Aquecimento global: quem pode provar que a atividade humana não tem nada a ver com isso?

Vale a pena provar que o aquecimento global não é causado pelo homem, mas que ele teria causas naturais que estão além da vontade política das nações.

São muito altas as recompensas para quem descobrir que não há diminuição da camada de ozônio, ou que o aquecimento global é insignificante. Há muitas indústrias e indivíduos poderosos e ricos que se beneficiariam, se essas alegações fossem verdadeiras.

O raciocínio, encontrado no livro Bilhões e Bilhões, de Carl Sagan, publicado em 1997, é correto. Certamente, existe pelo menos um milhar de cientistas altamente capacitados sendo muito bem pagos para encontrar evidências de que não é o homem quem pisa no acelerador do aquecimento global. A questão é: onde estão essas evidências?

Por certo que são ainda mais fracas que as que fizeram os 2500 cientistas da Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática afirmarem que o aquecimento global é “muito provavelmente” causado pela mão humana.

Para mim a primeira coisa a ser comprovada é a existência do aquecimento global e suas conseqüências. E a melhor evidência para tal não está nos termômetros nem nos centros meteorológicos, mas na cautelosa postura das poderosas empresas de resseguro.

Tempestades violentas e outros extremos do clima que são provocados pelo efeito estufa, enchentes, secas e assim por diante poderiam “levar a indústria à bancarrota”, diz o presidente da Associação de Resseguros Norte-Americana. Em maio de 1996, citando o fato de que seis dentre os dez piores desastres naturais na história do país ocorreram na década anterior, um consórcio de companhias de seguros norte-americanas patrocinou uma investigação do aquecimento global como causa potencial. Companhias de seguro alemãs e suíças têm pressionado para que se diminuam as emissões de gases-estufa.

Uma evidência econômica, portanto.

Esse tipo de empresa não dá um passo sem que exista certeza absoluta de risco real. Observe-se que elas, inclusive, recomendam que se reduza a emissão dos gases que comprovadamente provocam o efeito estufa. Não são ONGs comandadas por ripongas tocando Cumbaiá com algum instrumento indígena. São fábricas de dinheiro encabeçadas por senhores engravatados capazes de vender a mãe para amealhar mais alguns centavos. Não que os ripongas não tenham credibilidade e não mereçam respeito, mas digamos que já faz algum tempo que as verdinhas falam mais alto que alguns acordes desafinados e irritantes de uma canção folclórica.

Um argumento que pode ser usado contra a hipótese de ser o homem o causador de tantos problemas é que o planeta Terra passa por seqüências de eras glaciais nos últimos, digamos, 150 mil anos. Estaríamos agora no que é chamado de intervalo interglacial. A diferença entre uma era glacial e um intervalo interglacial é de apenas algo entre 3 a 6 ºC. Mas há 150 mil anos a temperatura vinha oscilando numa faixa de 5 ºC. Por que justamente a partir da Revolução Industrial esse valor passou a ser excedido? Não sei. Você tem uma pista?

O engraçado é que, para chegar a essas medições, os cientistas especializados precisaram avaliar o clima daquela época estudando as geleiras. E para tirar amostras de regiões muito profundas para análise recorrem à tecnologia da indústria do petróleo: uma pequena ironia que ajudou os pesquisadores a descobrir que as variações de temperatura durante todos esses séculos estavam ligadas à quantidade de dióxido de carbono na atmosfera. Curioso. Não foi a partir da Revolução Industrial que as emissões de dióxido de carbono passaram a aumentar? Não sei. E, agora, você tem uma pista?

Hoje, a humanidade é responsável pela entrada anual de 7 bilhões de toneladas desse gás na atmosfera.

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Postado em Livros e Afins.

Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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