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Ajude-me a responder esta pergunta sobre educação

23 de junho de 2009 | Publicado na Categoria Educação | 13 Comentários »

Em meu artigo A Escola É Chata, recebi o seguinte comentário de uma leitora que se identifica como Marcela:

Estou desenvolvendo um projeto de pesquisa que também irá nortear minha tese ao final do meu curso e trata desse assunto.

Tenho sobrinhos que estudam em escolas públicas, a mais nova, 5 anos, 1ª série, me disse que odeia a escola.

Os mais velhos, 13 e 16 também não gostam e estão ansiosos para que os estudos acabem.

A falta de motivação em estudar leva muitos jovens (e nesse aspecto me refiro mais ao ensino em escolas públicas) a buscar uma oportunidade no mercado de trabalho sem ter o interesse de obter formação superior.

Os jovens, assim como eu quando concluí o ensino médio em 1997, tem outros planos e projetos e demoram um pouco a entender que para que se tenha uma melhor perspectiva no futuro é necessário, nos dias atuais, ter um diploma e direcionar sua carreira para uma área específica.

Sem ser via de regra, mas, para conquistar o tão sonhado lugar ao sol em uma profissão onde um jovem receba lá seus R$ 2.500,00 mensais, ou ele opta por concursos, (públicos, bancários) ou graduação.

A questão é: quando o ensino se torna extremamente “chato” para a criança que frequenta às aulas diariamente? É a impossição, como já foi citado; é a presença de uma responsabilidade (tarefas, trabalhos, horários) antes inexistente, qual o fator X que leva minha sobrinha de cinco anos dizer que “já” odeia a escola? (Puxa, tão cedo, estudará mais onze anos com toda essa contrariedade?)

Discordo da afirmação sobre a necessidade absoluta de um diploma para que a pessoa se realize profissionalmente.

No entanto, este é o tipo de questão que sempre vale debater e, por isso, peço a sua colaboração.

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13 Comentários para “Ajude-me a responder esta pergunta sobre educação”

  1. Thaíse Nardim - 23 6 2009 às 13:38

    Acho que os problemas da escola e da insatisfação das crianças ao frequentarem as aulas está justamente nessa cultura da “graduação para vencer na vida”. Bem, um primeiro problema aí: a idéia de “vencer na vida”, que é pautada em, resumindo, ganhar dinheiro, o máximo que você puder. Sei lá, nada que se paute nisso pode ser divertido, na minha opinião. Daí que a escola vira o lugar que te adestra para ganhar o máximo de dinheiro possível. Errado, né?

    Um segundo problema é que, sendo a graduação o caminho para o sucesso e sendo o vestibular o caminho para a graduação… daí ferrou. Gente, o que é o vestibular???? Nada daquilo interessa aos jovens! E quantos de nós nos lembramos daqueles conteúdos absurdos? Se não lembramos, só posso concluir uma coisa: passamos anos na escola perdendo nosso tempo com coisas INÚTEIS (estou generalizando, lógico).

    Enquanto a escola não for pensada REALMENTE como um lugar de desenvolvimento do indivíduo, de suas habilidades, e, principalmente, de autoconhecimento, não for fundada em valores humanistas, blá, as crianças não vão gostar mesmo.

  2. Givanildo - 23 6 2009 às 14:25

    É preocupante, mas acho que isso passa porque também teve uma época de estudo na minha vida, que também achava o fim do mundo.
    O mais preocupante é deixar o filho fora da escola e também não saber educar em casa, porque uma grande massa hoje esta transferindo esse papel para a escola.

  3. Regina Martins - 23 6 2009 às 16:47

    Alessandro, caro amigo. Admiro seu blog e sempre o leio e venho agora dar minha colaboração.
    Realmente, quando se trata de discutir as diretrizes escolares e comparar com outras épocas (terminei em 92), chega-se a um resultado assustador. Particularmente acho que o ensino no geral, principalmente a estadual por não haver interesse ou até mesmo “meios” (estou tentando me expressar) de mudanças mais atuais, não evoluiu. Como diz meu primo, educador, hoje os jovens são “html”, as informações não podem ser longas e sim mais dinâmicas e que utilize de recursos até antes não utilizados. Eles nascem mais espertos, crescem mais rápido e com senso de aprendizado diferenciado, mais dinâmico. A grande maioria das escolas estaduais ou prefeituras não acompanharam essa evolução – diferente da maioria das escolas particulares cuja a concorrência exige isso. Acredito que determinadas mudanças podem e devem serem feitas pelos educadores: tornar mais dinâmico, utilizar de recursos e fazer participar os pais, alunos, a comunidade nessa mudança e se tornar escola modelo ou padrão. Ser educador na atual sociedade é tão complicado e difícil que mina toda e qualquer tentativa de mudança. Ser eduacador é fazer um ato heróico todos os dias – bem como ser aluno – tentar sobreviver todos os dias.

  4. Sandréa Souza - 23 6 2009 às 17:21

    Concordo com a colega Regina.
    Os alunos são Web 2.0, e a escola nem chegou ao 1.0.
    É muito difícil para os alunos, mesmo aqueles humildes, sem grandes tecnologias a mão, ficarem sentadinhos em frente a uma lousa vendo aquela aula de cospe giz…
    Sim, sim, sei que existem professores que fazem um show com um graveto e um clip de papel, mas isso é exceção.
    A escola, além de recursos audiovisuais, necessita também de recursos humanos treinados em complemento a um currículo que ensine o aluno a aprender.
    Outra coisa que as escolas necessitam rever é que os alunos são pessoas. Não são receptáculos indiferentes. Eles têm que sentir que o que está sendo ensinado tem relação com a vida deles e acho que é este link é que está faltando…
    bj.

  5. Marco Carvalho - 23 6 2009 às 22:47

    Acho que com a facilidade de acesso a informação o papel do professor não é mais de ensinar e sim de mostrar COMO aprender.

    Acho que o papel do professor como aquele que faz as perguntas certas para estimular o pupilo a desenvolver-se por si só.

    O jovem tem informações rápidamente e em suas mãos a hora que quiser e coisas conectadas com aquilo que ele acha útil para seu momento de vida. Coisa que a escola não faz.

    Talvez o professor deva ser a figura que irá instigar ao aluno a entender o que ele quer construir para si e para as pessoas que ama e mostrar que ele precisará aprender determinadas faculdades para conseguir o seu intento, seja ele escrever um livro, tornar-se físico nuclear ou estudar as borboletas da Tasmânia…

    A questão é que os professores de agora precisariam trocar completamente seus paradigmas para que isso tornar-se verdade e sabemos que isso é virtualmente impossível para quem nÃo tem o e$timulo para aprimorar-$e e muitas vezes já está em uma idade que não aceita mudanças nos procedimentos assimilidados como certo.

    Sinuca de bico…

  6. Prof. Luís Eduardo - 24 6 2009 às 9:38

    Vou dar meu tempero:
    Os pais não participam em nada das atividades escolares dos filhos; não se entusiasmam com os pequenos avanços; não olham os cadernos e atividades nem uma vez por semana e deixam para a escola todo o trabalho de educação… E depois perguntam porque os filhos estão desanimados?
    Pior: quando os filhos perguntam algo, respondem que é o professor que tem que responder. Mostram o quanto isso é chato para eles mesmos.
    Dê o exemplo: estude você, mostre que pode ser prazeroso. Faça horários fixos para você estudar, para que os pequenos estudem junto com você. Estudar o que? Que tal inglês ou uma terceira língua, um hobby, ou qualquer outra coisa? Ou mesmo aprimore sua profissão. Trinta minutos por dia com seu filho e com o conhecimento? você não conseguiria? Não tem 30 minutos para seu filho? Ao menos 3 vezes por semana? Sinto muito…

  7. Daiana - 25 6 2009 às 15:42

    Olá Alessandro,le este artigo e fiquei a pensar nesta menininha que tão novinha e já odeia escola,e cheguei a triste conclusão que não e tão dificil de odear a escola,a educação e muito precaria,os professores são mal renumerados,assim trabalham desmotivados,sendo que a maioria nem curso superior tem direto vejo reportangens de professores apenas alfabetizados dando aulas,e não e só isto a criança chega em casa ou ela tem pais omissos,ou pais que apenas cobra em vez de incentivalos a estudar por conta propria.o sistema educacional em geral não prepara o aluno para pensar e sim apenas joga materia em cima dele talvez por isto e que se tanto valor em graduação,sendo o que precisamos e de grandes pensadores e empreendedores,pessoas que sejam adiminastradoras de sua carreira.Bem esta é a mminha opinião.
    Um abraço.

  8. Marcelo - 25 6 2009 às 16:00

    Passei vários anos (quando cursei Pedagogia) discutindo esse tipo de assunto em grupos de estudo.

    Não conseguiria falar sobre isso aqui sem escrever um gigantesco e enfadonho comentário.

    Minha dica é: leia Bourdieu.

  9. Silvia - 25 6 2009 às 17:00

    Acho que o ensino se torna chato por diversos motivos. Para começar, 5 anos já no Ensino Fundamental? Talvez esteja muito cedo ainda. Criança de 5 anos não precisa ficar atrás de uma carteira de escola, precisa de liberdade para brincar, explorar, não ter uma rotina rígida.

    Também se torna chato quando o professor se coloca como detentor de todo o saber e não estimula as crianças a chegarem a conclusões por conta própria. Professores que sabem usar aquilo que os alunos sabem e os assuntos pelos quais se interessam para ensinar são mais bem sucedidos. Só que trabalhar assim é muito mais difícil, eu acho.

    E, como sempre, entra a questão da (des)valorização da figura do professor. Enquanto educação não se tornar uma prioridade, enquanto governantes e sociedade continuarem fingindo que o ensino não é a base do sucesso em todos os aspectos (social, ético, humano, moral…), fica difícil mudar.

  10. Humberto - 25 6 2009 às 19:09

    Acho que esse percurso doloroso ocorreu com muitos e deixou sequelas e cicatrizes que nunca sararam.Trabalho com jovens de várias idades e a fala é a mesma , o cansaço. Uma “educação” massante onde o objetivo final é formar intelectuais,bons empregados,gente de bom senso,inexpressivos,rancorosos e ressentidos, não busca encontrar pessoas mais capazes,que se conhecem,que aprendem a respeitar o espaço,seu e de outros,que não se envergonham do que gostam e de quem são.Tudo está voltado para interesses que não são o da massa; prioridades-acho que achei a palavra mais adequada-não passam por nossas necessidades. Não há saída.Aceite o momento que é real e procure apoiar os seus para suprir as falhas daqueles que se comprometeram e não realizam seu trabalho,aliás isso é cultural em nosso país.

  11. Volney Faustini - 26 6 2009 às 9:54

    Duas palavras que podem ajudar: Ludico: relativo a jogo ou recreativo; e Educatenimento.

    O prazer, a motivação, o encanto, a liderança na (nova) sala de aula pode ser uma realidade. E fará grandes diferenças. Por que o ensino (em sua grande maioria) tem que ser chato? Creio que seja um fenômeno da Industrialização, a intensa ênfase em metodologias, massificação, uma fórmula para todos, a clonização do professor (olha aí Alex, dá um post hein!! – podereia ser a colonização vs clonização da Escola …), enfim a Escola tá engessada e aguardem, pois os Nativos Digitais virão pra tomar conta do pedaço!!

    Creio que uma boa discussão do momento – e nesse tópico seja o filme Entre os Muros.

  12. Enio Vieira - 27 6 2009 às 15:04

    O problema é que os professores não estimulam as crianças a gostarem de estudar, quase todos os professores colocam de certa forma o estudo como um bicho de 7 cabeças, não ensinam a pensar, fazem provas cada vez mais dificeis q são apenas testes para eles proprios ao invés de as provas serem para uso e aprendizado de seus pupilos, qdo o professor incentiva o aluno ele passa a adorar a matéria seja ela qual for… isso independe de ser escola publica ou particular, posso dizer q tive a grata felicidade de estudar sempre em escolas publicas e vi muitas vezes alunos que estudaram em escolas publicas se sobressairem mais que alunos q estudaram em escolas particulares, além de que alunos de escolas particulares são exibidos, gostam de exibir sempre as melhores roupas, os melhores celulares, os melhores tenis… isso não é a vida pratica…
    Abraços

  1. [...] » Confesso que considerei as respostas que obtive dos outros leitores para a pergunta da leitora Daniela, sobre educação, ainda inconclusivas. No entanto, acho válido publicá-las, pois elas suscitam novas questões.A [...]

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