Afeiçoando-se a Hannibal Lecter: seria um bom negócio?
9 de março de 2009 | Publicado na Categoria Livros e afins | 1 Comentário »Embora o psicopata canibal Hanibal Lecter, personagem de Thomas Harris, seja uma figura fascinante, eu não recomendaria a ninguém afeiçoar-se muito a ele.
Culto, inteligente, elegante mesmo usando um traje de prisão, profundo conhecedor e leitor do espírito humano. Facilmente o personagem causa um misto de boa e má impressão nos leitores e no público dos diversos filmes que o retrataram. Principalmente porque, em três deles, ele é interpretado pelo talentoso e carismático Anthony Hopkins.
Para causar identificação nas platéias, também é explorada a idéia de que ele é um serial killer que só mata outros bandidos ou, pelo menos, aquelas pessoas que julga pouco polidas e que qualquer um de nós também mataria se não fôssemos todos humanos, demasiadamente humanos, regidos pelos códigos civis e criminais, pela moral, pela ética e outras leis ainda menos claras.
Mas, enfim, ele é um sujeito capaz de matar um flautista para melhorar o som de uma orquestra e, ainda, servir as vísceras da vítima para os demais músicos, sem que estes tenham conhecimento disso.
O autor, naturalmente, quer que você pense que, no fundo, bem lá no fundo, Hannibal Lecter é um bom sujeito. Além disso, medo e desejo, costumam andar juntos. Em algum momento, você até cogita que seria legal ter um amigo como esse.
Mas a própria personagem Clarice Starling, agente especial do FBI, esclarece o que podemos pensar a esse respeito. E, na verdade, é muito simples:
- Já imaginou que ele poderia gostar de você, Starling?
- Acho que eu o divirto. As coisas o divertem ou não. Se não…
- Alguma vez você sentiu que ele gostava de você? – Crawford insistia na distinção entre pensamento e sentimento como um batista insiste no mergulho total.
- Conhecendo-me por muito pouco tempo, ele disse algumas coisas verdadeiras a meus respeito. Acho que é fácil confundir compreensão com simpatia; já que queremos tanto a simpatia. Talvez aprender a fazer essa distinção seja parte do crescimento. É duro e medonho saber que alguém pode entender você mesmo sem gostar. Quando a gente vê a compreensão usada como a ferramenta de um predador, é o pior. Eu… eu não tenho idéia do que o Dr. Lecter sente por mim.
O negritado é meu. Então é isso, crianças: não confundam a compreensão alheia com simpatia ou afeição verdadeira. Talvez a pessoa que lhe devota essa compreensão só esteja querendo comer você.
No sentido gastronômico da palavra, naturalmente.

Desculpa se fujo dos livros, mas o House tem essa incrível capacidade de não gostar de ninguém e, ainda assim, conseguir ver as pessoas.
Sensacionais, esses personagens.