Claro que você já deve ter assistido Apocalypse Now, de Francis Ford Copolla. Considero-o, assim como Além da Linha Vermelha, de Terrence Malick, um dos melhores filmes de guerra já feitos.

Mas justamente porque os dois não são exatamente sobre a guerra que existe do lado de fora dos homens. Ela, a guerra, é um fenômeno brutal, mas apenas um efeito colateral de alguma coisa ainda pior.

Talvez você já saiba que Apocalypse Now é uma adaptação do livro O Coração das Trevas, de Joseph Conrad. Livro que também fala dessa coisa possivelmente pior.

Recentemente, em minhas navegações pela internet, encontrei no Anotações de Cronópio, um trecho interessante de O Coração das Trevas que pode dizer muito a nós internautas, tão afeitos às metáforas marítimas.

… a maioria dos marujos leva, por assim dizer, uma vida sedentária. Eles sempre se sentem em casa, pois sua casa sempre os acompanha – o navio; bem como seu país – o mar. Um navio é muito parecido com outro, e o mar é sempre o mesmo. Num ambiente imutável, os litorais estrangeiros, as fisionomias estrangeiras, a variada imensidão da vida – tudo passa imperceptível, velado não por um misterioso sentido, mas por uma ignorância levemente desdenhosa; pois não existe mistério para um homem do mar, a não ser o próprio mar, que é senhor de sua existência e inescrutável como o Destino. Quanto ao resto, nas suas horas de folga, uma caminhada casual, ou uma eventual bebedeira em terra bastam para revelar-lhe o segredo de todo um continente – e geralmente acha que o segredo não vale a pena ser conhecido. As histórias dos homens do mar têm uma simplicidade direta, cujo significado cabe inteiramente na casca de uma noz partida.

Eu ia falar aqui sobre como Marlon Brando, Martin Sheen e Robert Duval estão ótimos em Apocalypse Now e até comentar algumas cenas preferidas, sobretudo da versão Redux, mas – depois dessa – vou deixar a coisa por aqui.

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