patos

Um livro que todos deviam ter para consulta aleatória: Ensaios, de Ralph Waldo Emerson.

Abri meu exemplar um sábado desses e deparei com o seguinte achado:

Os bons são auxiliados inclusive pela fraqueza e pelo defeito. Assim como homem algum jamais teve um ponto de orgulho que não lhe fosse prejudicial, assim também homem algum jamais teve um defeito que, de um modo ou de outro, não lhe fosse útil. O cervo, na fábula, admirava seus chifres e censurava seus pés; entretanto, quando apareceu o caçador, os pés o salvaram e depois, acossado no matagal, os chifres o perderam. Durante a vida, todo homem precisa de agradecer às suas faltas. Tal como homem algum compreende inteiramente uma verdade antes de haver pelejado contra ela, de igual modo homem algum adquire perfeita compreensão das deficiências e talentos dos homens antes de haver sofrido por causa das primeiras e visto o triunfo dos últimos sobre sua própria falta deles. Tem ele um defeito de temperamento que o incapacita a viver em sociedade? Nesse caso, é levado a entreter-se e adquire hábitos de auto-ajuda; dessarte, como a ostra ferida, remenda sua concha com a pérola.

O parágrafo seguinte lembra-me meu trecho preferido do primeiro volume de As Crônicas de Gelo e Fogo, livro que inspira a série Game of Thrones. Leia aqui o trecho de que falo.

Nossa fortaleza nasce de nossa fraqueza. Só quando somos picados, ofendidos e dolorosamente alvejados é que surge a indignação que se arma a si mesma com forças secretas. Um grande homem está sempre desejando ser pequeno. Enquanto está sentado sobre o coxim das vantagens, põe-se a dormir. Quando é empurrado, atormentado, derrotado, tem oportunidade de aprender algo; é forçado a usar seu engenho, sua varonilidade; ganha fatos; dá-se conta de sua ignorância; é curado da loucura da presunção; adquire moderação e verdadeira destreza. O homem prudente sempre se põe do lado de seus assaltantes. Interessa-lhe mais do que a eles encontrar seu ponto fraco. O ferimento cicatriza e cai como uma pele morta, e quando eles pensam triunfar, eis que ele passou a ser invulnerável. A censura é mais segura que o louvor. (…) De modo geral, todo mal a que não sucumbimos é um benfeitor. Assim como o ilhéu de Sandwiche acredita que a força e o valor do inimigo a quem mata passam para ele, assim também ganhamos a força da tentação a que resistimos.

Tenho aqui e ali diversos posts em que falo de Ralph Waldo Emerson ou o cito, pois gosto muito dele:

photo credit: pasma via photopin cc

Sobre o autor: Alessandro Martins

Sou o editor deste blog. Trabalhei como jornalista em Curitiba de 1995 a 2008, quando fui demitido e passei a me dedicar a escrever apenas na internet, em blogs e mídias sociais. Agora estou publicando minha newsletter que tem milhares de leitores: assine!