É sempre triste saber que alguém parte tão jovem.
Fica a impressão, ao ver a fotografia e ao lembrar de toda a movimentação e união que Aldemir causou na internet nos últimos dias, que este é um amigo que deixei de fazer e uma voz que não chegarei a escutar.
Porém, a morte é algo comum a todos nós e é natural que provoque emoções em comum, reafirmando a irmandade que há entre nós, humanos. Sinto sinceramente que, de fato, este jovem – que eu nem conhecia – era meu irmão, um entre milhões e ao mesmo tempo único.
“Aldemir Silva é um blogueiro apaixonado”. Fica a afirmação que alguém, há poucos dias, começou a espalhar em nome do amigo, em busca de ajuda. Conheço poucos que possam dizer algo tão simples e belo e que cometam gestos tão grandes em nome de uma amizade e poucos que possam merecê-lo.
Os contatos entre as pessoas são cada vez mais fáceis, cada vez mais simples, mas também mais e mais efêmeros, superficiais e abstratos. Às vezes é difícil perceber que, do outro lado das palavras que se lêem nos monitores, há alguém. Alguém cujo significado está para além delas, das palavras e de seu contexto, seja uma carta, seja uma crônica, seja um blog.
Vou acreditar por isso que Aldemir Silva não era um blogueiro apenas. Não que haja demérito nessa atividade, não. Mas é que sempre somos coisas mais complexas e mais essenciais e mais simples do que aquelas que cuidam de nos rotular pelo que fazemos mais ou menos diariamente.
Com um pouco de ingenuidade – e repito que nunca o conheci – vou preferir resumir a frase do tal amigo para, assim, ganhar em universalidade. Direi apenas que, então, Aldemir Silva era um apaixonado.
Não um blogueiro, não um estudante, não aquele que pegava um ônibus ou dirigia seu carro, não o que andava, sorria, conversava, falava com as pessoas, torcia para seu time, guardava seu dinheiro para comprar algo no fim do mês, esperava, via a chuva cair esperando o momento de voltar para casa, lia um livro, sofria, ria, via um filme com prazer, dormia à noite com fé de que o dia seguinte viria mais ensolarado. Como qualquer um de nós. Não.
Direi:
Aldemir Silva – somente isso – era, é, um apaixonado.
Tocante como amigos, conhecidos e não tão conhecidos – como eu – em nenhum momento quiseram saber detalhes desimportantes de suas necessidades, do que padecia, numa época em que parece haver a delícia louca de se espezinhar a miséria alheia minuciosamente. Todos apenas quiseram, de alguma forma, ajudar.
Nem tampouco ninguém quis saber, afinal, pelo que ou por quem ele era apaixonado.
Resta então a certeza de que Aldemir Silva partiu, sem a necessidade de um porquê.
Apenas partiu.
E também a certeza de que era um apaixonado. Sem que, para isso, houvesse a necessidade de um objeto de paixão.
Aldemir é um apaixonado. E partiu.
Registro aqui meus sentimentos, os mais sinceros.










