A imagem do planeta suportado por um ser descomunal que, por sua vez, é suportado por outro ser descomunal e daí por diante é recorrente. Todo mundo já ouviu falar de algo assim e todas as culturas têm algo do gênero.
Um dos mitos que responde a essa alegoria das causas e e dos efeitos e alude a uma causa primeira é Bahamut.
Lemos em O Livro dos Seres Imaginários, de Jorge Luis Borges:
Deus criou a Terra, mas a Terra não tinha sustentáculo e assim por baixo da Terra criou um anjo. Mas o anjo não tinha sustentáculo e assim por baixo dos pés do anjo criou um penhasco de rubi. Mas o penhasco não tinha sustentáculo e assim por baixo do penhasco criou um touro com quatro mil olhos, orelhas, ventas, bocas, línguas e pés. Mas o touro não tinha sustentáculo e assim por baixo dos pés do touro criou um peixe chamado Bahamut, e por baixo do peixe pôs a água, e por baixo da água pôs escuridão, e a ciência humana não vê além desse ponto.
O touro anterior ao peixe chama-se Kujata, ao qual Borges dedica um capítulo:
De acordo com um mito islâmico, Kujata é um grande touro dotado de quatro mil olhos, quatro mil orelhas, quatro mil narizes, quatro mil bocas, quatro mil línguas e quatro mil pés. Para locomover-se de um olho a outro ou de uma orelha a outra, bastam quinhentos anos.
O incomensurável e o imponderável sempre fascinaram Borges e a humanidade em geral.
E vocês ainda não viram o tamanho do anzol.









