O leitor Joseph Shafan pediu para que eu divulgasse a sua seleção e adaptação de 50 Fábulas de Esopo.
Se você não sabe ou não lembra quem foi Esopo, basta de início saber que ele é o cara da fábula da Raposa e das Uvas: a raposa, ao ver que as uvas estão fora do alcance, desdenha, dizendo que estão verdes e que, por isso, não as desejava realmente.
Joseph Shafan, no email que enviou para mim, explica seu trabalho:
Era um desejo antigo reunir aquelas que considero mais interessantes e, finalmente, consegui. São fábulas selecionadas e adaptadas da edição em língua portuguesa do século XIX “Fabulas de Esopo – com applicações moraes a cada fabula” – 1848 – Paris, Typographia de Pillet Fils Ainé [domínio público em http://pt.wikisource.org], vertidas diretamente do grego por Manuel Mendes, da Vidigueira.
A adaptação foi composta após quase que uma tradução do português daquele século para o português brasileiro de hoje. Sempre que possível procurei manter a forma pronominal [segunda pessoa do singular] utilizada na edição parisiense, até porque é muito utilizada em diversas regiões do Brasil. Para se ter uma idéia do português de antanho, cito aqui uma passagem da fábula que intitulo “O Pinheiro e o Coqueiro” (quando meu tio Helio me contou ele cunhou o título “O Carvalho e a Palmeira”, mas resolvi adaptar para árvores que são mais fáceis da criança de hoje identificar), que nas palavras de Manuel Mendes chama-se “A Faia e a Cananoura”: “a Faia alta e direta não queria dobrar-se ao vento, antes vendo a Cananoura, que se maneava facilmente, a conselhava que estivesse sem dobrar-se”.
Por isso, embora tenha havido alguma dificuldade, foi muito divertido. Diversão que espero tenham: minha pequena filha Leticia, minhas netas Yasmin e Elis (a elas dediquei o trabalho) e todos que se aventurarem por essa delícia que é o caminho das fábulas. Esperem que gostem!
Ao ler algumas das fábulas, ficamos com a impressão de que ela nos disse algo óbvio. Mas fábulas, às vezes, são assim: dizem aquelas coisas que vemos acontecer diariamente e, ainda assim, teimamos em não apreender. De certa forma, fábulas sintetizam de forma narrativa fragmentos de sabedoria.







