Uma amiga certa vez me disse que a única diferença entre um relacionamento “aberto” e um “fechado” era que, no aberto, as duas pessoas (ou mais, vai saber) conversam sobre esse assunto.

Classificar os relacionamentos em abertos e fechados, no entanto, é por demais redutor.

Existem relacionamentos “abertos” que são fechados em seus princípios éticos e convicções emocionais, intelectuais e filosóficas e relacionamentos “fechados” que são abertos de um modo hipócrita e pernicioso para ambas as partes.

Além disso, existem diversas maneiras de um relacionamento ser “aberto” ou “fechado”.

Porém, este texto não é sobre relacionamentos em si, mas sobre minha postura diante da vida e das pessoas com quem me relaciono. Afinal, no fim das contas, a única coisa que conseguimos controlar no mundo são nossas posturas e maneiras de ver a vida.

Assim, estas palavras não pretendem convencer você de nada. São apenas uma declaração.

Cheguei a algumas conclusões recentemente, que expus em algumas afirmações curtas no Facebook e que, para meu espanto (na verdade, até já esperava isso) tiveram sólido apoio.

A primeira foi:

Ao perceber que a vida é curta para amar todas as mulheres que quero amar, decidi amar várias ao mesmo tempo. (link: clique e participe do debate)

Essa, que para um leitor mais grosseiro poderia ter soado como uma declaração de canalhice assumida ou de identificação com o mais vulgar “malandro galã de novela das sete ou das oito”, teve anuência sobretudo feminina.

De fato, eu costumo amar várias mulheres ao mesmo tempo. Entendo e compreendo as pessoas que, por algum motivo, não veem essa possibilidade para si (ou simplesmente a ignoram, como se fosse mentira; ou simplesmente a aleijam como se fosse pecado). Mas eu amo. De iguais e diferentes maneiras, com diferentes intensidades e intenções, mas todas sinceras.

Não pretendo mais fazer isso em silêncio. Como aliás, a maior parte das pessoas silencia e sufoca seus desejos, no medo da perda. Um amor não é um bem material, algo que se possa perder, mas algo que você engendra a partir de si mesmo e da sua capacidade natural de amar que nasce com cada um de nós.

Assim, de agora em diante, da melhor maneira possível, deixarei isso claro para todas as mulheres com quem me relacionar. Eu não quero que ela se sinta única porque eu a amo. Eu quero que ela se sinta única porque ela é única sem precisar do meu amor.

Quantos de nós, são assim, não deixam esse fato claro e, na calada, traem, sofrem e fazem sofrer?

Desse modo, quem me amar terá de entender essa verdade.

E, finalmente, fiz a segunda declaração deixando claro que respeito as opções das outras pessoas, redundância necessária nas redes sociais (pessoas mais rudimentares podem tomar declarações como tentativas de convencimento ou mesmo ofensas pessoais, como se o modo de vida de outro fosse algo que dissesse respeito diretamente a elas):

Embora eu respeite as opções, preferências e crenças DE TODOS, a monogamia (ou a monoandria) faz tanto sentido PARA MIM quanto encontrar uma sobremesa preferida e só poder comer aquela sobremesa o resto da vida, perdendo, repentinamente, o direito de experimentar as outras. Embora secreta e reprimidamente as deseje.

Claro que a comparação é rasa, considerando que as pessoas são muito mais interessantes e cheias de nuances que um doce, mas dá para entender o que eu quero dizer.

Ah, sim. Nem todas as pessoas são mais interessantes que uma sobremesa. Depende da pessoa, depende da sobremesa. Eu, por exemplo, não como gelatina de jeito nenhum. (link: clique e participe do debate)

Entendo que deixando essas posturas claras desde o início de qualquer relacionamento permito que a outra pessoa possa escolher o que é melhor para si, caso não aceite ou não entenda esse tipo de posicionamento frente à vida, evitando mágoas e podendo buscar alguém mais adequado a seu modo de viver.

E, por outro lado, posicionando-me com clareza frente à vida, eu tenho a chance de vivê-la, com maior riqueza emocional, sexual e intelectual.

É desnecessário dizer, mas direi mesmo assim, a vida é só uma. Não vale a pena vivê-la sendo diferente do que você é. Já vivi 38 anos dela e acho que estou cada vez mais perto de ser aquilo que realmente sou.

Leia mais sobre minha visão a respeito de relacionamentos

Sobre o autor: Alessandro Martins

Sou o editor deste blog. Trabalhei como jornalista em Curitiba de 1995 a 2008, quando fui demitido e passei a me dedicar a escrever apenas na internet, em blogs e mídias sociais. Agora estou publicando minha newsletter que tem milhares de leitores: assine!