, de José J. Veiga
- São Bernardo, de Graciliano Ramos
- Stalker, de Arkadi e Boris Strugatski
- A Casa dos Mortos, de Dostoievski
- Um Rosto na Noite, de Patricia Highsmith
- O Satânico Dr.No, de Ian Fleming
- Os Ratos, de Dyonelio Machado
- Um Marido Ideal, de Oscar Wilde
- Bola de Sebo e Outros Contos, de Guy de Maupassant
- Como Eu Se Fiz por Si Mesmo, de Jamil Snege
- Morte na Alta Sociedade, de Georges Simenon
- Chega de Saudade, de Ruy Castro
- A Torre Ferida Por um Raio, de Fernando Arrabal
- Os Funerais de Mamãe Grande, de Gabriel Garcia Marquez
- O Jogo das Contas de Vidro, de Hermann Hesse
- O Carnaval dos Animais, de Moacyr Scliar
- Um Parceiro Desconhecido, de Jerzy Cosinsky
- O Avesso das Coisas, de Carlos Drummond de Andrade
- Edgar Allan Poe, de Ivan Schmidt
- Dr. Jekyll e Mr. Hyde, de Stevenson
- Cartola, Os Tempos Idos, de Marília Barboza da Silva e Arthur de Oliveira Filho
- Recado de Primavera, de Rubem Braga
- Dedé Mamata, de Vinicius Vianna
- Pequena Casa de Jornal, de Nilson Monteiro
- Babbit, de Sinclair Lewis
- Estorvo, de Chico Buarque
- Macunaíma, de Mário de Andrade
- Rastros de Verão, de João Gilberto Noll
- Treblinka, de Jean François Steiner
- Tubarão, de Peter Benchley
- Kalki, de Gore Vidal
- Limite Branco, de Caio Fernando Abreu
- Sursis, de Jean Paul Sartre
- Picasso, Criador e Destruidor, de Arianna Stassinopoulos Huffington
- O Imoralista, de André Gide
Cada um deles traz a seguinte mensagem:
Biblioteca Pote de Mel
Funcionamento1. Leve este livro para onde quiser durante o tempo necessário;
2. Cuide dele. Depois de ler, devolva;
3. Este livro não deve pertencer a ninguém;
4. Se ele estiver em prateleira particular, leve-o, leia-o, passe-o adiante ou devolva à Biblioteca Pote de Mel;
5. Se quiser, doe um livro para a Biblioteca Pote de Mel.Panificadora Pote de Mel – Rua Conselheiro Araújo, 168 – Curitiba – Paraná
Livros devem circular
Um livro fechado está adormecido.
Se um livro acorda, uma pessoa acorda.
A Pote de Mel é um lugar extremamente democrático. Perto dela ficam a reitoria da Universidade Federal do Paraná e o gigantesco Hospital de Clínicas, onde pessoas de todo o Paraná e do Brasil vêm fazer tratamento, além de muitos outros estabelecimentos comerciais e educacionais.
Por ela passam universitários, médicos, pacientes e pedestres de todas as classes sociais. Por outro lado, o atendimento é de primeira, humano e igualitário. As moças recebem os pedidos no balcão e os levam às mesas, sempre sorridentes, sem distinção. Uma ilha de civilidade no meio do caos urbano e frente ao plástico das praças de alimentação dos shoppings e demais franquias de alimentícias. Para mim, é um lugar onde ainda se pode usar a palavra freguês no lugar da palavra cliente. Em pleno centro da cidade de Curitiba.
Por outro lado, foi ali que percebi que chega uma idade em que você descobre que não pode mudar o mundo inteiro. Basta mudar um pedaço dele, aquele que cerca você. Já é suficiente e, ao mesmo tempo, não é pouca coisa.
Como você deve ter percebido, faltam livros infantis e revistas em quadrinhos entre os livros que pude doar. Todos os livros são bem-vindos.
Envie-os para:
Panificadora e Confeitaria Pote de Mel
Rua Conselheiro Araújo, 168 – Curitiba – Paraná
CEP 80060-230
Acho bonito que você possa encontrar livros no mesmo lugar onde encontra o pão.

Ideia extremamente original e tocante.
Parabénzíssimo pela iniciativa de doar! Projetos como esse estão cada vez mais comuns, e estão dando muito certo. Aqui em Brasília já são 2, espero que cresca aí em Curitiba também!
Muito digno, querido! Adorei a sua idéia!
Tenho uma amiga que faz aquelas coisas de “perca um livro em algum lugar”, em cima dessa idéia que livros devem circular mesmo! Infelizmente, eu não teho livros que eu queira doar, se não eu te mandava. Mas conheço alguém que talvez tenha alguma doação a fazer e vou mandar o link desta postagem. Qualquer coisa eu te aviso ;o)
Bjocas e muito boa sorte
Parabpens pela iniciativa =)
Eu gostaria de ler A Casa dos Mortos… mas moro tão longe da Pote de Mel!
Também acho que pão e leitura combinam muito bem – se você visse o teclado do meu micro…
Cara… é a idéia mais legal do mundo.. verei em minhas prateleiras se há alguns títulos adormecidos.
Abraços
Muito legal…te admiro e amo cada vez mais…tomara q muitas outras bibliotecas como esta iniciem pelo seu exemplo…seria legal saber q isto aconteceu
Parabéns amigo Alessandro!
E dê os parabéns para o pessoal da Pote de Mel também. Pode avisar que quando eu passar na frente vou parar para pegar um livro e aproveito para comprar um pão…
E aproveite a deixa, isso é matéria fácil para aparecer no jornal estadual das emissoras de TV… :-)
Uma atitude louvável! Será uma biblioteca de qualidade além de tudo.
Estou com um tempo meio corrido, mas darei uma olhada nos meus livros e verei o que posso doar, e farei uma campanha com meus amigos para arrecadar também.
Sempre tive um sonho de montar uma biblioteca comunitária, mas enquanto ela fica no mundo das idéias colaboro com o teu projeto que está agora no terreno da práxis.
Parabéns.
Gostei do acervo e da filosofia, vou ver se acho alguma coisa para te mandar, abraço.
Digna de você esta incrível idéia. São correntes assim que elevam o livro a um lugar supremo. Intocável, como um Olimpo de deuses escritores.
Parabéns Ale!
Aplaudo de pé e digo mais: acho que vou começar a frequentar a bibliopani.
Beijos!
Que excelente iniciativa! Aposto que daqui a um tempo as pessoas passarão a se reunir na panificadora-biblioteca para discutirem o que estão lendo.
Ao invés de “pão e circo”, pão e livro. Excelente combinação.
Parabéns Alessandro e aos proprietários da Pote de Mel. Atitude de primeiro mundo!!!! A oportunidade dada a todos, que por ali transitam, de ter acesso a cultura,é simplesmente o máximo!!!
Parabens a vc Alessandro e a todos da Pote de Mel ! Vcs estao plantando um jardim que so almas brilhantes conseguem imaginar, so se colhe quando se planta…..vcs estao plantando Luz nas outras almas !!!!
Com certeza contribuirei !!!!
Alessandro, não o conheço pessoalmente, mas pelos frutos se conhece a árvore. Cumprimentos pela iniciativa e pelo acolhimento da Panipotedemel. Excelente trabalho de ambos na divulgação do conhecimento. Visitarei e deixarei minha colaboração.
Q coisa mais linda… Vou adorar se algo assim rolar aqui em Sampa.
Simplesmente genial. É o fácil acesso que instiga a curiosidade. Parabéns! Vou praticar o desapego e doar também! E quero tomar um café nesse lugar. Beijos.
Belíssima idéia! meu parabéns aos realizadores!
Aprendi isso, de deixar o livro circular, com um amigo, ele me emprestou vários livros de uma coleção sem nenhum receio ou recentimento pelas eventuais “orelhas” e páginas um tanto gastas.
Maravilhoso!
Adorei a idéia. Já participo aqui em São Paulo de esquecer,deixar num banco de praça um livro.
O meu filho mora aí em Curitiba e tenha certeza da próxima vez que eu for visitá-lo vou levar um livro de presente para a biblioteca.
Um abraço,
marcia ovando
Muito Bacana, quando eu me mudar para uma ergião mais central de Porto Alegre, quero fazer o mesmo. Nossa Feira do Livro é otima, mas falta algo comunitário e não somente um paraiso para livrarias.